A vitória por 2 a 0 na Bombonera abria o caminho ao Boca Juniors. Ainda assim, os xeneizes fizeram questão de ressaltar sua superioridade e venceram o segundo jogo contra o Libertad nas oitavas de final da Copa Libertadores. Apesar do tento paraguaio para abrir o placar, o time de Guillermo Barros Schelotto logo tomou as rédeas do duelo e derrotou os anfitriões por 4 a 2 em Assunção. Resultado que referenda uma equipe que não fez uma boa fase de grupos, mas costuma crescer nos mata-matas e possui várias opções em seu elenco, sobretudo no ataque. A preocupação agora é do Cruzeiro, o adversário nas quartas de final.

Aparecendo bastante nos primeiros minutos, o interminável Óscar Cardozo foi o responsável por abrir o placar, aproveitando o erro da zaga e tocando por cima do goleiro Esteban Andrada. Era um excelente início do Libertad, que pressionava e parecia pronto a equilibrar o confronto. Desligado e errando demais, o Boca Juniors dependeu de Darío Benedetto para acordar. De volta ao time após nove meses sem atuar, por conta de uma grave lesão ligamentar, o centroavante se transformou em maestro. O empate saiu aos 19. Mauro Zárate lançou Benedetto e este ajeitou para Cristian Pavón, tirando do goleiro para deixar o companheiro com a meta vazia. Dois minutos depois, o artilheiro protagonizaria um lance digno de Riquelme. Deu um passe por cobertura fantástico, para Zárate tocar na saída do arqueiro. A combinação do trio ofensivo, unida à eficiência nas conclusões, permitiu a vitória.

Com a vantagem, o Boca Juniors tentava cadenciar o jogo e administrar a posse de bola. Ao Libertad, restava buscar mais quatro gols, em missão praticamente impossível. O empate, ao menos, aconteceu antes do intervalo. Óscar Cardozo teve oportunidade em cobrança de pênalti e não desperdiçou. Já na segunda etapa, apesar de uma grande defesa de Andrada, os gols só penderiam ao lado do Boca. Carlos Tevez saiu do banco e aproveitou a desatenção da defesa para retomar a vantagem aos xeneizes, com 30 minutos. E caberia mais. Uma penalidade favorável aos argentinos concedeu a chance de Edwin Cardona deixar o seu, batendo com cavadinha.

Diferentemente do que conta a história do clube, o Boca de Schelotto se consagrou em pontos corridos. Um time que não necessariamente encanta, mas manteve a regularidade para ser bicampeão argentino. A Libertadores, de qualquer forma, continua como uma obsessão e vira o objetivo principal neste segundo semestre. Os xeneizes contam com uma equipe experiente, mas precisam melhorar a organização defensiva e o fôlego no meio-campo – onde a idade dos companheiros sobrecarrega Wilmar Barrios. Mas não se nega que os portenhos voltam mais fortes para esta metade final de Libertadores, sobretudo pelos reforços de Zárate e Andrada, além do retorno de Benedetto. O Cruzeiro impõe um desafio bem maior aos xeneizes, até pela veia copeira exibida nas últimas competições. Um cruzamento que promete dois grandes jogos.