As copas nacionais pela Europa podem não atrair o nível de interesse das ligas. Ainda assim, há taças sendo distribuídas e chances de grandes histórias serem contadas. E não quer dizer que estas competições são importantes apenas a médios e pequenos, já que diversos gigantes locais também buscam encerrar incômodos jejuns. Abaixo, selecionamos “20 clubes” (com algumas citações duplas, é verdade) que estão ao menos nas semifinais das copas de seus países nesta temporada. Contamos histórias de azarões que vêm de baixo ou de tradicionais sonhando com um pouco mais de glória. Priorizamos os melhores enredos e não consideramos times badalados com troféus recentes no torneio – caso do Sevilla contra o Barcelona na Copa do Rei, por exemplo. Vale mencionar que parte dos sorteios ainda ocorrerão, por isso nem todos os adversários são citados. Esta matéria segue a sequência de outra publicada na última semana, sobre “20 times para ficar de olho na reta final dos campeonatos ‘lado b’ da Europa”.

Tottenham ou Southampton

O Southampton é o grande azarão na semifinal da Copa da Inglaterra, contra três oponentes do “Top Six” da Premier League. De fato, seria uma grande história, por mais que os Saints tenham tirado outra maior nas quartas de final, eliminando o Wigan. Atualmente correndo o risco de rebaixamento à Championship, o Soton já conquistou a FA Cup em 1976, batendo o Manchester United na final. Contudo, não chegam à decisão desde 2003, quando o time de Gordon Strachan perdeu para o Arsenal. O próximo desafio é o Chelsea. Todavia, por mais que o Tottenham esteja no grupo dos “grandes”, não se pode negar a oportunidade que se configura em Wembley. Os Spurs não sabem o que é comemorar um título desde a Copa da Liga de 2008, buscando referendar o trabalho de Mauricio Pochettino. Além disso, seu passado glorioso na Copa da Inglaterra anda ainda mais adormecido. Os londrinos, que já foram os maiores campeões do torneio, não o faturam desde 1991. São oito taças entre 1901 e 1991 – esta última, em campanha histórica protagonizada por Paul Gascoigne e Gary Lineker, com classificação sobre o Arsenal na semifinal. Pior, o Tottenham sequer chegou à final nestes 26 anos. Para tanto, precisa passar pelo Manchester United.

Chambly x Les Herbiers

Já contamos aqui na Trivela a história, mas não custa relembrar. A Copa da França tem seu histórico de azarões. Desde 1995/96, são 11 times da terceira ou da quarta divisão que conseguiram alcançar ao menos as semifinais. Além disso, o vencedor do confronto desta temporada será o quinto finalista de níveis abaixo da segundona. Desta vez, Chambly e Les Herbiers se pegam para saber quem será (provavelmente) o oponente do PSG no Stade de France – os parisienses encaram o Caen na outra semifinal. Fundado em 1919, Les Herbiers chegou ao nível nacional da liga apenas neste século, crescendo passo a passo desde então. Atualmente, milita na terceira divisão. Igualmente na terceirona, o Chambly tem uma trajetória ainda mais singular. Desde a sua criação, em 1989, conquistou 11 acessos e nunca sofreu um rebaixamento sequer. A equipe chegou à terceira divisão pela primeira vez em 2014, em grande trabalho conduziu pela família Luzi, ex-jogadores que resolveram bancar sua própria equipe e se deram bem.

Eintracht Frankfurt ou Leverkusen

Bayern de Munique e Schalke 04 conquistaram a Copa da Alemanha nesta década, buscando mais um troféu à prateleira de seus museus. E, ainda que para os Azuis Reais haja um valor grande na Pokal, os outros estão ainda mais interessados. Adversário do clube de Gelsenkirchen, o Eintracht Frankfurt busca o título que não tem desde 1988, quando o húngaro Lajos Détári anotou o gol do título contra o Bochum. São quatro conquistas no torneio, mas já 30 anos de seca. Neste intervalo, ocorreram dois vices, inclusive o amargado na temporada passada, contra o Borussia Dortmund. Mantendo a consistência, as Águias podem sonhar. Já o outro finalista na seca é o Bayer Leverkusen. Os Aspirinas faturaram o troféu uma vez, lá em 1993, batendo o time B do Hertha Berlim na finalíssima. De qualquer maneira, era uma grande equipe dos rubro-negros, com Ulf Kirsten, Andreas Thom, Ioan Lupescu e Christian Wörns. Depois disso, foram dois vices, incluindo na temporada 2001/02, na qual o clube terminou com a famosa “Trivice Coroa” – segundo na Bundesliga e superado pelo Real Madrid na decisão da Champions. O problema será encarar o Bayern desta vez.

