O debate sobre o calendário do futebol brasileiro veio à tona nesta terça-feira, com o manifesto assinado por 75 jogadores em prol de mudanças. Por mais que o modelo europeu seja visto como exemplo, no entanto, nem sempre ele é ideal. E a Inglaterra tratou de provar isso logo de imediato. Pouco mais de 48 horas depois de entrarem em campo pela Premier League no domingo, três clubes voltaram a jogar hoje, pela Copa da Liga Inglesa.

No Brasil, o estatuto determina que os intervalos entre as partidas não seja inferior a 66 horas – por mais que a CBF tenha quebrado isso durante o Brasileirão, com os jogos remarcados deste ano. Já a Football Association prevê um tempo menor entre as partidas, o que permite a maratona ocorrida nesta semana. O artifício que acaba sendo útil dentro da realidade do futebol inglês, que possui o calendário mais apertado entre os principais países da Europa.

No Manchester City, que goleou o United no clássico de domingo, só Fernandinho sobrou entre os titulares para encarar o Wigan – Yaya Touré, Jesús Navas e Negredo entraram no segundo tempo. No Tottenham, apenas Paulinho, Jan Vertonghen e Kyle Walker começaram as partidas contra o Cardiff e contra o Aston Villa. Já o Cardiff optou por 11 titulares diferentes daqueles utilizados no jogo ante os Spurs. E pagou caro, eliminado pelo West Ham.

Obviamente, há algumas diferenças básicas entre a realidade inglesa e a brasileira. Afinal, a Premier League e a Copa da Liga Inglesa têm pesos diferentes para os clubes. Se, depois de jogarem pelo Inglês, as equipes tivessem que entrar em campo de novo pela liga ou pela Champions, o intervalo mínimo seria de 72 horas. De qualquer forma, a profundidade dos elencos permite que quase todos os jogadores sejam trocados. Enquanto isso, no Brasil, a sequência pesada prevê encontros de igual importância e sobrecarregam as equipes titulares.

Além do mais, os jogadores na Inglaterra puderam fazer uma pré-temporada planejada, que permitiu a preparação física ideal para as competições, assim como enfrentam uma carga de jogos bem menor que a daqueles que atuam no Brasil. O que é um direito lá, ainda parece um privilégio por aqui.