O técnico de Senegal, Aliou Cissé, renovou contrato com a seleção do país, depois do desempenho na Copa 2018. Eliminado na primeira fase nos critérios de desempate de fair play – tomou mais cartões que o Japão e, por isso, ficou fora -, o time teve alguns bons momentos e o treinador ganhou um novo contrato. Só que a renovação veio com uma mata possível, mas difícil de ser cumprida: chegar à final da Copa Africana de Nações em 2019.

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Na Rússia, Senegal começou a campanha muito bem ao vencer a Polônia, principal time da chave, por 2 a 0. Depois, empatou em um jogo movimentado com o Japão, 2 a 2. Por fim, perdeu da Colômbia por 1 a 0, o que culminou também na eliminação. No jogo contra os colombianos, Senegal teve uma postura de cozinhar o resultado. Ficou satisfeito com o empate por 0 a 0, até que tomou o gol, se viu eliminado e partiu para tentar o gol nos últimos minutos e não conseguiu. Deixou a Copa com a sensação que poderia ter ido mais longe, em um time taticamente pragmático e com talento.

Como os senegaleses empataram em pontos, salgo de gols e gols marcados, além de empataram também no confronto direto. Por isso, a decisão acabou sendo nos pontos por disciplina, ficando com -6, enquanto o Japão teve -4. Mesmo assim, o desempenho foi bem avaliado. “Ao analisar o contrato dele, nós sentimos que ele atingiu ao objetivo inicial de classificar o time à Copa do Mundo”, afirmou o presidente da Federação de Futebol do Senegal, Augustin Senghor. “Depois disso, o mundo todo reconhece que ele foi capaz de levar a seleção senegalesa a um nível apreciável”.

“Não vemos por que ele não deveria continuar, então nós demos a ele uma missão de chegar à final da Copa das Nações Africanas de 2019”, continuou o dirigente. “Por meio de seus comentários, ficou claro que Cissé também está mirando esse objetivo e Senegal quer a taça”. O torneio será disputado entre 7 e 30 de junho, em Camarões.

Aliou Cissé, técnico de Senegal (Foto: Catherine Ivill/Getty Images)

Cissé assumiu o comando de Senegal em 2015 e disputou a última edição da CAN, em 2017. Senegal fez uma boa campanha na fase de grupos, com duas vitórias e um empate, se classificando em primeiro lugar em um grupo difícil, com Argélia, Tunísia e Zimbábue. Nas quartas de final, diante de Camarões, ficou no empate por 0 a 0 e acabou perdendo nos pênaltis por 5 a 4. Camarões acabaria campeão do torneio, batendo o Egito de Mohamed Salah na final.

As Eliminatórias para a CAN terão jogos neste segundo semestre. A disputa por vagas já começou em junho de 2017 e teve jogos também em março deste ano, 2018. Senegal jogou com Guiné Equatorial e venceu por 3 a 0. Os outros times do grupo são Madagascar e Sudão, o que torna Senegal totalmente favorito. O time voltará a campo em setembro de 2018 contra Madagascar. Em outubro, joga com o Sudão, em dois jogos, abrindo já o segundo turno. Joga novamente em novembro, contra Guiné Equatorial, e fecha as Eliminatórias contra Madagascar, em março.

Senegal é um dos times mais fortes do continente africano, mas a CAN costuma ser uma competição das mais imprevisíveis. Camarões, sede da edição 2019, venceu a última edição, em 2017; em 2015, na Guiné Equatorial, a campeã foi Costa do Marfim; em 2013, na África do Sul, a campeã foi a Nigéria; em 2012, com sede dividida entre Gabão e Guiné Equatorial, a campeã com a Zâmbia. Antes disso, o Egito foi tricampeão das edições 2006, 2008 e 2010.

A CAN é uma competição que tem passado por algumas mudanças importantes. Disputada a cada dois anos, era sempre jogada em anos pares até 2012, mas foi alterada para anos ímpares para não concorrer com Copa do Mundo e Eurocopa. Uma outra reclamação dos clubes europeus, mais ricos e poderosos no mundo, era que o torneio, disputado em janeiro, atrapalha os clubes. Por isso, em 2019, será a primeira edição a ser disputada em junho.

Cissé terá uma missão difícil na CAN 2019. Além dos times africanos que estiveram na Copa (Egito, Marrocos, Nigéria, Tunísia e o próprio Senegal), outros times africanos muito fortes que ficaram fora do Mundial na Rússia podem chegar ao torneio. Além da Camarões, já garantido e atual campeão, há ainda Argélia, Gana e Costa do Marfim, para ficar nos times mais badalados. Por isso, a meta de chegar à final é bastante ousada.