As estrelas de Carli e Gatito brilharam: gol no último lance e título do Botafogo nos pênaltis

O time da estrela solitária teve mais um dia de brilho intenso. O Botafogo conseguiu o título carioca de maneira emocionante, em um jogo que mais uma vez foi muito disputado. Ao contrário dos outros jogos entre Vasco e Botafogo, o jogo teve poucos gols. Nos últimos três jogos, 3 a 2. Desta vez, 1 a 0, sofrido, chorado, com gol no último lance do jogo e uma vitória nos pênaltis. Brilharam as estrelas de dois jogadores cruciais do time: Joel Carli, que marcou o gol, e Gatito Fernández, goleiro que brilhou na disputa de pênaltis.

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Carli, aliás, sai consagrado de campo. O zagueiro argentino perdeu a vaga de titular neste ano, mas recuperou a posição na reta final, e, mais do que isso, foi o capitão do time. O jogador que ficou responsável por levantar a taça. E fez uma ótima partida, em um time que mudou de característica em relação ao de Jair Ventura. É um time que joga mais, toca mais a bola, mas mostrou nessa final algo similar ao time de 2017: uma determinação enorme. Poderia não ter sido suficiente, como passou perto. Mas arrancou a vitória no final, comemorando muito. Com Carli capitão e Gatito mais uma vez pegando pênaltis.

O Campeonato Carioca foi marcado por pouca gente nas arquibancadas, mesmo em estádios pequenos. A final, porém, teve o principal estádio do Estado, o Maracanã, e casa cheia. As torcidas de Vasco e Botafogo estiveram em massa para a decisão, que começava bastante equilibrada, ainda que com a vantagem do Vasco conquistada no primeiro jogo. Foram 64.208 pessoas, com 58.135 pagantes.

O técnico do Vasco, Zé Ricardo, tinha o desfalque de Paulinho, que machucou o ombro no jogo contra o Cruzeiro, na última quarta-feira. Sem também contar com Giovani Augusto, Zé Ricardo optou por colocar o lateral Henrique na ponta esquerda. Assim, o time tinha Desábato como principal marcado, Evander e Wagner armando as jogadas, Henrique e Pikachu pelas pontas e Riascos no ataque.

Aos 20 minutos, os jogadores do Botafogo reclamaram um pênalti em chute que explodiu no ombro de Rafael Galhardo, que também estava com o braço aberto. O árbitro interpretou que o lance não foi falta, o que pareceu a decisão correta. Aos 24, mais uma decisão que gerou reclamações do Botafogo: Valencia avançava e foi derrubado em uma falta dura de Desábato. O árbitro mostrou o cartão amarelo ao volante do Vasco.

O Vasco perdeu uma chance clara de gol aos 25 minutos. Depois de um chute cruzado, o goleiro Gatito Fernández rebateu e a bola sobrou para Riascos, que não chutou, nem tocou, nem conseguiu fazer nada. A bola só bateu nele e voltou às mãos do goleiro paraguaio. O Vasco voltaria a assustar aos 35 minutos. Pikachu recebeu dentro da área um cruzamento a meia altura da esquerda e finalizou de primeira, livre, mas desperdiçou. O chute foi por cima.

O jogo ganhou um capítulo importante quando Fabrício deu uma entrada muito forte na perna de Luís Fernando, com solada na panturrilha do atacante. O árbitro deu o cartão vermelho para o jogador do Vasco, deixando o time com um jogador a menos aos 37 minutos. Luís Fernando, mesmo tendo torcido o tornozelo no lance, tentou voltar ao jogo. Não conseguiu. Alberto Valentim então colocou o atacante Rodrigo Pimpão no jogo.

No intervalo, Valentim, do Botafogo, tirou o volante Marcelo e levou a campo Kieza. Saiu também o lateral Moisés e entrou Gilson. Com isso, o técnico queimou as três substituições ainda no intervalo – uma vez que tinha feito uma alteração ainda no primeiro tempo.

No início do segundo tempo, o Botafogo teve uma chance em um cruzamento para a área, Martin Silva saiu mal e Kieza cabeceou. Erazo tirou em cima da linha, o próprio Kieza tentou tocar de novo, mas perdeu dividida com Paulão.

O Botafogo dominava o segundo tempo, com o Vasco recuado para tentar sair em velocidade. Aos 21 minutos, cruzamento de Leo Valencia em cobrança de falta para a finalização dentro da área de Brenner. Dominando a bola, mas pouco conseguindo criar, o Botafogo tentava, com determinação, organização e poucos recursos técnicos chegar ao gol.

Em um cruzamento para a área, Carli foi puxado por Galhardo, mas o árbitro não viu. O Vasco ficava ancorado na defesa, travando os espaços. Já nos acréscimos do jogo, Leo Valencia fez falta em Henrique, tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Parecia ser o ato final do jogo, mas o Botafogo seguiu com raça buscando o gol, no desespero.

Eram 49 minutos quando a bola foi levantada na área e foi um desespero, com bate, rebate e a bola sobrando para Joel Carli no meio da área. O zagueiro dominou, chutou e marcou, enlouquecendo a torcida do time da Estrela Solitária: Botafogo 1 a 0 e o jogo foi encerrado pouco depois. Assim, a disputa do título Carioca seria decidida nos pênaltis.

Nos pênaltis, Brenner marcou pelo Botafogo e Wagner pelo Vasco. Rodrigo Pimpão, porém, perdeu para o Botafogo. Andrés Rios, pelo Vasco, marcou o seu e fez 2 a 1. Gílson, do Botafogo, bateu muito bem para marcar o empate do Botafogo. Werley foi para a bola e Hatito defendeu, igualando a disputa. Marcinho marcou o seu pelo Botafogo e recolocou o time em vantagem. Pikachu, em seguida, empatou para o Vasco. Renatinho marcou o seu pênalti pelo Botafogo. Henrique, então, foi para a cobrança. O lateral, que começou na ponta, cobrou, o goleiro Gatito defendeu. Assim, o Botafogo saiu comemorando: seu 21º título Carioca na história.

Zé Ricardo esteve perto do bicampeonato, depois de conquistar o título com o Flamengo em 2017. Mas quem saiu de campo comemorando foi o técnico Alberto Valentim. O treinador, ex-auxiliar técnico do Palmeiras, conquista o seu primeiro título como treinador. Ganha motivação ainda maior, em um campeonato que o Botafogo era o menos favorito entre os grandes clubes do Rio. Sai com moral para tentar ter um bom campeonato brasileiro, quem sabe ficando entre os seis primeiros. Com um time teoricamente pior que o de 2017, o Botafogo mais uma vez mostrou força. Sabe que o desafio para o Brasileirão será maior, mas por ora, tem que comemorar. Tem mais uma taça na história do Glorioso.