‘Jovem promessa santista chega ao Real Madrid após triunfar com a seleção brasileira sub-20’. A manchete poderia enganar qualquer um seis meses atrás, fazendo muitos profetas da bola urgirem sobre suas premonições de Neymar no Santiago Bernabéu. Mas o craque foi para o Barcelona. E quem imaginaria que o mais novo merengue é Willian José? Talvez nem a mãe do atacante sonhasse com um destino tão reluzente para o rebento.

Willian segue os passos de Casemiro. O volante, no entanto, teve sua presença bem mais justificável em Madri do que o ex-companheiro. A indisciplina minou seu espaço no São Paulo e bastou que reencontrasse o bom futebol para que ganhasse uma chance na equipe principal do Real Madrid. Já o atacante saiu do Tricolor e também do Santos puramente por não convencer. Ganharia um recomeço no Botafogo em 2014. Porém, bastou a chance no Bernabéu surgir para que virasse as costas ao alvinegro.

Se Willian José precisava de uma motivação para cumprir a promessa que fez alguns acreditarem durante o Mundial Sub-20, não haveria oportunidade melhor. Mas precisa também conhecer a história de outros brasileiros que tiveram a chance inimaginável de vestir a camisa branca. E que, depois do primeiro milagre, ao concretizarem o negócio improvável, não conseguiram o segundo e deixaram o clube pela porta dos fundos. Relembre:

Vítor (1993-94)

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Na verdade, o Real Madrid estava atrás de outro lateral direito campeão mundial com o São Paulo. O problema é que o Tricolor não queria liberar Cafú e, diante de um acordo verbal com os espanhóis, acabou negociando Vítor, antes que o verdadeiro reforço chegasse ao Bernabéu em dezembro. Então com 21 anos, Vítor vinha como uma aposta. Ficaria por uma temporada, com opção de compra dos merengues. O problema é o brasileiro já chegou desagradando, dizendo em sua apresentação que ‘não sabia qual o papel do Real na Liga’. Ganhou chances em três das quatro primeiras rodadas do campeonato, mas as péssimas atuações combinaram com derrotas para Valladolid e Oviedo. O lateral foi embora sem deixar saudades e o Real chupou o dedo, já que o acordo verbal com Cafu melou. Em 1998, Vítor ainda participaria de um momento marcante do Real: tomou um drible desconcertante de Raúl no segundo gol sobre o Vasco, que garantiu o título do Mundial Interclubes.

Iarley (1995-98)

Lenda do Paysandu, Iarley tentou sua sorte no Real Madrid antes de chegar à Curuzu. Formado nas categorias de base do Ferroviário, o atacante foi levado ao clube espanhol quando tinha 22 anos, em um negócio possibilitado por seus novos empresários. Foram três anos no Castilla, a segunda equipe do Real, onde jogou ao lado de Samuel Eto’o e Esteban Cambiasso. Só que a venda de direitos do cearense acabou em briga e ele sequer estreou na equipe principal, partindo ao Ceuta. Seu retorno ao Brasil aconteceu em 2001, no Ceará, de onde rumou para fazer história na Bombonera com o Papão.

César Prates (1996-97)

O lateral direito também foi levado diretamente para o Castilla, depois de ter um início de carreira destacado no Internacional. Na mesma época em que Iarley tentava se sobressair, o defensor teve uma boa sequência e chegou a ser pinçado pela equipe principal ocasionalmente – como na despedida de Hugo Sánchez, retratada na foto de abertura da matéria. No entanto, não foi aproveitado e seguiu para o Vasco. No início dos anos 2000, quando estava no Sporting, até surgiram rumores de que o Real estaria interessado em seu retorno. Em Portugal, foi um dos tutores de Cristiano Ronaldo, prodígio da base que estava subindo à equipe profissional alviverde.

Rodrigo Fabri (1998-2003)

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Grande revelação da Portuguesa, Rodrigo Fabri chegou ao Real Madrid badalado. Os espanhóis desembolsaram US$ 10 milhões pelo atacante, vencendo a concorrência com o Deportivo de La Coruña e com a Lazio – que havia até oferecido uma parceria com os rubroverdes na época. Só que Rodrigo mal desembarcou no Bernabéu e já teve que sair, emprestado ao Flamengo como parte do pagamento por Sávio. E este seria apenas o primeiro dos cinco empréstimos feitos pelos merengues, que ainda colocaram o brasileiro em Santos, Valladolid, Sporting e Grêmio. Por fim, foi vendido ao Atlético de Madrid tendo disputado apenas amistosos com os blancos. Segundo o próprio site oficial do Real, a ‘qualidade de sua perna esquerda contrastava com o fraco caráter’, o que determinou seu insucesso no clube.

Júlio César (1999-2003)

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Desconhecido no Brasil, Júlio César (à direita na foto) percorreu um atalho incomum até Madri: surgiu no futebol hondurenho e acabou atraindo o interesse do Valladolid, de onde foi contratado pelo Real. O maranhense ganhou uma posição na zaga dos então campeões europeus, titular em todo o primeiro turno de La Liga ao lado de Fernando Hierro. No entanto, perdeu espaço na metade final da temporada e nunca mais teve chances com a camisa branca. Depois disso, ainda seria emprestado ao Milan e à Real Sociedad, antes de ser vendido ao Benfica. Até encerrar a carreira neste ano, no Toronto FC, rodou por 10 países diferentes.