O sábado já tinha sido péssimo aos clubes cariocas. O Botafogo dificilmente ganharia do Grêmio, mas ficou pior com a goleada por 4 a 0. O Vasco, por sua vez, nem jogando em casa conseguiu evitar a derrota para o Santos – com o agravante de ter sofrido três gols de Gabriel Barbosa. O Flamengo, com pretensões bem maiores que os rivais, parecia pronto a limpar a barra. Isso até o confronto com o Ceará, na ensolarada manhã no Maracanã, começar. Os mais de 61 mil presentes nas arquibancadas viram uma equipe que se enrosca em suas próprias debilidades e vê o rendimento cair desde o retorno da pausa à Copa do Mundo. Por fim, nos minutos finais, o golpe fatal: o gol de Leandro Carvalho, que determinou a vitória do Vozão por 1 a 0 e dá contornos de crise aos rubro-negros.

O Flamengo esboçou a vitória durante o início da partida. Os primeiros 20 minutos, sobretudo, viram uma equipe insistente e disposta a resolver o duelo o quanto antes, embora as jogadas se limitassem a bolas paradas e chutes de longe. Ainda assim, as chances iam aparecendo. O goleiro Éverson realizou ao menos três boas defesas. O travessão também salvou o Ceará, em escanteio fechado cobrado por Diego. Houve ainda um gol anulado de Diego, por impedimento, embora o meia parecesse em condição legal. A chave em um jogo de futebol, porém, está em saber lidar com os momentos e encarar as adversidades da partida. O que faltou aos rubro-negros. O time logo diminuiria o seu ritmo e levaria vários sustos antes do intervalo, com os contragolpes do Ceará e as saídas providenciais de Diego Alves. Em sua verticalidade, o Vozão poderia ter aprontado desde o primeiro tempo.

À medida que os minutos passavam, o Flamengo exibiu muitos entraves. A equipe se acomodou com a posse de bola e, mais uma vez, encontrou dificuldades na criação. O domínio estéril resultava em muitos cruzamentos a Henrique Dourado, sem resultado. A improdutividade se somava à atuação desencontrada de seus principais jogadores, especialmente na letargia para concluir as jogadas. E, novamente, Maurício Barbieri fez escolhas duvidosas, especialmente na demora para mudar o time no segundo tempo – atrapalhado também por participações ruins, sobretudo de Vitinho. Isso tudo se refletiu na irritação da torcida, que vaiou a equipe e pegou no pé de Lucas Paquetá, em fase ruim após o ótimo início no Brasileirão. O calor das arquibancadas, que muitas vezes pode ajudar os rubro-negros, desta vez parecia fazer o time se perder – sem que este se ajudasse, fator primordial ao tropeço. Como punição final, o gol do Ceará saiu aos 54 do segundo tempo.

Se o Flamengo olha para baixo, o Ceará protagoniza uma reação marcante desde que Lisca assumiu o comando da equipe, mesmo com algumas oscilações desde então. E, obviamente, o excelente resultado não é feito apenas pelos deméritos de um lado. O Vozão merece elogios pela maneira como se segurou muito bem na defesa, contendo um adversário que possuía mais posse de bola, além de ter aproveitado bem as oportunidades quando pôde contra-atacar, levando perigo. A abnegação para se proteger no segundo tempo acabou premiada. O gol saiu de uma maneira um tanto quanto ocasional, no chute de Leandro Carvalho que quicou no morrinho artilheiro e saiu do alcance Diego Alves. De qualquer forma, dentro das circunstâncias, os cearenses se superaram.

A tabela mostra dois extremos. O Ceará fica a quatro pontos de sair da zona de rebaixamento, algo inimaginável pelo começo tumultuado de campeonato, acumulando tropeços. Ainda há um caminho a se percorrer, mas a luz no fim do túnel já se torna um tanto quanto brilhante. O Flamengo, por sua vez, empaca na terceira colocação, não apenas podendo se distanciar de São Paulo e Internacional, como também vendo os times abaixo na tabela se aproximando. O momento não é bom e, apesar da atuação razoável contra o Cruzeiro na despedida da Libertadores, a cobrança aumenta sobre o desempenho no Brasileirão. Sem que o time apresente muitas alternativas ao seu jogo, a posição de Barbieri é cada vez mais frágil. Se há jogos que mudam a história do campeonato, esta manhã no Maracanã pode ter um peso enorme tanto à parte de cima quanto à parte de baixo do Brasileirão.