Foram anos de esforço em vão. Mario Yepes chegou à seleção da Colômbia em 1999, como parte da renovação após a campanha ruim na Copa do Mundo do ano anterior. Era um zagueiro jovem e que demonstrava grande potencial – não à toa, naquele mesmo ano, foi vice-campeão da Libertadores com o Deportivo Cali, atraindo o interesse do River Plate. Tornou-se nome cativo nos Cafeteros, em um ciclo vicioso no qual parecia que nunca teria o gosto de viver um Mundial, como as gerações anteriores. Só parecia.

Colômbia 2×0 Uruguai: Cafeteros são uma orquestra sob a regência de James

Yepes nunca foi um dos melhores zagueiros do mundo. Ninguém pode negar, no entanto, a sua importância para a seleção colombiana. Foi um dos pilares do time que conquistou a Copa América em 2001. Manteve a defesa como um dos pontos fortes da equipe nos sofridos anos 2000, quando o ataque também não marcavam tantos gols e os Cafeteros fracassavam nas Eliminatórias. Yepes ficou longe de disputar as Copas de 2002, de 2006 e de 2010. Até que uma nova geração desse a oportunidade no final da carreira do defensor.

Na campanha rumo à Copa de 2014, Yepes manteve a segurança da defesa, mas também contando com a fome de gols de Falcao García no ataque. A estrela do time perdeu, mas o conjunto seguiu unido sob a liderança do capitão. Com James Rodríguez e Cuadrado, os Cafeteros estão mantendo a gula por bola nas redes. E a defesa está entre as menos vazadas do Mundial, com dois gols sofridos em quatro jogos. Mais do que isso, Yepes também pode ser colocado entre os melhores zagueiros do torneio.

Aos 38 anos, o capitão já não tem o vigor físico de outros tempos. No entanto, tem se valido muito bem da experiência para se sobressair. Seu tempo de bola e seu posicionamento, até aqui, são excelentes. Contra o Uruguai, muitas vezes a linha defensiva da Colômbia esteve exposta pelos espaços deixados às costas do meio-campo e pelas subidas dos laterais. Yepes trabalhou muito, o maior ladrão de bolas da partida. Manteve a solidez de um setor que, quando não foi suficiente, acabou salvo pelas grandes defesas de Ospina.

Pela primeira vez, os Cafeteros chegam às quartas de final de uma Copa do Mundo. Foi além do que havia conseguido a geração de ouro dos anos 1990, com talentos inquestionáveis no ataque. Mas sem a firmeza da defesa atual de José Pekerman. Yepes, um zagueiro que atua de cabeça erguida e que tem se distanciado dos erros que marcaram seus últimos anos nos clubes, é parte fundamental nesse sistema. Sabe que é a última chance para o seu sonho. E também a melhor da história da Colômbia.