Há um pouco de ressaca da Copa do Mundo, quando alguns mitos sobre o futebol alemão vieram por terra. Há cansaço pela monotonia de ver o Bayern de Munique sempre campeão. E há pouca repercussão, diante do mercado de transferências mais modesto que em outras ligas, e o menor da primeira divisão durante as últimas quatro temporadas. Nesta soma de fatores, a Bundesliga 2018/19 começa com um impacto menor do que durante os últimos anos. Ainda assim, sob as expectativas de que a transição deixe um campeonato aberto e que o equilíbrio de sempre consiga ir além daquele trecho da tabela entre o segundo e o último colocado.

OUÇA: Podcast Trivela #184: Guia da Bundesliga 2018/19

Afinal, há vários times importantes que passam por momentos de reformulação, enquanto outros vêm em crescente. É isso que cria uma série de questões à próxima edição da Bundesliga e aumenta o interesse sobre o torneio. Diante de toda a superioridade de seu elenco, a derrocada do Bayern permanece improvável, mas mais possível do que nos últimos anos, o que valerá um pouco mais de atenção do que a repercussão atual recomenda à Alemanha.

Vale lembrar que, nesta temporada, a Bundesliga terá transmissão exclusiva da Fox Sports, sem que a ESPN renovasse o seu contrato pelos direitos do torneio. Os jogos dos clubes alemães no canal de Gerd Wenzel ficam restritos à Copa da Alemanha.

Abaixo, nosso guia com as análises clube a clube. Aproveitamos a deixa, aliás, para recomendar outros conteúdos: nosso podcast-guia em parceria com o Bundesliga no Ar, do próprio Wenzel; o podcast do pessoal do Chucrute FC; o podcast do Footure, feito em conjunto com o especial de La Liga; os materiais especiais do site Der Anpiff; também os especiais do Alemanha FC; e os prognósticos dos especialistas presente no Torcedores.com.

Augsburg

Cidade: Augsburg, Baviera (286 mil habitantes)
Estádio: WWK Arena (30.660 espectadores)
Fundação: 1907
Participações na Bundesliga: 7
Títulos na era Bundesliga: nenhum (quinto lugar como melhor colocação)
Na última temporada: 12º colocado
Objetivo: evitar o rebaixamento
Brasileiros no elenco: Caiuby
Técnico: Manuel Baum (desde dezembro de 2016)
Destaque: Alfred Finnbogason
Fique de olho: Fredrik Jensen
Principais chegadas: Fredrik Jensen (M, Twente), André Hahn (A, Hamburgo), Julian Schieber (A, Hertha Berlim), Felix Götze (D, Bayern)
Principais saídas: Moritz Leitner (M, Norwich), Marcel Heller (M, Darmstadt), Marwin Hitz (G, Dortmund), Takashi Usami (A, Fortuna Düsseldorf)
Time-base: Luthe, Schmid, Gouweleeuw, Hinteregger, Max; Baier, Khedira; Hahn (Koo), Gregoritsch, Richter (Caiuby); Finnbogason.

Lá se vão sete temporadas desde que o Augsburg chegou à Bundesliga. Em outros tempos, foi uma equipe competitiva, que conquistou a classificação à Liga Europa. O padrão nas últimas temporadas, porém, é bastante diferente. A permanência na primeira divisão tem sido mais do que suficiente aos bávaros, depois de alguns momentos em que flertaram com o descenso. O último ano, aliás, foi razoavelmente tranquilo. A equipe se manteve na zona intermediária da tabela durante a maior parte da campanha, chegando mesmo a esboçar a classificação à Liga Europa. A queda no segundo turno, de qualquer forma, mostrou como permanecer a salvo já foi um grande negócio ao clube de pretensões modestas, dono de um dos elencos mais baratos da Bundesliga.

