A Premier League vive o seu maior contrato de transmissão da história. A Sky Sports, que detém a maior parte dos direitos, pagou uma quantia de £ 4,18 bilhões (€ 5,6 bilhões), um valor € 365 milhões maior do que o contrato anterior. Só que a audiência da Sky Sports na primeira metade da temporada foi 12% menor do que a temporada anterior. Mas por que isso acontece? Há algumas hipóteses.

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Segundo o Football Economy, o mesmo número de pessoas, ou até mais, estão assistindo futebol ao vivo na televisão às vezes, mas talvez não tão frequentemente quanto antes porque as opções on demand disponíveis, como Netflix, se tornaram concorrentes. Há também outro fator: um número crescente de pessoas prefere assistir os jogos por tablets ou smartphones e estes dispositivos não entram na conta da pesquisa de audiência.

O jogo Liverpool x Manchester United na Sky teve uma audiência recorde, 2,8 milhões de pessoas, a maior em um único jogo nos últimos três anos. Uma questão a ser considerada, segundo o site, é que há 168 jogos disponíveis nesta temporada comparado com 138 jogos da temporada 2010/11 e isso faz com que as pessoas se tornaram mais exigentes.

Só que a grande preocupação da Premier League é outra: pirataria. A própria liga reconhece que esse é um problema. No Reino Unido há uma explosão de dispositivos de IPTV com aplicativos ilegais que permitem acesso a jogos da Sky, BT Sport e até de emissoras internacionais, como a NBC, dos Estados Unidos. Algo parecido com o que acontece por aqui, onde se vende aparelhos ilegais que dão acesso a todos os canais.

Para combater isso, a premier League tenta tirar do ar os sites ilegais com medidas judiciais, além de ir atrás de quem vende os dispositivos. Em dezembro, um fornecedor de IPTVs ilegais como estas foi preso por quatro anos.

Há outra forma ilegal de transmissão acontecendo: torcedores transmitindo ao vivo dos estádios com seus celulares. Um torcedor do Manchester City, por exemplo, transmitiu o jogo inteiro contra o Crystal Palace fora de casa. Mais de 139 mil pessoas assistiram. A Premier League promete tomar ações contra esse tipo de ação.

O Telegraph informa que a queda na audiência é de 13% em relação ao ano anterior, 2015, e que se comparado a 2010, a queda é ainda maior: 25%. Isso, para o colunista Jim White, é o maior motivo de preocupação. Segundo ele, os streamings ilegais irão estourar a bolha dos direitos de TV da Premier League.

A grande questão é como as TVs vão lidar com essa revolução tecnológica. Porque os contratos cada vez maiores implicam  que as emissoras precisam de lucros cada vez maiores para valer a pena. E se os assinantes estão indo pelo ralo com a pirataria, o que fazer? O uso de pliativos on demand é, por enquanto, restrito as assinantes da TV assinatura tradicional. Vender diretamente ao consumidor, no que se chama over-the-top, ainda não resolve os problemas. Ao menos por enquanto. Mas quando a bolha estourar, se não houver outra solução, esta talvez seja uma tábua de salvação. Não garante nada, mas diante do naufrágio, quando tábua é uma esperança.

O que veremos nos próximos capítulos – ou ano – é que as renovações de contrato de direitos de TV devem trazer uma nova questão para emissoras e clubes. Os valores não poderão continuar aumentando de forma galopante como aconteceu nas últimas vezes. Clubes e TVs estarão em um dilema. E ninguém ainda parece saber como resolver.