O aumento do dinheiro da televisão na Premier League não apenas inflacionou o mercado. Ele também elevou o status de muitas equipes do meio para baixo da tabela, que passaram a demonstrar um poder de compra digno de clubes tradicionais da Europa continental. Basta ver alguns nomes trazidos durante as últimas semanas. Alguns deles, caberiam em times com ambições maiores nas demais ligas. Parte deles, inclusive, veio até mesmo destas agremiações. Preferiram o dinheiro e o alto nível competitivo que se encontra na elite da Inglaterra. Aparentemente, os confrontos entre esses pelotões inferiores da Premier League serão maiores, quem sabe com algum clube despontando para se meter no Top 6.

Abaixo, separamos 20 contratações interessantes dessas equipes além do topo da tabela – ainda faremos uma análise específica sobre o mercado de Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham. Abaixo, consideramos apenas aquele pessoal “do Burnley para baixo”. Negócios que merecem destaque pelo baixo custo, pela aposta em um jogador não tão conhecido, por derrubarem o interesse de outras instituições maiores. Que, enfim, dão cores à essa parte do campeonato.

As escolhas são subjetivas. Não foram selecionados os nomes mais badalados ou necessariamente os mais caros. Alguém pode sentir falta de um Felipe Anderson, de um Richarlison ou de um Mitrovic, o que é normal. A intenção é a de analisar alguns atletas e tentar entender por que cada clube pode se dar bem. Confira:

Andryi Yarmolenko (A, West Ham, €20 milhões)

A primeira experiência de Yarmolenko fora da Ucrânia foi agridoce. Fez ótimas partidas em seu início de jornada com o Borussia Dortmund, mas caiu de rendimento junto com o time e perdeu quase todo o returno da Bundesliga por causa das lesões. Sai com a impressão de que poderia ter feito mais, embora ainda precise se provar. O preço pago pelo West Ham é relativamente baixo, mas correndo o risco de sofrer com um jogador de vidro. A rotação, ao menos, oferece outras opções a Manuel Pellegrini. Pode ter o seu brilho em uma equipe que, apesar da séria lesão de Manuel Lanzini, conseguiu segurar Marko Arnautovic e ainda contratou Felipe Anderson a peso de ouro, para ser o novo dono do time, após recuperar seu espaço na Lazio durante a reta final da última Serie A.

Jack Wilshere (M, West Ham, sem custos)

Podemos gastar linhas e mais linhas falando sobre o que não deu certo na carreira de Wilshere. Entretanto, o meio-campista vinha em recuperação. Depois de um empréstimo não muito bom ao Bournemouth, teve boas atuações na temporada passada. E, ao não seguir no Arsenal, tornou-se uma alternativa plausível a qualquer equipe. O West Ham se prontificou em assumir a bronca e a confiar em sua afirmação. O interesse do meio-campista será essencial, algo que nem sempre se viu. Mas, considerando o alto investimento do time de Manuel Pellegrini, pode ser um dos protagonistas.

Fabián Balbuena (D, West Ham, €4 milhões)

Quase todos os últimos bons zagueiros que se destacaram no futebol brasileiro eram estrangeiros. Balbuena não foge desta regra. O paraguaio foi vital na conquista do Corinthians durante o último Brasileirão, combinando segurança e solidez. Tinha mercado para almejar mais e se transforma em um acerto relativamente barato do West Ham, dentro do padrão inglês. Pode tomar conta de uma defesa sem grandes referências e usar o clube como trampolim, tal qual outros ex-corintianos na década passada. Já valerá demais se, de alguma forma, puder seguir os passos de Carlos Tevez ou Javier Mascherano.