A principal mudança em relação à última temporada acontece no gol. O bom Marwin Hitz não renovou o seu contrato e rumou ao Borussia Dortmund sem custos. Seu substituto deve ser Andreas Luthe, veterano que está no clube desde 2016, após atuar por anos na segunda divisão com o Bochum. No mais, os bávaros mantém sua base principal e fazem algumas adições. Félix Götze se junta a Rani Khedira como os irmãos mais novos dos famosos, tentando engrenar como lateral. Fredrik Jansen é uma boa aposta para a meia, após despontar com o Twente. André Hahn chega dos espólios do Hamburgo. Já Julian Schieber é aquela draga que todo mundo conhece, mas serve como um homem de referência a mais para a hora do aperto.

No mais, há uma base interessante, que pode manter o Augsburg a salvo mais uma vez. Martin Hinteregger e Jeffrey Gouweleeuw formam uma dupla de zaga com certa rodagem, enquanto Philipp Max foi um dos trunfos na lateral esquerda, primando pelas muitas assistências. O veterano Daniel Baier, dono da braçadeira de capitão, comanda o meio-campo ao lado do ascendente Rani Khedira. Meia-atacante de muito potencial por suas finalizações, Michael Gregoritsch viveu seu melhor ano, enquanto Caiuby é uma peça útil no sistema ofensivo, até por sua experiência na liga. Já no ataque, a grande referência é Alfred Finnbogason, em sua terceira temporada completa na Baviera. As lesões recorrentes são um problema e sua ausência custou pontos no segundo turno passado. Entretanto, se conseguir se mantiver saudável, o islandês se transforma em destaque da equipe de Manuel Baum, treinador que se afirmou a partir de 2016.

Bayer Leverkusen

Cidade: Leverkusen, Renânia do Norte-Vestfália (163 mil habitantes)
Estádio: BayArena (30.210 espectadores)
Fundação: 1904
Participações na Bundesliga: 39
Títulos na era Bundesliga: nenhum (vice como melhor colocação)
Na última temporada: quinto colocado
Objetivo: vaga na Champions
Brasileiros no elenco: Paulinho, Wendell
Técnico: Heiko Herrlich (desde julho de 2017)
Destaque: Lars Bender
Fique de olho: Kai Havertz
Principais chegadas: Paulinho (M, Vasco), Mitchell Weiser (D, Hertha Berlim), Isaac Thelin (A, Anderlecht), Lukas Hradecky (G, Eintracht Frankfurt), Thorsten Kirschbaum (G, Nuremberg)
Principais saídas: Bernd Leno (G, Arsenal), Stefan Kiessling (A, aposentado)
Time-base: Hradecky, Weiser (Henrichs), Tah, Sven Bender, Wendell; Lars Bender, Baumgartlinger (Aránguiz), Havertz; Volland (Paulinho), Alario, Brandt (Bailey).

Historicamente, o Bayer Leverkusen é um clube que investe em jovens jogadores. No entanto, poucas fornadas dos Aspirinas foram tão interessantes quanto a atual. O time sofreu com as oscilações nas últimas temporadas, mas encontrou um bom rumo con a chegada de Heiko Herrlich no comando da equipe. Viveu uma campanha afirmativa em 2017/18, viu jogadores talentosos começarem a despontar e brigou pela vaga na Liga dos Campeões até o final. A classificação não veio, é verdade, mas não é isso que diminui a qualidade. Pelo contrário, conciliar apenas a Bundesliga com a Liga Europa pode ser o ideal para que o clube volte a se estabelecer entre os primeiros colocados do campeonato. Potencial não falta.

O mercado do Leverkusen não foi tão extenso, mas aparece entre os melhores da Bundesliga. Bernd Leno saiu, mas rendeu um bom dinheiro aos cofres e foi substituído por Lukas Hradecky, que não apenas chegou de graça, como também vinha em melhor fase que seu antecessor. A lateral direita ganha Mitchell Weiser, que se não estourou como se esperava um dia, é um coringa para o grupo. O ataque tem mais uma opção com Isaac Thelin, sueco de bom porte físico. E a grande aposta é Paulinho, reafirmando os laços dos Aspirinas com o futebol brasileiro. Depois de um início estrondoso com o Vasco, o jovem valeu o alto investimento e teve tempo para se aclimatar à BayArena. É nome para entrar aos poucos, mas que pode render bastante à equipe.

