Poucas posições representam uma preocupação maior à seleção brasileira do que a lateral direita. A carência no setor ficou evidente na Copa do Mundo, quando Daniel Alves se lesionou e os substitutos não pareciam preparados o suficiente. Enquanto Danilo enfrentou diferentes problemas durante o torneio, Fágner até conseguiu segurar a bronca. Para os primeiros amistosos depois do Mundial, o corintiano foi mantido, com o acréscimo de Fabinho – mesmo que este não atue na função há três temporadas. Já neste final de semana, a lesão de Fágner na rodada do Brasileirão abre o caminho a um novato. Éder Militão ganha a chance, após despontar com o São Paulo e se transferir ao Porto nesta janela.

Militão chegou a ter uma passagem curta pela seleção sub-17, mas nada que possa ser credenciado dentro de seu processo de transição. Destaque nas categorias de base do São Paulo, o primeiro semestre com o clube fez a diferença, depois de ganhar espaço a partir do último Campeonato Brasileiro. E a ótima campanha do clube no primeiro turno da Série A 2018 o impulsionou. Segundo a nota publicada pela CBF, a comissão técnica levou em conta o que o lateral produziu com a camisa tricolor.

No Porto, afinal, Militão mal teve tempo para mostrar serviço. Depois de ficar no banco pela primeira vez contra o Vitória de Guimarães na rodada anterior do Campeonato Português, sua estreia aconteceu neste domingo, na vitória por 3 a 0 sobre o Moreirense. Titular, o lateral ainda deu sua contribuição à vitória: o primeiro gol saiu em um cruzamento que ele desviou de cabeça, para Héctor Herrera concluir. Vincent Aboubakar e Moussa Marega ampliaram a contagem aos portistas. O ex-tricolor tende a ser titular do clube, ainda mais depois da saída de Ricardo Pereira ao Leicester.

Olhando às opções, Militão ainda se torna uma alternativa compreensível de Tite. Entre os jogadores que atuam no exterior, além dos medalhões, o nome mais promissor provavelmente é o de William. O ex-colorado está em sua segunda temporada com o Wolfsburg e tem sido titular no bom início do clube na Bundesliga, mas parece cedo demais a referendá-lo. Outro é Rafael, ganhando sequência no Lyon, por mais que o bonde já tenha passado ao antigo pupilo de Sir Alex Ferguson. No Brasil, Marcos Rocha é o líder da Bola de Prata e teve outras oportunidades anteriormente. De qualquer maneira, a escassez é significativa, tendo em vista o que ocorre em outros setores – como o próprio lado esquerdo.

Algo a se ressaltar na convocação de Militão é que, ao menos dessa vez, o momento realmente valeu para uma chance imediata. Há uma certa empáfia que ronda as convocações, em que uma sequência curta de jogos muito bons não costuma ser suficiente para romper a “hierarquia” com a amarelinha – Malcom, David Neres ou ainda outros que o digam. Desta vez, não fizeram questão de alongar o namoro com Militão e recompensaram o garoto. Demonstra a necessidade no setor, mas oferece uma oportunidade a quem pode se firmar como uma opção interessante para os próximos anos. Vale a observação.