Yerry Mina (D, Everton, €30,25 milhões)

O Everton não pagou barato por Yerry Mina. O Barcelona quase triplicou o seu investimento no zagueiro que não agradou em seu semestre no Camp Nou, aproveitando bem o destaque que o colombiano teve durante a Copa do Mundo. Entretanto, não se nega que os Toffees levam um bom acréscimo, se ele conseguir realmente se adaptar à Premier League. É um defensor agressivo e com enorme presença de área, que contribui em suas subidas ao ataque e tem chão para melhorar, aos 23 anos. Melhor ainda é o gostinho que deixa por frustrar o Manchester United, outro bastante interessado em sua contratação.

Bernard (M, Everton, sem custos)

Bernard vai dar certo na Premier League? Considerando o estilo de jogo do brasileiro e o seu porte físico, é uma incógnita. Juninho conseguiu algo parecido em tempos mais físicos da competição, mas nos quais o talento também conseguia prevalecer muito mais. Fato é que o risco vale bastante aos Toffees, que não gastaram para trazer o meia sem contrato, pretendido também por Milan, Internazionale e Chelsea. Gastará um pouco mais apenas em seu salário, relativamente alto para o que se espera a um jogador de sua experiência. Vem de boas temporadas no Shakhtar Donetsk e oferece opções ao elenco de Marco Silva. A possibilidade de trabalhar com o técnico, aliás, foi um fator decisivo em sua escolha.

Sung-yong Ki (M, Newcastle, sem custos)

Ki se tornou um dos jogadores mais importantes na engrenagem do Swansea durante os últimos anos. O jogo de passes que vigorou em parte desse tempo tinha grande participação do meio-campista sul-coreano. O rebaixamento dos galeses abriu as portas para a sua saída, já sem contrato. E o Newcastle aproveitou a ocasião para fazer uma excelente aquisição. Ganha um ótimo incremento para a sua faixa central, que perdeu Mikel Merino, de saída à Real Sociedad. Aos 29 anos, pode render bastante em St. James’ Park.

Fabian Schär (D, Newcastle, €4 milhões)

O rebaixamento do Swansea, aliás, não foi o único bem aproveitado pelo Newcastle. A queda do Deportivo de La Coruña na Espanha barateou o preço de alguns de seus jogadores. E reduziu a cláusula de rescisão de Fabian Schär, uma boa opção para o miolo de zaga. O defensor de 26 anos não estourou como se esperava, após trocar o Basel pelo Hoffenheim. Ainda assim, possui qualidade e mantém sua importância na seleção suíça. Pelo preço, soa como uma pechincha para o inflacionado mercado da Inglaterra.

Max Meyer (M, Crystal Palace, sem custos)

As ambições financeiras de Max Meyer eram grandes demais para o Schalke 04. O talentoso meio-campista de 22 anos queria um aumento exorbitante em seu salário, que os Azuis Reais se negaram a providenciar. Assim, perderam de mão beijada uma das maiores promessas recentes da Bundesliga. O jovem tinha possibilidade de assinar com alguns clubes tradicionais, a exemplo de Arsenal e Liverpool. Contudo, sua alta pedida seguiu assustando. E o Crystal Palace se tornou capaz de cometer a loucura, a pagar um rendimento semanal equivalente ao de Aubameyang no Arsenal. Grande aposta, mas que pode se pagar com a leitura de jogo e os passes preciosos do alemão.

Bernardo (D, Brighton, €10 milhões)

Bernardo nunca foi titular absoluto do RB Leipzig, mas se tornou um jogador importante na rotação, durante a afirmação do clube na Bundesliga. O lateral com características defensivas é versátil e, além de atuar nos dois lados do campo, pode entrar como volante. Polivalência que acrescenta ao Brighton e justifica o investimento. Em um clube de pretensões menores na Inglaterra, o brasileiro pode ter mais espaço. Quem sabe, até para ascender como uma alternativa viável à Seleção, em um setor que sofre com as carências e pode se aproveitar de sua multiplicidade.

