Até meados da década passada, as eras vencedoras de Arsenal e Manchester United resultaram em uma das maiores rivalidades da Premier League. Apesar disso, Arsène Wenger e Sir Alex Ferguson construíram uma relação sólida, entre dos treinadores de trajetórias duradouras que se encontraram diversas vezes à beira do campo. E, diante dos momentos difíceis que o francês tem encarado nos últimos tempos, com as críticas aumentando pela falta de resultado dos Gunners, o escocês vai sendo uma das principais fontes de apoio.

“Tenho uma boa relação com Sir Alex. Algumas vezes ele me manda uma mensagem quando as coisas não estão bem. Há uma solidariedade. Eu sempre apoio os outros técnicos quando posso. Não há como não sofrer. Você precisa sofrer. A dificuldade desta ofício é ser capaz de seguir em frente em períodos que são muito duros”, afirmou o comandante do Arsenal, após a vitória sobre o Milan na Liga Europa.

Wenger, todavia, preferiu afastar o caráter pessoal das ofensas contra si: “Eu estava em uma forma desastrosa na sequência recente. Mas o ódio da torcida do Arsenal não é nada pessoal. Eles odeiam o técnico que não consegue entregar os resultados. Estou infeliz com o que não conseguimos. Quero vencer, e com estilo, o que é muito ambicioso. Quando não fazemos isso, é lógico que eu sofro como todos. O Arsenal é 30 milhões de pessoas, não é sofrer sozinho. Você quer fazer 30 milhões felizes e é com isso que me importo. Passar noites sem dormir é parte do trabalho. É sobreviver a desapontamentos e encontrar soluções, enfrentar as crises pode te tornar melhor”.

Além disso, o francês defendeu algo além dos resultados para justificar o que faz no Estádio Emirates: “O futebol, em primeiro lugar, é sobre valores. Se eu puder deixar o momento ruim para trás, talvez as pessoas em algum lugar respeitem que o Arsenal não é sobre ganhar ou perder, mas sobre o que é importante no jogo. Meu arrependimento pessoal é que isso naufragou completamente. Vocês não falam mais sobre isso, é apenas sobre o lado vitorioso, que é importante, mas não essencial”.

De qualquer forma, Wenger não nega o impacto dos resultados sobre o ambiente no Arsenal. Em sua visão, a derrota para o Manchester City na Copa da Liga Inglesa criou uma situação psicologicamente difícil para os jogadores até o final da temporada. Distantes da briga pelo G-4 na Premier League, os Gunners voltam as suas atenções à Liga Europa nesta reta final de temporada.