O mais importante é que o elenco do Bayer Leverkusen tem profundidade para enfrentar as diferentes competições. E a qualidade abundante mantém um grupo relativamente uniforme. A zaga está bem servida com Jonathan Tah, Panagiotis Retsos e Sven Bender, Aleksandar Dragovic, além de Wendell e Benjamin Henrichs ainda aparecendo nas laterais. O meio tem uma coleção interessante de volantes, com a experiência de Lars Bender e Charles Aránguiz. Já no ataque é que se concentram as joias de Herrlich. A começar por Kai Havertz, meia que aos 19 anos se coloca como um titular indiscutível e muito capaz de auxiliar na criação.

De resto, é até difícil traçar uma equipe titular. Leon Bailey viveu uma temporada explosiva e, em alguns momentos, poderia ser considerado o melhor jogador da Bundesliga passada. Julian Brandt é outro fundamental, a ponto de ser reconhecido com a convocação à Copa do Mundo. Kevin Volland se encaixa em diferentes posições e sabe encurtar o caminho até o gol. Lucas Alario oscilou um pouco mais, mas serve como grande referência. E há ainda aqueles lesionados, que podem acrescentar no decorrer das campanhas, como Karim Bellarabi e Joel Pohjanpalo. Pela multiplicidade de opções, não será surpreendente se Paulinho for utilizado em diferentes funções, seja como ponta ou meia central.

Fato é que não existem muitas desculpas para negar uma boa campanha do Leverkusen. O último ano exibiu uma equipe bastante agressiva, com velocidade rumo ao ataque e peças sólidas no sistema defensivo. Com as adições pontuais, poderá evoluir mais. O segundo ano de trabalho de Heiko Herrlich, tido como um dos melhores técnicos da nova geração na Alemanha, precisa ser afirmativo. Há condições para brilhar.

Bayern de Munique

Cidade: Munique, na Baviera (1,4 milhões de habitantes)
Estádio: Allianz Arena (75 mil espectadores)
Fundação: 1900
Participações na Bundesliga: 53
Títulos na era Bundesliga: 27 (mais um no período anterior)
Na última temporada: hexacampeão
Objetivo: adivinha?
Brasileiros no elenco: Rafinha
Técnico: Niko Kovac (desde julho de 2018)
Destaque: James Rodríguez
Fique de olho: Leon Goretzka
Principais chegadas: Leon Goretzka (M, Schalke 04), Alphonso Davies (A, Vancouver Whitecaps – chega em janeiro)
Principais saídas: Arturo Vidal (M, Barcelona)
Time-base: Neuer, Kimmich, Hummels, Süle (Boateng), Alaba; Javi Martínez; Robben, Thiago, James (Thomas Müller), Ribéry (Coman); Lewandowski.

Poucas vezes o Bayern de Munique começou uma temporada sob tantas desconfianças. A começar pelo próprio comando. Niko Kovac foi o escolhido para substituir Jupp Heynckes. Um treinador promissor e que conquistou alguns bons resultados com o Eintracht Frankfurt, mas com várias questões pairando sobre sua cabeça, em uma carreira relativamente curta na função. Qual vai ser o estilo de jogo aplicado? O gênio difícil do comandante vai criar atritos com o elenco estrelado? Como vai ser a relação dele com os intocáveis da equipe? Respostas que precisam ser imediatas, diante daquilo que sempre se exige dos bávaros.

O plantel, afinal, está cada vez mais envelhecido. O Bayern se mexeu pouco no mercado de transferências e reitera a sua postura de não gastar os olhos da cara em reforços. Ainda assim, os mais jovens terão que se afirmar. Nisso, James Rodríguez desponta como protagonista. O colombiano atravessou uma temporada redentora na Allianz Arena, descobrindo qualidades que nem ele mesmo sabia que tinha. Virou peça fundamental no meio-campo e a continuidade de seu empréstimo foi positiva, diante dos rumores de que o Real Madrid poderia levá-lo de volta ao Bernabéu. Mesmo vindo de lesão, será o cara para moldar a equipe.

