Em meio a uma semana transbordante no futebol brasileiro, a notícia recebeu menos atenção do que deveria. Mas merece ser ressaltada, pelas mudanças que carrega consigo. Na última terça, representantes dos 20 clubes da Série B se reuniram na sede da CBF para a realização do Conselho Técnico da competição. Promoveram algumas alterações no regulamento. O mais importante, naquilo que concerne ao planejamento geral das equipes, se concentra sobre o novo modelo de divisão de cotas dos direitos de transmissão.

Com exceção de Internacional e Goiás, que possuem contratos anteriores ainda vigentes, os 18 clubes participantes da segundona receberão 60% do valor dividido de forma igualitária e os 40% restantes de acordo com a classificação no último campeonato. A proposta de divisão mais “meritocrática” segue o exemplo de outros campeonatos ao redor do mundo. No entanto, inova em relação àquilo que estamos acostumados no Brasil, especialmente após o último entrave referente aos clubes da Série A.

Durante as últimas temporadas, todas as equipes que disputaram a Série B e não tinham contrato prévio com a Globo recebiam o mesmo montante. Em 2016, a divisão igualitária confiou R$5,2 milhões a cada um dos participantes. Desta vez, há um escalonamento, a começar por Figueirense, Santa Cruz e América Mineiro. O trio de rebaixados, aliás, coordenou a mudança na distribuição. Após embolsarem R$23 milhões na Série A de 2016, agora receberão entre R$6,4 e 6 milhões na segundona. A escala se segue até os recém-ascendidos da Série C, que pegarão R$4,1 milhões cada. Foram da tabela, o Inter ganha R$60 milhões e o Goiás, R$35 milhões.

O modo como a nova distribuição foi implementada, entretanto, gerou controvérsia. Dos 18 clubes votantes, apenas sete foram favoráveis. Só que aqueles com melhor colocação possuem peso maior em seus votos. Justamente os que ganharão mais. Por ser uma decisão que legisla em causa própria, talvez o ideal fosse sua aplicação a partir de 2018, com critérios que independessem da campanha anterior. Mas não foi isso o que aconteceu. Uma discussão mais aprofundada, analisando as diferenças quanto a quem vem da Série C e também integrada com aqueles que tem contrato com a Série A, deveria ter sido feita.

De qualquer maneira, há um novo caminho. Obviamente, existem outros tantos debates sobre a distribuição das cotas de TV, que precisam deixar um pouco de lado a defesa irrestrita dos próprios direitos para pensar um pouco mais no coletivo. Mas, ainda que esta última alteração acabe fatalmente beneficiando quem a defendeu, não dá para dizer que ela é totalmente ruim. Afinal, privilegia o trabalho dentro do próprio campeonato e dá uma motivação a mais para buscar melhores posições, mesmo que o time esteja distante do G-4. Só não precisa ser realizada a toque de caixa, como aconteceu.