Alireza Jahanbakhsh (A, Brighton, €19 milhões)

Sempre é bom suspeitar daqueles que surgem como artilheiros do Campeonato Holandês. Jahanbakhsh, todavia, parece ser um caso diferente. O ponta de bom porte físico e projeção à área foge do estereótipo do centroavante grandalhão que ganha todas pelo alto – o Afonso Alves da vida. Por isso mesmo, parece correr riscos menores de não estourar. Foram 21 tentos (além de 12 assistências) ao iraniano defendendo a camisa do AZ. Não apareceu tanto na Copa do Mundo com sua seleção, o que torna o valor de sua transação mais factível, a partir daquilo que pode produzir aos 24 anos.

Jefferson Lerma (M, Bournemouth, €28 milhões)

Aqui, um caso no qual o valor da contratação excede bastante o valor de mercado do jogador. Mas, considerando a ascensão repentina de Lerma, dá para entender. O colombiano ajudou o Levante a conquistar o acesso no Espanhol e, no retorno à elite, jogou demais. É um meio-campista de muita potência física, que preenche a faixa central e oferece agressividade. Além disso, pode se adaptar em outras posições, como a lateral direita. Aparentemente, tem um estilo de jogo que se encaixaria à Premier League. Por isso mesmo, o Bournemouth realizou a transferência mais cara de sua história. Teria mercado em clubes médios de outras ligas.

Erik Durm (D, Huddersfield, sem custos)

A presença de David Wagner no banco do Huddersfield facilita o trânsito com jogadores alemães. E um belíssimo exemplo disso chega de graça. Quando estourou no Borussia Dortmund, Durm se prometia como um ótimo lateral à seleção. Não à toa, tem em sua casa a medalha de campeão do mundo, reserva na Copa de 2014. Entretanto, as seguidas lesões atrapalharam bastante a sua afirmação. Após ficar sem contrato, tenta o recomeço na Premier League, aos 26 anos. Possui boa técnica e pode jogar em ambos os lados do campo. Resta saber se conseguirá ter a tão almejada sequência.

Ken Sema (M, Watford, €2,25 milhões)

O Watford fez um mercado modesto, em comparação a outros clubes de seu patamar, sobretudo por ter perdido jogadores importantes nesta janela. Mas será interessante observar como se desenvolverá a aposta de Ken Sema. Aos mais atentos, o sueco de origem congolesa já havia se destacado na última temporada continental. Foi um dos motores do Östersunds em sua campanha surpreendente na Liga Europa. Dono de muita potência física, ocupa o lado esquerdo do campo e ajuda na construção das jogadas. O sucesso o levou às convocações da seleção sueca. Pelo preço, o jogador de 24 anos não representa grandes temores aos Hornets. E pode se pagar em breve. Olho também em Domingos Quina, destaque do Europeu Sub-19 que chega emprestado do West Ham.

 

Mohamed Elyounoussi (A, Southampton, €18 milhões)

O Southampton parece ter assumido sua condição como time que briga contra o rebaixamento. Depois de uma temporada frustrante no último ano, os Saints não fizeram loucuras para remontar o seu elenco. Parecem confiar em quem está, com reforços pontuais. E um deles é bastante interessante, trazido do Basel. Destaque da seleção norueguesa, Elyounoussi já vinha em alta no Molde, mas arrebentou mesmo durante as duas últimas temporadas em que atuou no futebol suíço. Inclusive, o ponta foi um dos responsáveis pela caminhada de sua equipe até os mata-matas da Champions passada. Resta saber o seu impacto no novo ambiente, com o peso de suplantar Dusan Tadic.

Sergio Rico (G, Fulham, empréstimo)

Aos 24 anos, Sergio Rico possui uma experiência invejável. São quatro temporadas com 20 jogos ou mais na meta do Sevilla pelo Campeonato Espanhol, além de um título da Liga Europa como titular e convocações à seleção espanhola. Entretanto, não vinha em forma tão boa e, com a contratação de Tomas Vaclik, preferiu deixar o Nervión, ao menos por empréstimo.Tentará recuperar sua sequência e, quem sabe, as convocações à seleção com a camisa do Fulham. Os Cottagers, aliás, trouxeram outro arqueiro: Fabri, destaque do Besiktas na última Champions, contratado por €6 milhões. Titular na reta final da Championship, ajudando na conquista do acesso, Marcus Bettinelli se lesionou e será desfalque neste reinício na Premier League.