No mais, aposta-se naqueles que pedem passagem. Copa do Mundo à parte, Joshua Kimmich ainda é um lateral de muito talento, com David Alaba se recuperando do outro lado do campo. Niklas Süle fez uma ótima temporada de estreia e também deveria ser o dono da posição na zaga. Leon Goretzka é a grande adição no meio-campo, chegando sem custos e podendo melhorar a cadência no setor. Corentin Tolisso permite variações e pode fazer mais do que no último ano. Thiago Alcântara precisa recobrar um pouco mais suas condições como estrela, após fazer boas temporadas, mas cair de rendimento recentemente. E, para as pontas, há Serge Gnabry e Kingsley Coman, dois jovens com características importantes, partindo para cima das defesas.

A interrogação é: até que ponto muitos desses caras vão jogar, com tantos veteranos exercendo sua hierarquia no elenco? Pior, a diretoria ainda preferiu segurar jogadores descontentes, como Jérôme Boateng e Robert Lewandowski. O centroavante, aliás, vive um momento crucial. Empilhar gols na Bundesliga já não adianta mais, diante de suas atuações apagadas em jogos decisivos nas competições eliminatórias. Sua própria história no clube terá uma temporada decisiva desta vez. Da mesma maneira, Arjen Robben e Franck Ribéry são outros dois no fio da navalha. Há talento em abundância ali, mas a idade pesa sobre as costas e os lampejos não têm sido tão frequentes. É um fim de ciclo também para a dupla que mudou a história recente dos bávaros, fundamentais no período vitorioso que rendeu o quinto título na Champions e a maior hegemonia já vivida na Alemanha. Thomas Müller, outro ídolo histórico, parece viver um fim de carreira muito mais cedo do que se imaginava e precisa recobrar aquela inteligência de antever o jogo que sempre foi tão útil. Mais atrás, enquanto Manuel Neuer volta a transmitir segurança com sua mera presença, Boateng e Mats Hummels ficam em xeque pela maneira como a idade lhes cai mal.

Mesmo com tantos entraves, e independentemente da saída de Arturo Vidal para o Barcelona, o Bayern continua muito à frente de sua concorrência na Bundesliga – ao menos no papel. A conjunção de fatores precisa ser grande para evitar o heptacampeonato, entre os problemas internos e o salto de qualidade dos concorrentes. De qualquer forma, faz quase uma década que o cenário não era tão propício a isso. A Liga dos Campeões, mais uma vez, é o que deve colocar pressão sobre os resultados do clube – como foi na queda de Carlo Ancelotti na temporada passada. É ver como os bávaros lidarão com uma realidade distinta da vivida nos últimos anos, sem um técnico de renome que sirva de escudo e com o moral das estrelas cada vez mais se esgotando.

Borussia Dortmund

Cidade: Dortmund, Renânia do Norte-Vestfália (585 mil habitantes)
Estádio: Signal Iduna Park (81.360 espectadores)
Fundação: 1909
Participações na Bundesliga: 51
Títulos na era Bundesliga: 5 (mais três no período anterior)
Na última temporada: quarto colocado
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Nenhum
Técnico: Lucien Favre (desde julho de 2018)
Destaque: Marco Reus
Fique de olho: Jadon Sancho
Principais chegadas: Axel Witsel (M, Tianjin Quanjian), Thomas Delaney (M, Werder Bremen), Abdou Diallo (D, Mainz), Marius Wolf (A, Eintracht Frankfurt), Marwin Hitz (G, Augsburg), Achraf Hakimi (D, Real Madrid)
Principais saídas: Andriy Yarmolenko (A, West Ham), Sokratis Papastathopoulos (D, Arsenal), Gonzalo Castro (M, Stuttgart), André Schürrle (A, Fulham), Erik Durm (D, Huddersfield), Michy Batshuayi (A, Valencia), Roman Weidenfeller (G, aposentado)
Time-base: Bürki, Piszczek (Toljan), Akanji, Diallo, Schmelzer (Guerreiro); Delaney (Weigl), Witsel; Pulisic, Götze (Kagawa), Sancho (Wolf); Reus

