O Paris Saint-Germain gastou aproximadamente € 400 milhões em dois reforços na temporada passada e suas contas estão sendo analisadas de perto pela Uefa. Para não dar sopa ao azar, os franceses seguraram a onda e fizeram um mercado que, na prática, foi superavitário. Os últimos reforços chegaram nesta sexta-feira, no último dia da janela: Juan Bernat, do Bayern de Munique, e Eric Choupo-Moting, do Stoke City.

Graças à artimanha do PSG de contratar Mbappé por empréstimo, com compra obrigatória caso não fosse rebaixado à segunda divisão, o que não aconteceria nem se ele perdesse metade dos pontos somados na última Ligue 1, os valores pagos pela sensação francesa e por Neymar foram separados em dois mercados diferentes. Os € 220 milhões pelo brasileiro entraram no da temporada passada, que terminou com cerca de € 140 milhões de prejuízo.

A consequência disso foi o PSG começar a atual janela com € 180 milhões no vermelho, valor pago por Mbappé, segundo a imprensa europeia. Na transição entre uma temporada e a outra, os jornais franceses diziam que o clube precisava levantar € 60 milhões com vendas de jogadores até 30 de junho, ou seja, antes de a janela abrir. Isso acabou não acontecendo.

Contudo, o PSG compensou arrecadando pouco mais de € 100 milhões de euros em transferências neste mercado. A principal venda foi de Gonçalo Guedes para o Valencia, por € 40 milhões. Javier Pastore (Roma) e Yuri (Athletic Bilbao) foram repassados por aproximadamente € 25 milhões cada um. Odsonne Edouard saiu para o Celtic por € 10 milhões, e Jonathan Ikoné para o Lille por € 5 milhões. Para fechar, o clube recebeu taxas de empréstimo por Giovani Lo Celso e Grzegorz Krychowiak.

Entre essas vendas e a contratação de Mbappé, o prejuízo ficou em pouco mais de € 70 milhões, o que não é absurdo para clubes desta estatura. Mas não dava para abusar em novos reforços para o técnico Thomas Tuchel. Por isso, a maior contratação acabou sendo o zagueiro Thilo Kehrer, do Schalke 04, por € 37 mihões. Bernat chegou por € 7 milhões. Gianluigi Buffon e Choupo-Moting vieram de graça.

O Paris Saint-Germain passou as últimas semanas procurando um lateral esquerdo. Foram especulados Filipe Luis, do Atlético de Madrid, e Raphaël Guerreiro, com quem Tuchel trabalhou no Borussia Dortmund. No fim, veio a opção mais barata. Bernat havia chegado do Valencia, em 2014, e foi bastante utilizado em sua primeira temporada. Com Guardiola, atuava em várias posições. Mas foi perdendo espaço. David Alaba é titular absoluto na lateral esquerda e uma lesão reduziu ainda mais seu número de jogos na última temporada – apenas 11 na Bundesliga.

O meia-atacante Choupo-Moting é um caso clássico de quem “caiu para cima”. Ele disputou a última temporada pelo Stoke City e foi rebaixado para a segunda divisão inglesa. No entanto, pesou ter trabalhado com Tuchel no Mainz, entre 2011 e 2014, além do valor barato. O camaronês, Bernat e Kehrer são reforços modestos, mais para compor elenco, porque, afinal, a grande contratação deste mercado do PSG já atua pelo clube desde o ano passado.