Suprir a ausência de Alisson, após a enorme temporada que o goleiro fez em 2017/18, representa um dos principais desafios à Roma nos próximos meses. Ainda assim, considerando o dinheiro pago pelo Liverpool, não foi das perdas mais dolorosas aos romanistas. Muito mais difícil seria suprir a lacuna deixada por Radja Nainggolan, por tudo o que o belga oferecia à equipe, depois de se mudar à Internazionale. No entanto, o clube anunciou nesta terça um reforço que tende a atenuar as lamentações. Steven N’Zonzi chega para tomar conta da faixa central dos giallorossi, assinando contrato pelas próximas quatro temporadas. Os italianos desembolsaram €26,65 milhões para tirá-lo do Sevilla.

A compra de N’Zonzi soa como mais um dos acordos bem amarrados por Monchi, que trabalhou com o jogador na Andaluzia. Mesmo depois de conquistar o título mundial com a seleção francesa, o meio-campista chega por um valor de mercado abaixo dos €30 milhões nos quais é avaliado. Não teve muitos minutos em campo com os Bleus na Rússia, é verdade, mas se tornou fundamental para acertar o time no segundo tempo da decisão contra a Croácia. Só isso deveria ser o suficiente para alavancar o seu preço. Sai por uma quantia factível, e que ainda parece compensar os romanistas após o adeus de Nainggolan. São €12 milhões a menos em um atleta um ano mais jovem.

Obviamente, N’Zonzi não oferecerá aquilo que se via com Nainggolan no Estádio Olímpico. Apesar de atuar no mesmo setor do campo, o francês possui características bastantes distintas em relação ao ‘Ninja’. Além de toda a sua energia na marcação, o belga possuía como um de seus principais trunfos as chegadas nos arredores da área. O técnico Eusébio Di Francesco certamente não espera isso do novo reforço, que joga mais recuado. Em compensação, ganha um volante de enorme presença física, com boa saída de bola e potencial pelo alto. Se a equipe perde capacidade ofensiva por um lado, ganha um atleta que pode muito bem aumentar a segurança da defesa. Basta lembrar os estragos que a exposição em excesso causou na temporada passada.

N’Zonzi vem de três temporadas muito boas com o Sevilla. Após despontar em coadjuvantes da Premier League, incorporou qualidade aos tricampeões da Liga Europa e se tornou uma peça essencial nas campanhas de equipe ao longo desse período. Sua contribuição maior aconteceu nos desarmes e nas interceptações, embora tenha funcionado bem dentro do estilo de jogo de passes dos rojiblancos, com precisão na distribuição a partir da cabeça de área. Tende a ser sua função na Roma, aumentando a consistência no meio-campo. Mais alternativas para que Di Francesco pense seu time e consiga ser mais competitivo nas diferentes competições.

Vale lembrar que, apesar do peso de N’Zonzi como principal novidade ao meio, a Roma reforçou muito bem o setor. Bryan Cristante chega inicialmente por empréstimo da Atalanta. O meio-campista de 23 anos tende a ser o responsável por dar mais vigor nas ligações ao ataque, com qualidade nos dribles e nas finalizações. Já na armação, outra peça que dá uma dinâmica diferente aos giallorossi é Javier Pastore, que poderá recuperar um pouco do moral que desfrutou na Serie A quando defendia o Palermo. Por fim, há as apostas nos jovens Nicolò Zaniolo e Ante Coric, que precisam ganhar rodagem, mas custaram juntos €10,5 milhões. Nenhum dos cinco citados é ainda Nainggolan, mas as perspectivas no clube são positivas.

A Roma, além do mais, conta com os demais meio-campistas que permaneceram no elenco: Daniele De Rossi, Kevin Strootman, Maxime Gonalons e Lorenzo Pellegrini. Apesar do declínio físico, os dois primeiros ainda ajudam bastante pela qualidade técnica. Já Pellegrini é um talento para se afirmar cada vez mais. Oferecem opções que influenciam na montagem de todo o time e dão mais variações aos giallorossi. Por tudo isso, é possível para esperar uma regularidade maior na Serie A que começa. Considerando ainda outras adições, em especial Justin Kluivert e Robin Olsen, a impressão é a de que os romanistas subiram um degrau. Algo que agora precisará se provar em campo.