Primeiro, acertou a trave esquerda de Ter Stegen. Segundo, a trave direita de Ter Stegen. Dois lances que poderiam simbolizar a falta de sorte de Willian no empate por 1 a 1 contra o Barcelona, nesta terça-feira, pelas oitavas de final da Champions League, em Stamford Bridge. Mas o brasileiro estava apenas calibrando a mira para fazer o gol que coroou sua grande partida e seu bom momento na temporada.

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A posição de Willian no elenco do Chelsea é um mistério. Ele nem sempre brilha como nesta terça, mas tem uma ótima regularidade, faz grandes jogos com frequência e, mesmo assim, vira e mexe é reserva de Pedro, que em seus melhores dias não passa de um bom jogador. Mas Antonio Conte observou bem o momento do brasileiro e o premiou com a posição de titular contra o Barcelona, mesmo que isso significasse alterar um pouco o esquema.

Ou justamente para alterar o esquema. Conte abriu mão de um jogador mais fixo para prender a bola no setor ofensivo, que poderia ser Giroud ou Morata, e entrou em campo com três atacantes rápidos: Hazard, Pedro e Willian. A ideia, quando o Barcelona tivesse a bola, o que aconteceu durante 73% do tempo, era formar uma linha de quatro à frente dos cinco defensores, com válvulas de escape pelos lados e mais um jogador para puxar contra-ataque mais avançado.

Funcionou. O Chelsea defendeu muito bem, deu poucos espaços para o Barcelona e levou mais perigo que o adversário, especialmente no primeiro tempo. A maioria de fora da área, com Hazard e as duas bolas na trave de Willian, que também cavou um falta perigosa na intermediária, com uma arrancada em que saiu cortando adversários. Na etapa final, novamente de fora da área, Willian puxou para a perna direita e acertou um belo chute com efeito.

Willian continuou sendo perigoso e ficou em campo quando Conte decidiu, enfim, colocar o centroavante. Morata entrou no lugar de Pedro, o que pode ser uma tendência para os próximos jogos porque o momento do brasileiro pede mais minutos. Na última sexta-feira, por exemplo, ele já havia comido a bola contra o Hull City, na Copa da Liga Inglesa. Soma 11 gols e oito assistências em 41 partidas. É o terceiro artilheiro do time na temporada.

O momento também coloca a questão: Willian deveria ser titular da seleção brasileira na Copa do Mundo? Seu papel com Tite é de 12º jogador. Sempre entrou na equipe e de vez em quando começou pela direita, no lugar de Coutinho, antes de o ex-jogador do Liverpool se firmar. A alternativa poderia ser sacar Renato Augusto, usar Coutinho no meio-campo e botar Willian pela ponta. Ainda tem muita bola para rolar até a estreia na Rússia para Tite ponderar suas opções.

Willian não pode ser descartado. Nem para o Brasil, nem para o Chelsea. Não é de hoje que joga uma bola fina na Premier League e, contra o Barcelona, foi decisivo, apesar de o erro de Christensen, no segundo tempo, ter tornado o resultado ruim para os ingleses.