O Borussia Dortmund se acostumou a viver frustrações nas últimas temporadas, mas talvez nenhuma delas tenha sido tão grande quanto a ocorrida na Bundesliga passada. Peter Bosz parecia o treinador perfeito para manter o legado construído a partir de Jürgen Klopp e o início na Bundesliga foi excelente. Contudo, o comandante logo mostrou que não era o fenômeno que imaginavam e a equipe perdeu o gás. Caiu vertiginosamente e, não apenas permitiu que o Bayern de Munique disparasse, como também ficou a um triz de desperdiçar a vaga na Liga dos Campeões. Some-se a isso o desempenho modesto na competição continental e o clima de fim de feira fica claro no Signal Iduna Park, ainda mais pelos muitos protagonistas que o clube perdeu nos últimos anos, sem reposições à altura.

O Dortmund foi o clube que mais investiu no mercado de transferências na atual temporada, mas ainda assim vem de aquisições sem grande impacto. Por nome, Axel Witsel é aquele que mais chama atenção, mas é um jogador um tanto quanto rodado e que somente agora poderá se provar em uma grande liga. No mais, além do empréstimo de Achraf Hakimi, as demais aquisições possuem experiência na Bundesliga e podem dar profundidade ao elenco, mas não são exatamente os atletas que prometem um salto de qualidade aos aurinegros. Thomas Delaney e Abdou Diallo, principalmente, tendem a render bem, mas não são mais que coadjuvantes. Já na outra via, a saída de jogadores execrados pela torcida, como Gonzalo Castro, foi mais que bem-vinda.

O Dortmund precisará recobrar o protagonismo dentro do próprio elenco. E a liderança recai sobre Marco Reus. Aos 29 anos, o camisa 11 receberá a braçadeira de capitão. Já passou do momento de ser especulado em outros clubes, assim como não há muitas expectativas de que ele possa fazer mais do que já arrebentou em outros anos de sua carreira. Entretanto, chegou a hora de conversar com a história e se eternizar como um dos maiores ídolos do BVB. Não há momento mais necessário para isso. A regularidade do atacante, sempre efetivo e desequilibrante, pesa ao seu favor. Resta driblar também as lesões, que tanto atravancaram sua carreira nos últimos anos. A sequência é boa e, apesar do vexame na Copa do Mundo, o craque foi um dos poucos a não se manchar na Rússia. Seu foco agora é na camisa amarela que tanto ama, para conduzir o time neste novo momento de transição. E sob as ordens do treinador com o qual eclodiu ao futebol.

No mais, a confiança do Borussia Dortmund recai em elementos conhecidos da torcida. Roman Bürki precisa de regularidade no gol, agora com a sombra de Marwin Hitz. Manuel Akanji e Dan-Axel Zagadou são outros zagueiros que podem crescer. Jeremy Toljan e Raphaël Guerreiro precisam justificar um pouco mais o investimento nas laterais, em um momento que os veteranos do setor passam o bastão. No meio, enquanto Axel Witsel e Thomas Delaney se colocam como novos esteios, Julian Weigl e Mahmoud Dahoud precisam seguir em sua curva de crescimento. Há ainda aquela geração de Nuri Sahin, Shinji Kagawa e Mario Götze, que não pode viver mais apenas da história e de alguns jogos positivos – com o japonês sendo aquele que, pelo desempenho recente, quem mais tem a oferecer. Já na frente, enquanto há a necessidade de um centroavante que substitua Michy Batshuayi, Christian Pulisic e Jadon Sancho podem desequilibrar pelos lados de campo, com idade e capacidade para deslanchar. Todavia, a responsabilidade não pode cair apenas nos ombros dos garotos.

