A Copa do Mundo é momento de afirmação para muitos, mas também de despedida a jogadores que por anos defenderam as suas seleções. O grande palco oferece o adeus digno a grandes nomes que ajudaram a construir a aura do time por dezenas de jogos, por mais de uma década. Assim, foram vários os jogadores que botaram um ponto final em suas histórias pela equipe nacional (ou mesmo em suas carreiras) durante a Copa de 2018. Abaixo, seleção por seleção, trazemos os futebolistas que já oficializaram a sua decisão de não seguinte em frente por sua nação. Lendas como Andrés Iniesta, Tim Cahill, Javier Mascherano ou Rafa Márquez, outros tantos notáveis ainda neste Mundial e mais alguns que merecem o respeito pela dedicação.

Rússia: Sergei Ignashevich, Yuri Zhirkov, Aleksandr Samedov

Ignashevich passou a integrar as convocações da Rússia a partir de 2002. Fez parte da equipe semifinalista na Euro 2008 e também de outras epopeias internacionais. Foi uma certeza da seleção ao longo de anos, vestindo a camisa em 127 partidas, até que a Copa do Mundo em casa fosse o seu compromisso final. Deu algumas presepadas em lances importantes, é verdade, mas jogou bem ao longo da competição e ajudou a liderar o time de Stanislav Cherchesov até a digníssima caminhada às quartas de final. Inclusive, foi impecável nas disputas por pênaltis, assumindo a responsabilidade e convertendo suas cobranças. Mas, aos 39 anos, optou por pendurar as chuteiras em grande estilo. Foi acompanhado por Yuri Zhirkov, brilhante naquela Euro 2008, e que continuou como um dos esteios pela esquerda, embora os problemas físicos tenham atrapalhado desta vez. Aos 34 anos, continuará atuando pelo Zenit. Já Aleksandr Samedov foi importante no Mundial, titular no meio-campo, mas também preferiu sair em alta, aos 33 anos.

Espanha: Andrés Iniesta, Manolo del Bombo

Por onde passa, Andrés Iniesta costuma ser aplaudido. Algo que acontecia rotineiramente nos estádios espanhóis, independentemente da rivalidade que houvesse. Os compatriotas eram gratos pela glória maior que o meio-campista deu ao país, autor do gol mais importante da história naquela noite inesquecível em Joanesburgo. O ápice de uma lenda. Convocado a partir de 2006, o camisa 6 disputou quatro Mundiais, além de ter conquistado duas Eurocopas, especialmente a de 2012, com uma série de atuações brilhantes. Na Rússia, o veterano viveu de lampejos. Teve bons momentos na fase de grupos, vitais à Roja, e foi um dos raros lúcidos na partida de eliminação. Ainda assim, não era a despedida que gostaria e merecia, aos 34 anos. A história será bem mais benevolente com Don Andrés. Outros podem acompanhá-lo, mas não oficializaram o adeus. David Silva e Pepe Reina são os mais cotados. Já mais uma perda sentida à Espanha estará nas arquibancadas. Manolo del Bombo é o torcedor-símbolo da Fúria há décadas. Sempre presente com seu bumbo, animou os compatriotas em várias Copas. Este foi seu último Mundial.

Irã: Sardar Azmoun, Reza Ghoochannejhad

O caso de Sardar Azmoun é o mais triste entre os citados neste texto. O atacante de 23 anos possui a respeitável marca de 23 gols em 36 partidas pela seleção. Convocado a partir de 2014, liderou o time nas últimas Eliminatórias, com tentos importantes. Também fez um Mundial razoável, mas passou em branco, sem balançar as redes. A deixa para que fosse atacado nas redes sociais. Em carta aberta, admitiu que sua mãe tinha se recuperado de uma doença grave, mas viu sua saúde piorar por conta do estresse. Assim, o jovem preferiu deixar o Team Melli, uma perda notável por tudo que ainda poderia produzir aos persas. Tinha talento para encabeçar o país em outras competições internacionais. Já Reza Ghoochannejhad, que não entrou em campo nesta Copa, também preferiu se despedir da equipe nacional aos 30 anos.

