Em 1948, atuando nos juvenis do España, um goleiro se destacava por suas defesas incríveis e já era considerado uma revelação do futebol mexicano. As excelentes atuações resultaram na convocação para a seleção amadora do México, que disputou os Jogos Olímpicos de Londres naquele ano. A participação mexicana foi modesta (perdeu por 5 a 3 em sua única partida para a inexpressiva Coréia, que ainda não estava dividida), mas o promissor jogador foi contratado pelo León, clube que defendeu até o fim da carreira. Nessa equipe, Antonio Carbajal transformou-se em mito e assumiu status de maior goleiro da história do futebol mexicano.

Carbajal – cujo apelido é ‘La Tota’ desde a adolescência – não foi apenas o primeiro jogador a disputar cinco Copas do Mundo (o alemão Lothar Matthaus igualou a marca em 1998): poucos goleiros enfrentaram e sofreram gols de tantos craques do futebol mundial. Entre os grandes nomes que estufaram as redes do arqueiro mexicano, estão Ademir Menezes, Pelé, Masopust, Liedholm e Kopa. Jogando em uma seleção que na época era coadjuvante nos Mundiais, o retrospecto de Carbajal no gol do México não poderia ser positivo: 11 jogos disputados, 25 gols sofridos. Mas engana-se quem pensa, por causa desses números, que ‘La Tota’ foi um frangueiro. Muito pelo contrário: seus conterrâneos garantem que, se não fosse por ele, esses números seriam muito piores.

De 1950 a 1966, Carbajal foi presença certa na seleção do México. Ele fez sua estréia no gol mexicano aos 21 anos, no primeiro jogo da sua seleção na Copa de 1950. E a estréia já foi uma prova de fogo: contra o Brasil, no então recém-inaugurado Maracanã, com 80 mil pessoas nas arquibancadas. Com dois gols de Ademir, um de Jair e outro de Baltazar, o placar terminou 4 a 0 para a seleção canarinho. ‘La Tota’ voltaria a enfrentar os brasileiros 12 anos mais tarde, na Copa do Chile. Dessa vez, Zagallo e Pelé fizeram os gols da partida que terminou 2 a 0.

Poucas conquistas e a despedida em Copas do Mundo

No futebol mexicano, Carbajal não conseguiu muitos títulos. Como jogador, só foi campeão mexicano duas vezes e conquistou uma Copa do México pelo León. Como treinador, levou a mesma equipe ao bicampeonato da Copa do México, em 1970 e 1971. Pela seleção, jamais foi campeão. Curiosamente, assim que abandonou a carreira, o México realizou a sua primeira grande campanha em um Mundial: na Copa de 1970, realizada no próprio país, pela primeira vez passou para a segunda fase.

Como já foi citado, Carbajal jogou cinco Copas do Mundo. Só na quarta delas, em 1962, o goleiro conquistou a primeira e única vitória em um Mundial. Em 1966, na Inglaterra, Carbajal disputou o Mundial aos 37 anos. A derradeira participação foi muito mais uma homenagem ao lendário goleiro. O México já estava praticamente eliminado e ‘La Tota’, então na reserva, foi escalado para o último jogo da primeira fase contra o Uruguai, em Wembley. Como se fosse um prêmio por sua história no futebol, pela primeira vez em uma Copa do Mundo o goleiro não levou nenhum gol e a partida terminou empatada. Foi sua despedida da seleção mexicana e do futebol. Antonio Carbajal ganhou então outro apelido: ‘Cinco Copas’.

Homenagens justas

Depois que encerrou a carreira, o nome de Carbajal eternizou-se na história do futebol mundial. Não poderia ser para menos também, já que o seu recorde de cinco Copas do Mundo foi igualado apenas 32 anos depois por Lothar Matthäus. No mesmo ano da Copa da França, o ex-arqueiro recebeu o primeiro reconhecimento à altura de tudo o que fez no futebol. Numa eleição promovida entre jornalistas das Américas Central e do Norte, ele foi eleito o melhor goleiro do continente no século XX. Em segundo lugar ficou o costarriquenho Conejo, que jogou a Copa da Itália em 1990 e em terceiro ficou outro mexicano, o folclórico Jorge Campos.

Mais tarde, em 2004, ‘La Tota’ foi lembrado novamente. Dessa vez, a homenagem veio da Fifa, que o premiou com o ‘Centennial Order of Merit’, por sua presença em cinco Copas do Mundo. Hoje, o ex-goleiro vive no México, onde toma conta de seus negócios e é considerado uma lenda viva.