Diante do cenário, a aposta e a referência do Borussia Dortmund estará mesmo no banco de reservas. Lucien Favre possui um estilo de jogo diferente de seus antecessores e talvez represente uma ruptura neste ponto. Mas é um treinador respeitado por bons trabalhos no Gladbach e no Nice, que pode dar a tranquilidade exigida no Signal Iduna Park para uma campanha uniforme na Bundesliga. É o que se espera neste momento em que tantos destaques deixaram os aurinegros e o dinheiro em caixa não foi suficiente para sanar os desejos da torcida. A Muralha Amarela seguirá apoiando incondicionalmente, seja lá o que aconteça. Mas agora tem motivos para voltar a acreditar em um comandante que una o grupo e faça um trabalho consistente, quem sabe para realmente encurtar as distâncias em relação ao Bayern e manter a competitividade até o fim da competição.

Borussia Mönchengladbach

Cidade: Mönchengladbach, Renânia do Norte-Vestfália (260 mil habitantes)
Estádio: Borussia Park (59.724 espectadores)
Fundação: 1900
Participações na Bundesliga: 50
Títulos na era Bundesliga: cinco
Na última temporada: nono colocado
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Raffael
Técnico: Dieter Hecking (desde dezembro de 2016)
Destaque: Lars Stindl
Fique de olho: Denis Zakaria
Principais chegadas: Alassane Pléa (A, Nice), Andreas Poulsen (D, Midtjylland), Michael Lang (D, Basel), Keanan Bennetts (M, Tottenham), Torben Müsel (A, Kaiserslautern)
Principais saídas: Jannik Vestergaard (D, Southampton), Vincenzo Grifo (A, Hoffenheim), Raúl Bobadilla (A, Argentinos Juniors), Reece Oxford (D, West Ham)
Time-base: Sommer, Elvedi (Lang), Ginter, Jantschke, Wendt; Zakaria, Kramer; Raffael (Herrmann), Stindl, Hazard; Pléa

O Borussia Mönchengladbach possui um elenco bem servido, mas que carece de regularidade. Não à toa, as duas últimas campanhas do clube foram um tanto quanto decepcionantes, terminando no meio da tabela da Bundesliga. Em 2017/18, os Potros até esboçaram brigar novamente pela Champions, se mantendo no páreo até o início do primeiro turno. Contudo, a queda na metade final da competição atrapalhou bastante, bem como os resultados ruins fora de casa e o excesso de gols sofridos pela defesa. Mesmo assim, ao contrário do que se poderia imaginar, há uma noção de continuidade no Borussia Park para tentar melhorar os resultados.

Dieter Hecking permanece à frente do time, entrando em sua segunda temporada completa no cargo. Possui vários jogadores tarimbados em seu elenco, com passagem por seleções e experiência na Bundesliga. As referências começam na zaga, com Yann Sommer recuperando a melhor forma e Matthias Ginter justificando o alto investimento na temporada passada. O meio possui Christoph Kramer também voltando ao nível de desempenho que o levou à seleção, enquanto Denis Zakaria desponta como um jovem talento. Já no setor ofensivo, enquanto Raffael e Lars Stindl oferecem muita rodagem aos alvinegros, há a ascensão de Thorgan Hazard, cada vez mais se colocando como um elemento importante da equipe, principal fonte de gols na temporada passada.

De qualquer forma, será interessante observar a maneira como Hecking irá montar a sua linha de frente. Afinal, o principal reforço do Gladbach está no setor. Além do Borussia Dortmund, foi um dos únicos clubes a gastar mais de 20 milhões de euros em um jogador, trazendo Alassane Pléa. O centroavante vinha em crescente com o Nice ao longo das últimas temporadas. Possui potência física, embora saiba se associar bem com os companheiros, abrindo espaços. E já chegou deixando seu cartão de visitas, ao anotar três gols na goleada de 11 a 1 na Copa da Alemanha, que também contou com tripletas de Raffael e Hazard. De certa forma, o francês chega para tentar reproduzir no Borussia Park o fenômeno que Anthony Modeste representou no rival Colônia. Em contrapartida, há certas dúvidas na zaga, após a venda de Jannik Vestergaard ao Southampton.

