Colaborou Rodrigo Salvador

Qual é o número ideal de clubes rebaixados no Campeonato Brasileiro? Este é um tema de debate constante (ao menos no podcast da Trivela) e os dados mostram que há pano para manga aí. Nenhum time que subiu em quarto lugar na Série B durou mais que três temporadas na Série A antes de ser novamente rebaixado. Por outro lado, só uma vez um time que caiu em 17º não voltou em no máximo dois anos. São alguns dados interessantes que mostram a gangorra do Brasileirão.

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Os dados levantados de 2007 até 2015 mostram que subir na última das quatro vagas da Série B costuma não ser bom sinal. E isso tem pouco a ver com mística ou superstição. Quem sobe na quarta posição normalmente é quem mais sofre na Série A. Em média, um time que sobe na quarta posição demora 2,13 anos para cair. Nenhum dos que subiu em quarto durou mais de três anos na Série A. Inevitavelmente acabou rebaixado dentro desse período.

A pior média dos que sobem, curiosamente, é dos times que conseguem o acesso em segundo lugar: demoram só 1,67 ano para voltar à Série B. Só duas vezes os times que subiram nesta posição não caíram mais: a Chapecoense, em 2013; e a Ponte Preta, em 2014. No mais, os times caíram novamente à Série B em até dois anos.

Já o time que sobe em terceiro lugar demora, em média, 2,6 anos para ser rebaixado novamente. Três times que subiram nesta posição não caíram mais: o Atlético Paranaense, em 2012; o Sport, em 2013; e o Vitória, em 2015 (sobreviveu à queda em 2016). Dos que subiram nessa posição e acabaram rebaixados depois, quem mais durou foi o Bahia: subiu em 2010, caiu em 2014. Duas vezes o time que subiu nessa posição caiu no ano seguinte: a Portuguesa em 2007 e a o Vasco em 2014.

Quem sobe como campeão, porém, demora em média três anos para cair novamente. Quatro dos times que subiram como campeões não caíram mais no período: Corinthians em 2008; Coritiba em 2010; Palmeiras em 2013; Botafogo em 2015. Os times que sobem da Série B como campeões normalmente têm uma vida mais longa na Série A. Dos nove que subiram, quatro não caíram mais. Só uma vez o time que subiu como campeão caiu no ano seguinte. O Joinville conquistou o título da segunda divisão em 2014, mas caiu como lanterna em 2015.

Rebaixados
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E os rebaixados?

Não por acaso, o time que cai como 17º colocado também costuma subir rapidamente. De todos os que caíram nesta posição desde 2007, só uma vez o time não subiu: a Portuguesa, que caiu em 2013 (naquele ano que perdeu pontos por escalação irregular de um jogador) e não voltou mais. No mais, todos os times que caíram em 17º subiram, se não no ano seguinte, em até dois anos. Seis deles subiram no primeiro ano na Série B; outros dois subiram em dois anos; e, como dito, um deles não subiu.

Dos que caem em 18º, quatro não subiram mais à Série A: Juventude em 2007; Santo André em 2009; Guarani em 2010; Ceará em 2011. Quatro deles subiram no primeiro ano de Série B: Vasco 2008; Palmeiras 2012; Vasco 2013; Vasco 2015. O Bahia, rebaixado em 2014, levou dois anos para voltar à primeira divisão. Em média, o clube demora 1,5 ano para voltar.

O 19º colocado normalmente já demora mais para voltar. Em média, 2,83 ano. Dois dos times que caíram nesta posição de 2007 a 2015 não voltaram à Série A: Paraná em 2007; Goiás em 2015. Dois clubes que caíram nessa posição voltaram no ano seguinte: Ponte Preta em 2013; Botafogo em 2014. Dois clubes demoraram quatro anos para voltar depois de caírem em 19º: América Mineiro 2011; Atlético Goianiense 2012. Um time demorou três anos para voltar: a Portuguesa em 2008.

Já os rebaixados em 20º lugar são os clubes que normalmente demoram mais para subir. Em média, os rebaixados em último lugar na Série A levam três anos para voltar. De 2007 a 2015, seis clubes que caíram nessa posição não conseguiram mais voltar: América de Natal 2007; Ipatinga 2008; Barueri 2010; Náutico 2013; Criciúma 2014; Joinville 2015. Apenas uma vez o lanterna da Série A voltou imediatamente no ano seguinte: o Figueirense, rebaixado em 2012, subiu em 2013, em quarto lugar (e durou outros três anos até cair novamente, em 2016).

Com estes dados, dá para concluir que a quarta posição de rebaixamento, 17º Série A, e o último dos que sobem, 4º da Série B, normalmente voltam de onde vieram rapidamente. Por isso, há quem questione se o número de rebaixados e promovidos não deveria mudar. Na maior parte das grandes ligas do mundo com 20 times, como Espanha, Inglaterra e Itália, são três times rebaixados e promovidos da segunda divisão. A Alemanha tem 18 clubes e também usa o sistema com três rebaixados e promovidos.

Por outro lado, os quatro rebaixados no Campeonato Brasileiro – e os quatro promovidos da Série B – promovem uma constante atratividade. Afinal, mais times disputam posições, seja no rebaixamento, seja na promoção. Como Leandro Iamin sempre diz no podcast da Trivela, ter quatro rebaixados significa que 20% dos clubes caem. Não é pouca coisa.

Na Alemanha há um sistema de rebaixamento e promoção que chama a atenção de muita gente. Dos 18 times, o 18º e o 17º caem direto. O 16º disputa um playoff do rebaixamento com o terceiro colocado da segunda divisão, em dois jogos, ida e volta. Uma mata-mata clássico para definir quem fica com a vaga na primeira divisão. Foi assim que o Hamburgo se salvou recentemente, assim como o Wolfsburg nesta temporada. Seria uma alternativa no Brasil? É de se pensar.

Veja os dados dos rebaixados e promovidos:

Promovidos
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