Malmö

Sim, o Malmö é o maior campeão sueco. Sim, o Malmö é também o maior campeão da Copa da Suécia. Mesmo amargando um jejum de quase 30 anos sem o título do torneio. O último triunfo dos alvicelestes aconteceu em 1989, com o histórico time, vejam só, treinado por Roy Hodgson. Nomes célebres como Jonas Thern, Martin Dahlin, Stefan Schwarz e Roger Ljung, todos com uma carreira respeitável na seleção sueca, eram apenas jovens promissores naquele momento. Desde então, o clube foi vice duas vezes e “afogou suas mágoas” dominando a liga nos últimos anos. Nesta temporada, o Malmö pegará na final o Djurgårdens, justo o oponente de 29 anos atrás.

Rapid Viena

Mais um gigante na seca. O Rapid Viena não é recordista da Copa da Áustria, mas já ergueu a taça 14 vezes. O problema é que o sucesso não se repete desde 1995. Na temporada passada, os vienenses até alcançaram a final, mas perderam para o Red Bull Salzburg, atual tetracampeão da competição. Longe de brigar pela Bundesliga ou mesmo pela vaga na Champions, seria um digno consolo aos alviverdes. O time está nas semifinais. Entre os sobreviventes, vale prestar atenção também no Mattersburg. Finalista da copa duas vezes na década passada, os nanicos buscam o feito inédito.

Górnik Zabrze

O Górnik Zabrze também se encaixa na categoria de gigante adormecido na copa nacional. Mas está distante de exibir o protagonismo do Malmö ou sequer se manter na briga pelas primeiras posições da liga, a exemplo do Rapid Viena. Os poloneses acabaram de voltar da segunda divisão nacional e, na elite, já brigam pela classificação às competições europeias. Na Copa da Polônia, por sua vez, sonham com o fim da seca que perdura há 46 anos. A última celebração aconteceu em 1972, contando com os míticos Wlodzimierz Lubański e Jerzy Gorgon no elenco. E não que tenha sido um episódio isolado, já que naquela temporada os tricolores consumaram uma sequência de cinco títulos no certame. Ainda são os únicos a registrarem tal façanha. Depois disso, foram vices três vezes em momentos distintos. Já na atual campanha, terão uma pedreira pela frente, pegando o Legia Varsóvia. Do outro lado, o Korona Kielce enfrenta o atual campeão Arka Gdynia e pode levar uma taça inédita.

Slavia Sofia

O Slavia Sofia tem a sua força, mas acaba se contentando em ser a terceira via da capital na Bulgária. Os sete títulos na copa e os sete na liga são insuficientes para competir com o poderio de CSKA e Levski. Além do mais, há um jejum que dura há 22 anos, desde que o time conquistou a dobradinha nacional. Sem sequer terminar nas três primeiras colocações do Campeonato Búlgaro neste século, a Avalanche Branca sonha com um lampejo na Copa da Bulgária de 2017/18. Vai encarar na semifinal o Botev Plovdiv, justamente o atual campeão, que quebrou um tabu de 36 anos na edição passada. Do outro lado da chave, CSKA e Levski se matam.

Universitatea Craiova

Há um longo debate sobre qual é a verdadeira Universitatea Craiova. Fato é que a CS Universitatea Craiova está mais próxima de honrar o legado copeiro do passado. Entre 1977 e 1991, os alviazuis conquistaram a Copa da Romênia cinco vezes. Na última delas, viram o histórico capitão Adrian Popescu levantar a taça. Contudo, em sua trajetória acidentada, os Estudantes sequer retornaram à final desde então. E, restabelecidos na elite do Campeonato Romeno, parecem prontos a retomar o protagonismo. Nas semifinais, pegarão o Botoșani, clube ascendente do país. E o cenário está aberto aos craiovanos, já que do outro lado da chave estão o Hermannstadt (clube recém-fundado, atualmente na segundona) e o Gaz Metan Medias, que não vai à decisão da copa desde 1951.

 

Akhisar Belediyespor

Quem espera os grandes clássicos na Turquia, deve se ligar na reta final da Türkiye Kupası. De um lado das semifinais, Fenerbahçe e Besiktas se digladiam. Além disso, o Galatasaray está vivo na outra chave. Mas há um intruso em meio ao trio de ferro. O Akhisar Belediyespor estreou na primeira divisão apenas em 2012, brigando pela parte de cima da tabela desde então. E na Copa da Turquia, sonha com a final inédita. Entre as armas do técnico Okan Buruk, estão os brasileiros Serginho (ex-Galo e Vasco) e Paulo Henrique (de bons momentos pelo Trabzonspor). O elenco internacionalizado também conta com Dany Nounkeu e Yevhen Seleznyov, entre outros. Na Süper Lig, atualmente os alviverdes ocupam a nona colocação, sem maiores pretensões.

