Quando a temporada começou na Inglaterra, era raro alguém que apostasse que o Arsenal brigaria pelo título do Campeonato Inglês. As previsões, aliás, eram de desastre, ficando até fora da Liga dos Campeões. Era o nosso caso aqui na Trivela. Para a maioria da redação, o Arsenal sofreria para ficar com uma vaga na competição continental. E havia um sério risco de, pela primeira vez desde que Wenger assumiu, o time não se classificar para o torneio. Se discutia o futuro de Wenger e que talvez esta fosse a sua última temporada no comando dos Gunners. Poucos defendiam o trabalho de Wenger. Não podíamos estar mais errados. O Arsenal de fato não tem o melhor elenco da Inglaterra, mas é um time forte, competitivo e, passadas 22 rodadas, o time lidera a competição, com chances de levantar o título que não vem desde 2004. E não por acaso, o clube deve anunciar nos próximos dias a renovação do contrato do treinador por mais algum tempo. Com toda justiça. Por isso, resolvemos fazer um mea culpa.

O que o Arsenal discute é uma nova era sob o comando do treinador. Segundo o Telegraph, o Arsenal deve ter mais dinheiro do que nas últimas temporadas para reforçar o elenco. O clube tem sido bem sucedido em termos de negócio, com resultados positivos em seus balanços, e deve melhorar ainda mais sua receita com a entrada da Puma como fornecedora de material esportivo, em um acordo recorde – do qual falaremos mais nos próximos dias. O que importa é que a grana que deve entrar é de algo em torno de £ 30 milhões por temporada, o maior acordo de uma fornecedora esportiva na Inglaterra. Nada disso estava no horizonte lá em agosto, quando a temporada começou com um ponto de interrogação.

Com o Tottenham contratando com o dinheiro da venda do Bale, o Manchester United mantendo o elenco campeão, o Manchester City com um elenco ainda mais reforçado e o Chelsea trazendo de volta Mourinho, a expectativa era de uma temporada de nuvens negras para o Arsenal. É verdade que a contratação de Özil por £ 42,5 milhões trouxe uma esperança de melhora ao clube, mas ainda assim parecia pouco para elevar tanto o patamar do Arsenal a ponto de permitir que o time sonhasse com o título. Mas é o que está acontecendo. E com Özil sendo um dos destaques, mesmo que não como um protagonista. Giroud, que fez uma primeira temporada de altos e baixos, está muito bem e se tornou fundamental ao time.

O Arsenal tem 22 jogos, 16 vitórias, três empates e três derrotas. São 43 gols marcados e 19 sofridos. Um dos méritos desse time da equipe é saber sofrer. Parece bobagem, mas saber defender um resultado mesmo naqueles dias que o time não está bem é essencial para um campeão – ao menos se o time não for um esquadrão espetacular ou não tiver uma vantagem técnica enorme sobre a maioria dos adversários. O Arsenal tem dificuldades nos clássicos, mas isso é o normal. Tem um elenco inferior. O problema era os pontos que o time desperdiçava em jogos contra os demais adversários. Nestes que o time melhorou.

Dois meio-campistas do time se destacam muito nesta temporada. Mesut Özil chegou para ser um dos melhores passadores da liga, fazendo sete passes para gol até aqui. A principal surpresa do time, porém, atende por Aaron Ramsey. São oito gols marcados e seis assistências. Se há alguém que acredita em Ramsey há muito tempo é justamente Wenger. E esse é um mérito que precisa ser dado a ele.

O Arsenal é um time forte, que não deve passar pelo Bayern de Munique, mas que dificilmente venderá barato a desclassificação. O próprio Bayern sabe disso, porque em 2012/13, o time alemão venceu na Inglaterra e perdeu na Alemanha, tomando pressão no final. E a provável eliminação já nas oitavas de final deve fazer o Arsenal focar na disputa do título inglês. O calendário será bem complicado, com jogos contra os melhores times do país entre fevereiro e março. Um período crucial para o time. Mas para quem parecia tão mal antes de começar a temporada, o ano está sendo muito bom.

Por isso que nós pedimos perdão. Wenger, mais uma vez, está conseguindo fazer o Arsenal ser um time competitivo e de bom futebol, mesmo sem um elenco tão estelar quanto os concorrentes. E ainda briga por um título que o Manchester United, por exemplo, já não briga mais a essa altura. A renovação de contrato do técnico é um prêmio justo. O título pode até não vir, mas a temporada deve ser muito acima do esperado. E quem lidera o campeonato no fim de janeiro deve sonhar com a taça, por que não? Se o título vier, o maior responsável terá sido o treinador francês.