O jejum de títulos mundiais completou 24 anos quando a seleção brasileira entrou em campo no Estádio Rose Bowl, na Califórnia, para decidir a Copa do Mundo de 1994 contra a Itália. Valia o tetracampeonato para os dois países, como no Azteca, em 1970, valeu o tri. A partida marcada para a hora do almoço foi disputada debaixo de um sol escaldante e terminou sem gols no tempo normal. Pela primeira vez, o Mundial foi decidido nos pênaltis. A favor do Brasil.

Embora nem todos os jogadores que estavam em campo concordem, a temperatura de 40 graus à sombra contribuiu para uma partida mais travada, com poucas chances de gol. O estilo de jogo da equipe de Carlos Alberto Parreira, cauteloso, pouco agressivo, também. No lado da Itália, Franco Baresi, que havia passado por uma operação no joelho durante a Copa do Mundo, jogou no sacrifício.

Entre os zagueiros italianos, Romário posicionou-se muito bem para receber o cruzamento de Dunga e cabeceou nas mãos de Pagliuca. Já no segundo tempo, a trave impediu que Mauro Silva fosse o grande herói da decisão. O chute de fora da área foi direto na direção do goleiro europeu. Mas Pagliuca falhou. Deixou escapar a bola que tocou a trave antes de ser definitivamente agarrada. O italiano retribuiu a graça alcançada com um beijinho no poste antes da reposição.

Na prorrogação, os dois atacantes brasileiros perderam oportunidades claríssimas de marcar. Ambos na segunda trave, completando cruzamentos de Cafu. Bebeto não conseguiu fazer o movimento da finalização e apenas tocou a bola como conseguiu. Romário encontrou com a pelota um pouco atrás do ideal e, dentro da pequena área, mandou para fora.

A decisão foi para os pênaltis. Baresi, com dores, cobrou o primeiro e isolou. Márcio Santos também perdeu. Albertini marcou o primeiro gol. Na segunda batida brasileira, foi a vez de Romário contar com a ajuda da trave: 1 a 1. Alberigo Evani e Branco converteram. Mas Massaro parou nas mãos de Taffarel. Dunga colocou o Brasil à frente. E chegou a hora de Roberto Baggio chutar.

Eleito o melhor jogador do ano anterior, Roberto Baggio fazia um campeonato impecável pela Itália, decisivo em todas as fases de mata-mata. Embora fosse uma injustiça diante de tudo que havia feito nos Estados Unidos, o principal expoente da campanha do seu país, o craque ficou marcado como responsável pela derrota italiana.

“Imagine esta cena: meu sonho se tornando realidade. Estou na Copa do Mundo. A cada jogo, a Itália vai um pouco mais longe. Desde as oitavas de final, eu não paro de marcar gols. Cada vez que comemorava um, pensava no que estava acontecendo nas casas de todos os italianos. Então vamos para os pênaltis na final. E eu erro”, disse, ao Corriere dello Sport, em 2015. “Eu me senti morrendo por dentro. Eu também pensei na reação que teriam meus compatriotas. Foi difícil e até hoje eu não aceito que isso aconteceu. Eu era a pessoa que daria o final feliz do meu sonho para as arquibancadas, o sonho que naquele momento todos os italianos compartilhavam. Isso ainda me assombra”.

Baggio errou a sua cobrança. E Galvão Bueno gritou: “Acabou! Acabou! É Tetra!”