Pelos desempenhos recentes, é bom ter calma com o andor e não fazer uma aposta tão alta no Gladbach. De qualquer forma, pelo elenco que tem, disputar a vaga na Liga dos Campeões poderia soar natural, como aconteceu recorrentemente nesta década. Resta acertar as carências e fazer o elenco atingir o seu mais alto nível de capacidade. Competir pelas competições europeias é o mínimo, agora com um candidato a se sair bem na artilharia da Bundesliga.

Eintracht Frankfurt

Cidade: Frankfurt am Main, Hesse (736 mil)
Estádio: Commerzbank Arena (51.500 espectadores)
Fundação: 1899
Participações na Bundesliga: 49
Títulos na era Bundesliga: nenhum (um título pré, terceiro como melhor colocação)
Na última temporada: oitavo colocado
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Allan
Técnico: Adi Hütter (desde julho de 2018)
Destaque: Ante Rebic
Fique de olho: Marc Stendera
Principais chegadas: Carlos Salcedo (D, Chivas), Evan N’Dicka (D, Auxerre), Lucas Torró (M, Real Madrid), Gonçalo Paciência (A, Porto), Frederik Rönnow (G, Bröndby), Ante Rebic (A, Fiorentina), Filip Kostic (A, Hamburgo), Allan (M, Liverpool), Nicolai Müller (A, Hamburgo), Felix Wiedwald (G, Leeds)
Principais saídas: Marius Wolf (A, Dortmund), Omar Mascarell (M, Schalke 04), Lukas Hradecky (G, Leverkusen), Kevin-Prince Boateng (M, Sassuolo), Alexander Meier (A, sem clube)
Time-base: Rönnow, Hasebe, Abraham, Salcedo; Da Costa, De Guzmán, Torró, Willems; Fabián, Haller, Gacinovic (Rebic).

O Eintracht Frankfurt começa a temporada como uma das grandes incógnitas da Bundesliga. Os anos recentes foram reconfortantes na Commerzbank Arena. As Águias chegaram a pleitear uma das vagas na Liga dos Campeões, apesar das quedas na reta final, praticamente uma tradição do time. Além disso, o clube reconquistou a Copa da Alemanha em um dos resultados mais marcantes dos últimos anos, derrotando o Bayern em pleno Estádio Olímpico de Berlim. As perspectivas, de qualquer forma, estão sob panos quentes. A equipe perdeu elementos importantes e os primeiros resultados são bastante alarmantes. A quem estava disputando os playoffs contra o rebaixamento há dois anos, a preocupação é natural.

Entre os elementos que deixaram Frankfurt, o adeus do técnico Niko Kovac é o mais notável. O croata foi um dos principais responsáveis pela guinada recente das Águias, ainda que sofra os seus questionamentos. De qualquer forma, mesmo sem ter um estilo de jogo tão bem definido, conseguiu superar as expectativas após salvar o clube da degola. A aposta para substituí-lo foi interessante, ao tirar Adi Hütter do Young Boys, após quebrar a hegemonia do Basel no Campeonato Suíço. No entanto, o início do austríaco é péssimo, especialmente pela falta de segurança defensiva – dentro de uma mentalidade agressiva, marca de seu trabalho anterior. Resultado: além de tomar um sacode do Bayern na Supercopa, a SGE também sucumbiu ao nanico Ulm na Copa da Alemanha e mal teve a chance de buscar o bicampeonato.

