O dia 24 de junho é marcante para o Brasil em Copas e destacamos dois aspectos. Uma lembrança é muito feliz: foi o dia que a Seleção enfrentou, e venceu, a França na semifinal da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Depois de 32 anos, na Copa de 1990, o Brasil sofreu uma derrota doída: caiu nas oitavas de final diante da arquirrival argentina, no seu melhor jogo na Copa.

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Tripleta de Pelé

A Copa de 1958 corria com o Brasil tendo vencido Gales, por 1 a 0, cinco dias antes daquela semifinal. Em Solna, o Brasil enfrentava a França, dona de um dos maiores ataques do mundo naquele momento. Era o time de Just Fontaine, que terminaria o torneio como artilheiro com 13 gols. Este é um raro encontro do Brasil com a França que acaba positivamente para o Brasil.

O Brasil abriu o placar logo a dois minutos com Vavá, que dominou no peito e estufou a rede. Just Fontaine empatou o jogo aos nove minutos em uma jogada veloz, que recebeu nas costas da zaga, driblou o goleiro brasileiro e mandou para a rede. Didi acertou a sua famosa folha seca, no ângulo, aos 39 minutos.

No segundo tempo, Pelé ampliou o placar para 3 a 1 aos sete minutos. O próprio Pelé ampliou para 4 a 1 aos 19 minutos e fechou a sua conta pessoal aos 30 minutos. Roger Piantoni descontou para a França já aos 38 minutos. Tr6es gols de Pelé. Nenhum outro dia de Copa do Mundo veria isso de novo, o que torna o 24 de junho muito especial.

A primeira Copa de Pelé, a mais marcante em diversos aspectos. O craque da camisa 10, eternizada no Brasil, e em boa parte do mundo, teria um dia para chamar de um hat trick, como ingleses chamam, ou tripleta, como nós também gostamos de chamar. Um dia marcante que seria um dos muitos que o Rei brilhou – ainda brilharia na final da Copa do Mundo, no dia 29.


Em 1990, a eliminação no melhor jogo do Brasil

Diego Maradona comemora vitória da Argentina sobre o Brasil na Copa 1990 (Foto: Getty Images)

A Copa do Mundo de 1990 é frequentemente descrita como uma Copa das defesas, ou dos líberos, com a proliferação desse estilo de linha de três defensiva. O Brasil, inclusive, jogou dessa forma. E olha que o elenco brasileiro era bastante farto em talento defensivo: os três zagueiros eram Ricardo Rocha, Mauro Galvão e Ricardo Gomes, o capitão do time. Três jogadores de alta classe.

O Brasil se classificou naquela Copa com três vitórias em três jogos. Curiosamente, o time não jogou realmente bem em nenhum deles, mas conseguiu vencer Suécia, Costa Rica e Escócia. A Argentina vinha de uma fase de grupos sofrível. Perdeu de Camarões, venceu a União Soviética e empatou com a Romênia. Terminou em terceiro lugar, atrás de Camarões e Romênia. Caiu no caminho do Brasil nas oitavas de final.

Os dois times chegaram em situações basicamente opostas em termos de desempenho e o que se viu em campo confirmou isso. O jogo no antigo estádio Delle Alpi, em Turim, teve o Brasil no seu melhor jogo da Copa. Criou chances de gols, acertou a trave e poderia ter feito mais de um, talvez até dois ou mesmo três gols. Não fez nenhum. Aos 35 minutos do segundo tempo, Diego Maradona, ao seu estilo, carregou a bola, passou pela marcação e tocou para Caniggia, que finalizou e venceu Taffarel: 1 a 0.

No final do jogo, Ricardo Gomes ainda deu um carrinho, por trás, aos 40 minutos do segundo tempo. No final do jogo, Muller ainda teve uma grande chance, mas desperdiçou. No fim, o Brasil acabou eliminado da Copa no seu melhor jogo. O único que não venceu. A Argentina, então, foi até a final e acabou derrotada pela Alemanha.