Aberdeen

As maiores expectativas na Copa da Escócia, como sempre, estarão na Old Firm. O Rangers busca ao menos um motivo de orgulho contra o Celtic nas semifinais, sonhando também com o título que não conquista desde 2009. Já do outro lado, o Aberdeen pega o Motherwell. E os Dons merecem um título que sublinhe este seu momento, se estabelecendo como a segunda força escocesa. Já são 28 anos sem ganhar a copa, em tempos nos quais o ídolo Alex McLeish frequentava as suas fileiras. Na temporada passada, os alvirrubros ficaram no quase, perdendo a final para o Celtic. Vale lembrar, afinal, que o auge do Aberdeen dependeu da Copa da Escócia: campeão do torneio, o time treinado por Sir Alex Ferguson se classificou à Recopa Europeia e ergueu a taça continental, vencendo o Real Madrid na decisão.

Panionios

Se o Campeonato Grego é um marasmo, dominado pelo Olympiacos há sete anos e apenas nesta temporada vislumbrando uma novidade, a Copa da Grécia é bem mais aberta. Tanto que os alvirrubros sequer estão nesta reta final. De um lado, o AEK Atenas pega o Larissa, que não leva o troféu desde 2007. Dois clubes que se reergueram recentemente, após entrarem em concordata por problemas financeiros. Já do outro lado, o atual campeão PAOK encara o Panionios, clube mais antigo da Grécia – embora fundado em Esmirna, cidade hoje que faz parte da Turquia, o que culminou a mudança a Atenas após a Guerra Greco-Turca de 1919-22. Em termos de títulos, porém, o Orfeu não é tão grande como sua história pode sinalizar. Suas maiores alegrias são justamente na Copa da Grécia, que não fatura desde 1998. É um time que vem de desempenhos decentes na Super League, inclusive se classificando à Liga Europa na última temporada.

Caldas

Com o Benfica já eliminado na Taça de Portugal, é difícil imaginar que o título escapará de Sporting ou Porto, que se enfrentam em uma das semifinais. Já a outra oferecerá o azarão da final. Um passo à frente está o Deportivo das Aves, que regressou nesta temporada à primeira divisão e já registra sua melhor campanha na história da copa. Venceu o jogo de ida por 1 a 0, inclusive. O grande personagem, de qualquer maneira, é  Caldas, que superou uma série de confrontos contra adversários das divisões de acesso para ficar entre os quatro melhores. O clube da terceira divisão foi fundado em 1916 e chegou a disputar a elite do Campeonato Português na década de 1950. Agora, faz a partida do século diante de sua torcida em Caldas da Rainha, cidade de 50 mil habitantes na região central do país. Repare bem na foto que abre o texto. Impossível não simpatizar.

 

Hapoel Ra’anana

Entre os semifinalistas em Israel, Kiryat Shmona e Beitar Jerusalem conquistaram o título nos últimos anos. Hapoel Haifa, que faz uma boa campanha também no Campeonato Israelense, busca seu quarto título na copa, o primeiro desde 1974. Mas as atenções vão mesmo ao Hapoel Ra’anana, clube da cidade homônima de 70 mil habitantes. Figurante na primeira divisão ao longo desta década, busca a sua primeira final na Copa de Israel. E seu elenco tem um cara experiente neste tipo de competição, que pode agregar: o zambiano Emmanuel Mayuka. O ponta foi uma das revelações na conquista da Copa Africana de Nações em 2012, gastando a bola. Rodou por Southampton, Sochaux, Metz e Zamalek sem se firmar. Agora, quer uma nova guinada.

Mačva Šabac

O Estrela Vermelha se despediu da Copa da Sérvia ainda nas quartas de final. Feito protagonizado pelo Mačva Šabac, que segurou o placar zerado e venceu a potência local nos pênaltis. É um prêmio à história do clube de 99 anos alcançar as semifinais. Na década de 1920, aliás, os rubro-negros ganharam um apelido curioso: o Uruguai Provinciano, em referência ao seu estilo de jogo, semelhante ao da Celeste bicampeã olímpica. É um time que zanzou pelas divisões de acesso durante quase toda a sua história, com aparições esporádicas na elite durante as décadas de 1930 e 1950. Já na temporada passada, aconteceu o retorno à primeira, que se combina agora ao sucesso na Copa da Sérvia. O presidente do clube, aliás, é uma figurinha carimbada: Ivica Kralj, goleiro da seleção iugoslava na Copa de 1998. Entre os possíveis adversários nas semifinais, está o Partizan, algoz do Macva na histórica campanha também até as semifinais em 1988/89. Mladost Lučani e Čukarički são os outros concorrentes.