Jean Michael Seri (M, Fulham, €30 milhões)

Prestes a ser contratado pelo Barcelona na temporada passada, Seri viu o negócio ruir porque o Paris Saint-Germain se meteu apenas para atrapalhar os blaugranas. O marfinense permaneceu no Nice e continuou simbolizando os bons desempenhos dos rubro-negros sob as ordens de Lucien Favre. De qualquer maneira, ficava claro que o meio-campista tinha mercado para mais. E agora se torna uma das bases do projeto do Fulham na primeira divisão, pronto para preencher a faixa central. Deverá formar uma parceria de respeito com André Zambo Anguissa, jovem destaque do Olympique de Marseille nos últimos meses, que também desembarca por €30 milhões.

Rui Patrício (G, Wolverhampton, sem custos)

Como um dos líderes do elenco do Sporting, Rui Patrício tomou à frente nas confusões que atravancaram o clube no final da temporada passada, com o ápice do terror ocorrido durante a invasão do CT pelos ultras. Diante disso, o goleiro puxou a barca para rescindir o seu contrato de maneira unilateral, alegando falta de condições de trabalho em Lisboa. E, por isso, desembarcou de graça na colônia portuguesa do Wolverhampton. Aos 30 anos, é um arqueiro um tanto quanto subestimado, mas que continua em boa forma, como se viu em algumas partidas decisivas na Copa do Mundo. Talvez terá a disputa pela titularidade, já que John Ruddy também é boa opção às traves dos Lobos.

João Moutinho (M, Wolverhampton, €5,6 milhões)

As conexões do Wolverhampton com Jorge Mendes abrem caminhos. E a chegada de João Moutinho é um exemplo disso. Aos 31 anos, o meio-campista já passou de seu esplendor físico, em declínio nos últimos meses. Contudo, após estrelar o Monaco em períodos importantes, pode ser uma peça útil dentro do grupo de Nuno Espírito Santo. Usado com moderação, deve contribuir com sua visão de jogo acima do comum e a capacidade para armar a equipe. Um nome valioso à afirmação dos Lobos no primeiro nível, também em sua primeira chance de atuar em uma grande liga.

Adama Traoré (A, Wolverhampton, €20 milhões)

Antiga promessa do Barcelona, Traoré arrebentava nos times de base, mas nunca teve muito espaço para deslanchar na equipe principal. Desta maneira, tentou fazer o seu nome na Inglaterra. E os primeiros anos com Aston Villa e Middlesbrough nem foram tão retumbantes assim. Entretanto, na última temporada o ponta estourou. Gastou a bola com o Boro, um dos melhores do campeonato, colecionando lances mágicos. Se vai ser o caso clássico de ‘One Season Wonder’ não dá para saber, mas o Wolverhampton resolveu gastar alto em sua contratação. Será importante contar com um jovem incisivo e veloz, que terá a grande chance de sua carreira, aos 22 anos.

Bobby Reid (M, Cardiff City, €11,35 milhões)

O Cardiff City foi bastante modesto em seu mercado, mesmo acabando de conquistar o acesso na Championship. Os galeses trouxeram apenas seis jogadores, quatro contratados em definitivo, e todos esses saindo de outros clubes da segunda divisão. Assim, o nome para se prestar mais atenção é Bobby Reid. O meia teve um desempenho estrondoso com o Bristol City no último ano, acumulando gols e anotando tentos importantes na campanha histórica na Copa da Liga Inglesa. Será a sua primeira oportunidade na Premier League, aos 25 anos.