Depois das pequenas insurgências do começo da semana, era inevitável que o negócio fosse concluído com rapidez. Thibaut Courtois, que deveria se reapresentar ao Chelsea na segunda-feira, mas não apareceu, foi confirmado como o novo goleiro do Real Madrid. E Mateo Kovacic, que segundo o jornal AS também esboçou entrar em greve, passará a próxima temporada emprestado aos Blues de Londres.

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O Chelsea estava em uma posição frágil na negociação, tanto que recebe apenas £ 35 milhões. O contrato que prendia Courtois a Stamford Bridge terminaria daqui a um ano. O goleiro belga não parecia inclinado a renová-lo e sempre afirmou que gostaria de voltar a morar em Madri, onde defendeu o Atlético e onde sua família mora. O clube inglês tentou resistir, mas, uma vez que Courtois desapareceu, ficou claro que era uma briga perdida.

Com a janela de transferências da Inglaterra fechando na próxima quinta-feira, a situação precisava ser resolvida rapidamente para que o Chelsea pudesse buscar uma reposição. Foram especulados nomes que pareciam temporários, como Jack Butland ou Kasper Schmeichel, mas o clube decidiu que, se era para investir em um novo goleiro, o melhor seria fazer isso a longo prazo.

Alisson foi deposto como o goleiro mais caro da história. O escolhido pelo Chelsea foi Kepa Arrizabalaga, jogador de 23 anos do Athletic Bilbao. Como contrata apenas bascos ou descendentes, o clube espanhol é muito duro na queda em qualquer negociação. Geralmente, exige que a cláusula de rescisão seja paga. No caso de Arrizabalaga, esse valor é de £ 71 milhões, superando as £ 67 milhões que o Liverpool pagou pelo brasileiro.

O Athletic  já anunciou que Arrizabalaga depositou a grana da rescisão. O goleiro chegou a Londres nesta quarta-feira para fazer exames médicos e foi anunciado. Ainda jovem, tem qualidade e potencial para se desenvolver. E, além disso, joga bem com os pés, o que é essencial para o estilo de jogo de Maurizio Sarri. “Eu vi Kepa um ano atrás quando estava no Napoli e minha primeira impressão é de que era um ótimo goleiro”, elogiou o treinador do Chelsea.

Enfim está encerrada a novela do novo goleiro do Real Madrid. Desde a saída de Iker Casillas, em 2015, foram constantes as especulações de que o gigante espanhol buscava um goleiro melhor que Keylor Navas para ser o dono da posição, apesar de o costarriquenho ter segurado a barra muito bem em três títulos europeus. Em 2015, Navas chegou ao portão de embarque para ser trocado por David de Gea, mas não deu tempo de selar o negócio com o Manchester United antes do fechamento da janela.

Courtois é acima de qualquer suspeita e, aos 26 anos, deve dominar a primeira camisa do Real Madrid por muito tempo. Isso deixa Navas em uma situação complicada. Ele é bom demais para ser apenas reserva, principalmente porque o clube espanhol contratou o ucraniano Andriy Lunin, de 19 anos, e pretende prepará-lo para o futuro. Os dois precisam jogar e não há partidas para todo mundo. E ainda há Kiko Casilla no elenco merengue.

Precisar jogar e não encontrar oportunidade é uma situação familiar para Mateo Kovacic. Desde que chegou da Internazionale, em 2015, sempre foi mais um reserva de luxo do que um regular do Real Madrid. Tem 109 partidas em três temporadas, média de 36 por ano, e somente 55 delas foram como titular. Aos 24 anos, precisa de mais minutos em campo para se desenvolver e, por isso, bateu o pé para ser negociado.

O Real Madrid encontrou uma boa solução com o empréstimo sem opção de compra. Em transição, com uma reformulação no horizonte e com Luka Modric também manifestando o desejo por novos ares, seria um risco muito grande abrir mão de um jogador promissor como Kovacic. Ao mesmo tempo, Julian Lopetegui não poderia garantir que ele seria titular na maioria dos jogos. A bola agora está na quadra do Chelsea. Daqui a um ano, o os espanhóis podem avaliar novamente se Kovacic merece mais espaço, e também se há mais espaço para ele, ou se o melhor é negociá-lo em definitivo.

Kovacic é uma boa aquisição de um Chelsea que mudará bastante de estilo, sob o comando de Sarri. O croata pode ser um reserva para Jorginho, que era o único capaz de ditar o ritmo de passes a partir da posição de volante, que é a marca do técnico italiano, ou atuar mais avançado, formando um trio de meio-campo muito bom com o brasileiro e N’Golo Kanté ou Cesc Fàbregas.