França: Adil Rami

Rami foi um mero figurante na Copa do Mundo, reserva em todos os jogos da França. No entanto, segundo os próprios jogadores, internamente foi uma peça importante por sua experiência, sua liderança e seu espírito de equipe. Com a medalha no peito, aos 32 anos, abre alas aos mais jovens. O defensor tinha oito anos de seleção, com 35 partidas disputadas. Esteve presente nas Eurocopas de 2012 e 2016, mas este era o seu primeiro Mundial. Valeu pelo “bigode da sorte”, ajeitado por Antoine Griezmann antes das partidas, e pelo capote que tomou ao desafiar a lenda do judô Teddy Riner como promessa por ter sido campeão.

Dinamarca: Willian Kvist, Michael Krohn-Dehli

Aos 33 anos, William Kvist pode não ser um nome que impressiona, mas primou por sua eficiência ao longo dos 11 anos em que atuou pela seleção dinamarquesa. Presente na Copa do Mundo de 2010, o volante teve nova chance oito anos depois. Era criticado pela má fase no Copenhague, mas mantinha a confiança pelos serviços prestados à equipe nacional. Uma pena que tenha se lesionado durante a fase de grupos, fraturando a costela na estreia contra o Peru. Até ficou no banco nos dois últimos jogos, mas sem condições de entrar. Despede-se como uma das grandes lideranças dos alvirrubros nesta década. Além dele, o acompanha no adeus o meio-campista Michael Krohn-Dehli, mais velho do grupo, que aos 35 anos disputou seu primeiro Mundial.

Austrália: Tim Cahill

Ao longo de sua história, a seleção australiana contou com vários jogadores marcantes. Nenhum deles com o simbolismo de Tim Cahill, presente em quatro Copas do Mundo. Filho de mãe samoana, o atacante chegou a defender a seleção da ilha nas categorias de base. Para a sorte dos Socceroos, seu destino foi outro nos anos seguintes. Dono de uma impressionante capacidade física e muita impulsão, o veterano marcou cinco gols nos três primeiros Mundiais que disputou, com menção honrosa ao chutaço contra a Holanda no Beira-Rio, certamente um dos gols mais bonitos do torneio neste século. Desta vez, aos 38 anos, sua convocação era dúvida, mas o técnico Bert van Marwijk não prescindiu de seu astro. Infelizmente, jogou pouco na campanha, se contentando apenas com os minutos finais do duelo contra o Peru, na terceira rodada. Sai com 107 partidas e 50 gols – este, um recorde da equipe local. Merece ser lembrado como um dos melhores que a Ásia / Oceania já teve.

Argentina: Lucas Biglia, Javier Mascherano

Os contrastes marcarão a trajetória de Mascherano em Copas. Presente também em 2006 e 2010, viveu o seu ápice no Brasil, em 2014. O volante teve um punhado de atuações espetaculares e ações decisivas, como no carrinho que valeu como um gol para barrar Arjen Robben e ajudar a Albiceleste a avançar à decisão. Facilmente poderia ser considerado o melhor jogador defensivo daquele Mundial. Entretanto, os quatro anos a mais pesaram bastante sobre as pernas do camisa 14. Em péssimas condições físicas, foi um dos símbolos da derrocada do time de Jorge Sampaoli. Mantinha a sua importância pela participatividade e pela liderança, incorporando o espírito da equipe, lutando até o fim. Só que as debilidades defensivas custaram caro e as confusões nos bastidores o colocaram como um dos artífices nos entraves com o treinador. Aos 34 anos, seus 147 jogos o permitiram superar Javier Zanetti como o que mais jogou pela equipe nacional. Lamenta-se pela melancolia final. Já Lucas Biglia teve seus momentos de confiança, com 57 partidas e dois Mundiais. Chegou à Rússia com problemas físicos e não rendeu. Para aos 32 anos.

Suécia: Andreas Granqvist

A campanha valente da Suécia na Copa do Mundo dependeu bastante de Andreas Granqvist. O zagueiro teve atuações estupendas desde as Eliminatórias, inclusive na repescagem contra a Itália, em desempenho que o ajudou a ser eleito como melhor jogador do país em 2017. Manteve a grandiosidade durante o Mundial, com atuações bastante firmes, especialmente para liderar o bloqueio amarelo ao redor da área escandinava. Além disso, marcou gols nas vitórias sobre Coreia do Sul e México, convertendo pênaltis. Merece seu lugar entre os melhores beques da competição na Rússia. Aos 33 anos, deixa a cena com 77 partidas pela equipe nacional, em história que já contava com presenças em outras três Euros. Poderá dar atenção ao filho recém-nascido, seu segundo, que veio ao mundo um dia antes da disputa das quartas de final contra a Inglaterra. Apesar da abertura para poder conhecê-lo, o veterano não abriu mão de seus compromissos com a seleção.

