Maior campeão da história da Liga dos Campeões da África, o Al Ahly estabeleceu uma nova marca histórica ao continente nesta segunda-feira. Com a combinação de resultados ao término da rodada, os Diabos Vermelhos conquistaram mais uma edição do Campeonato Egípcio. É o 40° título do clube na liga nacional, o primeiro time africano a completar as quatro dezenas. O triunfo vem em um momento conturbado fora de campo, diante do embate entre torcedores e forças de segurança no Estádio Internacional do Cairo, pela Liga dos Campeões da África. Dentro das quatro linhas, porém, a fase é excepcional.

O Al Ahly conquistou seu terceiro título nacional consecutivo. Se na temporada passada os Diabos Vermelhos impressionaram pelo ótimo desempenho defensivo, com 14 gols sofridos em 34 rodadas, o que garantiu a campanha invicta, desta vez o ataque se sobressai. São 67 gols marcados, já superando a marca da temporada anterior, mesmo com seis rodadas restando. Atrás do Ismaily até o final do primeiro turno, o clube da capital disparou a partir de então, já com 22 pontos de vantagem neste momento de festa. Entre os destaques individuais, menção honrosa para o trio ofensivo formado pelo marroquino Walid Azaro, pelo nigeriano Junior Ajayi e pelo egípcio Abdallah El-Said.

Considerando o tempo de existência do Campeonato Egípcio, segundo mais antigo do continente africano, a marca inédita do Al Ahly se torna compreensível. Ainda assim, espanta a supremacia dos Diabos Vermelhos na competição. Campeões na primeira edição, em 1948/49, levantaram 40 taças em 59 possíveis. O Zamalek, grande rival e principal concorrente, tem 12 troféus – além de sofridos 32 vices. Já no restante da África, quem mais se aproxima é o Saint George, mais condecorado do Campeonato Etíope, o primeiro a ser criado no continente. São 29 conquistas ao clube de Adis Abeba.

Já no restante do mundo, são raríssimos os clubes com 40 ou mais títulos em ligas nacionais. Naturalmente, se concentram entre Europa e América do Sul, palco das competições mais antigas. Os escoceses do Rangers (54 taças) e os norte-irlandeses do Linfield (52) são os únicos que superam a meia centena. Celtic (48) e Olympiacos (44) completam o quarteto na Europa. Na América do Sul, Peñarol (49 ou 44, caso não seja considerada a herança do CURCC, clube antecessor dos aurinegros) e Nacional (46) dominam o Uruguai, enquanto o Olimpia (40) entrou para a turma em 2015. Já a exceção no restante do mundo fica para o South China, de Hong Kong, onde os britânicos fincaram as raízes do futebol desde o Século XIX e criaram a primeira liga profissional da Ásia, em 1908. São 41 troféus no campeonato.

Benfica e River Plate, com 36 títulos cada, são os mais próximos a completar a quarta dezena. Na Concacaf, o Saprissa é quem mira o pioneirismo, com 33 taças. Já a Oceania é o continente mais distante de igualar a marca. Os taitianos do Central Sport e os fijianos do Ba FC são os líderes regionais, com 20 triunfos cada.

Vale mencionar que, no Brasil, o paralelo mais próximo que pode ser feito é nos estaduais, as competições locais mais tradicionais. São 11 times com mais de 40 títulos: ABC (54), Paysandu (47), Bahia (46), Rio Branco-AC (46), Internacional (45), Ceará (44), Atlético Mineiro (44), Remo (44), Nacional-AM (43), Fortaleza (41) e Sport (41). A Índia, outro país com estaduais expressivos, fica no quase. O East Bengal possui 39 troféus na Liga de Calcutá.

Os 11 times do mundo com mais títulos de ligas nacionais:

1° – Rangers (Escócia) – 54 títulos
2° – Linfield (Irlanda do Norte) – 52 títulos
3° – Peñarol (Uruguai) – 49 títulos*
4° – Celtic (Escócia) – 48 títulos
5° – Nacional (Uruguai) – 46 títulos
6° – Olympiacos (Grécia) – 44 títulos
7° – South China (Hong Kong) – 41 títulos
8° – Olimpia (Paraguai) – 40 títulos
8° – Al Ahly (Egito) – 40 títulos
10° – River Plate (Argentina) – 36 títulos
10° – Benfica (Portugal) – 36 títulos

*Considerando também os cinco títulos do CURCC