Shinnik ou Avangard

A Copa da Rússia anda um tanto quanto atípica nesta temporada. É raríssimo aparecer uma zebra entre os campeões, embora uma ou outra até pinte na final. Desta vez, porém, o Spartak Moscou é a única potência capaz de sobreviver, ainda aguardando seu jogo nas quartas de final contra o Krylia Sovetov. Além disso, há o Tosno, candidato ao rebaixamento na liga, que derrubou o Luch-Energiya Vladivostok; e dois representantes da segundona. O Shinnik Yaroslavl vem de uma cidade mais famosa pelo hóquei. Até possui algumas participações na elite do Campeonato Russo, na qual não figura desde 2008. Tenta uma final inédita de copa. Já o Avangard Kursk possui um histórico ainda mais modesto, sem nunca ter pintado na elite. Passou a maior parte de sua trajetória na terceira divisão, com raras aparições na segunda. Agora, tenta um passo além.

SC Dnipro

A derrocada do FC Dnipro, com sérios problemas financeiros, abriu um vácuo na cidade. O clube teve dificuldades a se restabelecer, mas disputa a terceira divisão nesta temporada, apenas como coadjuvante. Quem se aproveitou foi o SC Dnipro, fundado em março de 2017 por um grupo que inclui o jogador Roman Zozulya, expulso do Rayo Vallecano por uma alegada simpatia ao neonazismo e atualmente no Albacete; e Yuriy Bereza, militar ucraniano que se alçou à política após a guerra civil no país, ligado a movimentos ultranacionalistas e de extrema direita. Apesar das inclinações questionáveis, em campo o SC corresponde. Além de líder de seu grupo regional na terceirona, pegará o Dynamo Kiev nas semifinais da Copa da Ucrânia. Na outra chave, o Shakhtar encara o Mariupol, que vem bem na elite e busca a final inédita.

Eschen Mauren

À primeira vista, não há nada de especial com o Eschen Mauren na semifinal da Copa de Lichtenstein. O clube que milita na quarta divisão suíça conquistou o título pela última vez em 2012 e esteve na final passada. Inclusive, terá a chance de revanche contra o Vaduz, grande “potência” local. Mas a surpresa aumenta consideravelmente quando se nota que o time C do Eschen Mauren, participante da nona divisão suíça, também está nas semifinais. Pegará o Balzers. O time B caiu nas quartas, goleado pelo Vaduz por 9 a 0. Caso qualquer um dos dois levante o troféu, seria o sexto título dos tricolores no torneio. A copa é a única garantia aos clubes de Liechtenstein rumo às competições europeias – já que o principado não possui sua liga nacional, totalmente integrado à pirâmide do Campeonato Suíço.

Young Boys

Falamos do Young Boys na semana passada. Os aurinegros são líderes absolutos do Campeonato Suíço, em vias de quebrar um jejum que perdura desde 1986. E o melhor é que ainda podem levar a dobradinha, em seca parecida. O último triunfo na Copa da Suíça aconteceu em 1987, derrotando o Servette. Desde então, nada de festa, com dois vices na década passada. Classificado à final, após eliminar o Basel na etapa anterior, o clube de Berna encara o Zürich, campeão do torneio pela última vez em 2016. Para ajudar, a final acontece em casa, no Estádio Wankdorf.

Spartak Trnava

Mais um time abordado na última semana, mais um time capaz de quebrar uma longa espera na liga nacional, mais um time vislumbrando também a dobradinha. Dominante no Campeonato Eslovaco, o Spartak Trnava avançou às semifinais da Copa da Eslováquia. É um título que, ao menos, já conseguiu desde a separação da Tchecoslováquia – o que não acontece na liga. Ainda assim, se passaram 20 anos desde a última conquista, em 1998, batendo o Kosice na final. O rival Slovan Bratislava pode ser uma pedra no caminho nesta reta derradeira de competição.

Milan

A Copa da Itália será lembrada como um grande título ao Milan? Não, e com um nível de importância inferior à maioria absoluta dos clubes citados nesta lista, mesmo que alguns sejam hegemônicos em seus países. Mas para quem anda em tempos modestos, o triunfo sobre a Juventus pode ser uma bela alegria, que ainda referendará o trabalho de Gennaro Gattuso à frente dos rossoneri. A última vez que a equipe ergueu a taça foi em 2003, batendo a Roma na final. Serginho, Ambrosini e Shevchenko anotaram os gols naquela inapelável decisão, em temporada marcada ainda pela conquista da Liga dos Campeões. Desde então, houve apenas o vice em 2016. Curiosamente, o Milan não é muito ligado ao torneio: são apenas cinco conquistas, quatro delas entre 1967 e 1977. Tem menos títulos que outros cinco clubes do país.