Eric Wynalda, ex-jogador da seleção dos Estados Unidos, assumiu a sua candidatura para presidir a United States Soccer Federation (USSF, ou simplesmente US Soccer), em eleição que acontece no próximo ano. O ex-atacante, atualmente com 48 anos, se disse favorável a duas grandes mudanças no futebol do país: a introdução de acesso e rebaixamento e a adoção do calendário europeu (que alguns chamam de mundial ou Fifa, de agosto a maio). Atualmente, a MLS é disputada de março a dezembro.

LEIA TAMBÉM: Ex-jogador da seleção dos EUA: os esportes americanos premiam a mediocridade

As duas mudanças passam pela MLS, a principal liga do país, e, portanto, estão fora do seu alcance direto, ainda que a US Soccer tenha uma grande influência na discussão sobre o assunto. A terceira mudança que o ex-jogador disse querer fazer está dentro da alçada que depende apenas da federação de futebol do país: o pagamento de premiação igual para a seleção masculina e feminina de futebol, algo já reclamado pelas jogadoras americanas. Até porque a seleção feminina gera mais dinheiro para a US Soccer que a masculina.

O fracasso da seleção americana nas Eliminatórias da Copa, ficando fora do Mundial na Rússia em 2018, aumenta os clamores por mudanças no futebol dos Estados Unidos e Wynalda já tinha deixado claro que queria fazer parte disso. Depois de 12 anos no comando da US Soccer e sendo reeleito sem oposição, Sunil Gulati terá adversários pela primeira vez na eleição, em fevereiro do próximo ano.

Atualmente comentarista de futebol na TV, Wynalda fez 106 jogos pela seleção dos Estados Unidos, com 34 gols marcados. Já exerceu cargos técnicos e de direção em clubes de futebol nos EUA. Terá como concorrentes confirmados ao cargo de presidente da US Soccer o advogado Steve Gans, o diretor de ligas amadoras americanas Paul Lapointe e ainda é esperado que o próprio Sunil Gulati concorra a uma reeleição. Outro ex-jogador, Landon Donovan, também é especulado para concorrer ao cargo.

“Uma parte importante é que eu não estou concorrendo contra Sunil Gulati, estou concorrendo pelo futebol”, afirmou Wynalda, em entrevista à ESPN americana. “Eu me sentei e assisti por muitos anos e me perguntei por que. Eu levei tempo para entender exatamente por que. Por que as coisas são como são? Eu vou consertá-las”, disse.

Wynalda já tinha falado que pensava em concorrer ao cargo em setembro, antes mesmo do vexame americano nas Eliminatórias da Copa. “Mudar a cultura é chave”, afirmou ainda o ex-jogador. Por isso, acredita que será necessário mudar algo que é muito discutido nos Estados Unidos há anos: acesso e rebaixamento e mudança de calendário, adotando a temporada europeia, de agosto a maio. Para ele, a segunda mudança seria “extremamente benéfica”.

“Se nós vamos criar uma final com a nossa assinatura, por exemplo, não podemos ter a MLS Cup em dezembro, disputando com o início do basquete, o futebol americano universitário e a NFL”, afirmou Wynalda. “Nós temos que descobrir onde esta pequena janela está para talvez fazer as pessoas prestarem atenção”, analisou.

Questionado se as condições climáticas seria um problema para jogar ao longo do inverno, de dezembro a março, Wynalda disse que esse problema já acontece e é evitável. Mais do que isso, que o formato atual é até pior, pensando nesse aspecto. “Nós começamos a temporada em março, com clima ruim, e finalizamos em dezembro com clima ainda pior. Então, temos a questão climática que será um desafio, mas é bobagem jogar nossos jogos mais relevantes e os playoffs nestas condições”, criticou.

Perguntado sobre a questão de acesso e rebaixamento, o ex-atacante foi cauteloso, mas se disse a favor. “Neste ponto, nesta conjuntura, tudo que eu posso dizer é que sim, eu acredito firmemente em acesso e rebaixamento. Isso se encaixa na nossa estrutura atual? Não. Há conversas que precisam acontecer”, contou.

A eleição da US Soccer será na reunião anual da entidade, que será entre 8 e 11 de fevereiro em Orlando, na Flórida. Wynalda precisa de três nomeações entre agora e dezembro para poder concorrer, e o ex-atacante afirmou já ter 26 votos. Gans já tem três nomeações e Gulati precisaria também de três nomeações para poder concorrer à reeleição.