México: Rafa Márquez, Oribe Peralta

Rafa Márquez é uma instituição do futebol mexicano. E também das Copas do Mundo. O zagueiro igualou três monstros, se tornando o quarto jogador a disputar cinco Mundiais, e com o ineditismo de vestir a braçadeira de capitão em todos eles. Que as pretensões mexicanas nunca tenham ido além das oitavas de final, não era por culpa do camisa 4, importante por sua segurança e também autor de gols em três das edições que participou. Desta vez, rumo à Rússia, já tinha se aposentado no Atlas antes de integrar a convocação de Juan Carlos Osorio. Aos 39 anos, não foi titular da equipe, mas se tornou uma peça de destaque, principalmente para segurar o resultado no segundo tempo. Sem ser exatamente impecável, ao menos demonstrou sua elegância em alguns lances. Sai em alta, como merece um dos maiores que El Tri já teve, presente nas listas desde 1997. Somou 146 jogos pelo país, terceiro na lista, igualando Pavel Pardo e Gerardo Torrado. Não tão aclamado, Oribe Peralta também apagou as luzes em sua história com a camisa verde. O centroavante, reserva na Rússia, sempre será lembrado pelas atuações decisivas rumo ao ouro olímpico em 2012.

Panamá: Jaime Penedo, Román Torres, Felipe Baloy, Gabriel Gómez, Blás Pérez, Luis Tejada

Os panamenhos sabiam que sua geração mais talentosa teria a última oportunidade. E também por isso a classificação inédita à Copa do Mundo foi tão comemorada: mais do que colocar o país no mapa da competição, também reconheceria o empenho do sexteto que protagonizou a Maré Vermelha por tantos anos. Román Torres, o capitão, deixou uma lágrima gravada na história dos Mundiais durante a primeira execução do hino nacional. Gabriel Gómez foi outro que se emocionou bastante e se tornou um leão no meio-campo. Jaime Penedo buscou a bola várias vezes no fundo das redes, mas também colecionou boas defesas. Blás Pérez lutou no ataque, assim como fez Luis Tejada nos minutos em que esteve em campo. E coube a Felipe Baloy a maior alegria, o prazer de marcar o primeiro tento do Panamá em Copas, em euforia que valeu como vitória aos nanicos. O clímax de uma bonita jornada. Ao final dela, todos os heróis anunciaram a despedida da equipe nacional. Todos eles com 32 anos ou mais. Todos eles com mais de 100 partidas pela Maré Vermelha. Juntos, somam 725 aparições pela seleção, justamente os seis que mais entraram em campo pelo país. Juntos, simbolizaram o maior dos momentos.

Japão: Götoku Sakai, Keisuke Honda, Makoto Hasebe

Makoto Hasebe sempre foi um herói silencioso da seleção japonesa. O volante começou a ser convocado em 2006 e logo se colocou como um motor dos Samurais Azuis. Foram três Copas do Mundo, além do título da Copa da Ásia em 2011, eleito um dos melhores da competição. O capitão parecia ter uma missão difícil em 2018, comandando uma equipe desacreditada. Deu proteção na cabeça de área e formou uma ótima dupla com Gaku Shibasaki, uma das razões para a caminhada memorável às oitavas de final. Com 114 jogos, é o quinto que mais atuou pelos nipônicos. Keisuke Honda, com 98 aparições, é o nono dessa lista. Outro jogador que marca época, especialmente pela maneira como carregou os anseios dos japoneses na Copa de 2010, autor de gols essenciais. Não manteve o nível nos Mundiais seguintes, mas teve sua importância em 2018. Saindo do banco, ajudou a bagunçar partidas e criou boas jogadas ao Japão. Aos 32 anos, já atravessando uma fase de andarilho na carreira, sai aplaudido. Por fim, Götoku Sakai poderia oferecer mais. Aos 27 anos, o lateral optou pelo adeus.