O declínio também se explica pela perda de protagonistas em campo. Lukas Hradecky, que segurou as pontas muitas vezes neste período, deixou o gol e vem sendo substituído pelo dinamarquês Frederik Rönnow. Além disso, outros nomes importantes na engrenagem também se despediram das Águias, como Kevin-Prince Boateng, Marius Wolf e Omar Mascarell. Não são exatamente jogadores imprescindíveis, mas deixam as suas lacunas na equipe. Além do mais, o mercado movimentado deixa um elenco inexplicavelmente inchado. Por mais que o clube também vá disputar a Liga Europa, a presença de 37 jogadores no plantel é um tanto quanto exagerada e reforça a noção de indefinição.

Entre os novos contratados, nenhum deixa a impressão que pode se tornar realmente um destaque imediato. Há várias apostas, como jogadores que saíram do Hamburgo e outros jovens sem espaço em clubes de maior projeção da Europa. Os melhores acertos do Eintracht Frankfurt foram mesmo as permanências de Ante Rebic e Carlos Salcedo, dois dos melhores do time na temporada passada. O croata, aliás, vem com moral após a grande Copa do Mundo que fez e gerava interesse em outros clubes. É quem potencializa o setor ofensivo, mas não pode ser sobrecarregado. Pior, há rumores de que Marco Fabián pode seguir ao Besiktas. O exemplo do que aconteceu com o Colônia, rebaixado após uma temporada histórica, está fresco na memória dos alemães. As Águias não podem relaxar e terão que se esforçar para manter o nível dos anos recentes.

Fortuna Düsseldorf

Cidade: Düsseldorf, na Renânia do Norte-Vestfália (613 mil habitantes)
Estádio: Merkur Spiel Arena (54.900 espectadores)
Fundação: 1895
Participações na Bundesliga: 23
Títulos na era Bundesliga: nenhum (um na era pré, terceiro como melhor colocação)
Na última temporada: campeão da segundona
Objetivo: evitar o rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Friedhelm Funkel (desde março de 2016)
Destaque: Rouwen Hennings
Fique de olho: Benito Raman
Principais chegadas: Marvin Ducksch (A, St. Pauli), Benito Raman (A, Standard Liège), Jean Zimmer (D, Stuttgart), Aymen Barkok (M, Eintracht Frankfurt), Davor Lovren (A, Dinamo Zagreb), Kevin Stöger (M, Bochum), Diego Contento (D, Bordeaux), Matthias Zimmermann (M, Stuttgart), Takashi Usami (A, Augsburg), Dodi Lukebakio (A, Watford)
Principais saídas: Genki Haraguchi (A, Hannover 96), Florian Neuhaus (M, Borussia Mönchengladbach)
Time-base: Wolf, Zimmer, Hoffmann, Ayhan, Giesselmann; Fink (Stöger), Sobotka; Lukebakio, Ducksch, Raman; Hennings

O Fortuna Düsseldorf possui muita tradição, mas enfrentou dificuldades nos últimos anos. Viveu na gangorra do Campeonato Alemão e já acumulava cinco temporadas consecutivas na segundona, tantas vezes fazendo campanhas medianas. Pois quando poucos esperavam o sucesso dos alvirrubros, ele aconteceu com uma caminhada bastante estável no topo da última 2. Bundesliga. A equipe manteve-se na zona de acesso durante quase todo o tempo e não teve problemas para confirmar o retorno ao primeiro nível, assim como o título da competição. De qualquer forma, a ordem é manter os pés no chão. A permanência na elite é o principal objetivo.

Entre uma temporada e outra, o Fortuna perdeu peças notáveis, como Haraguchi e Neuhaus, que estavam emprestados. Em compensação, se mexeu bastante no mercado de transferências e trouxe jogadores com experiência em outros clubes da primeira divisão, apesar da pouca idade. Diego Contento, Marvin Ducksch e Takashi Usami puxam a fila entre as figurinhas carimbadas que mais parecem promessas perdidas, mas podem render em um clube sem tanta pressão. Além disso, vale ficar de olho em Dodi Lukebakio, ponta das seleções de base da Bélgica que chega por empréstimo do Watford; e em Benito Raman, outro com rodagem na base belga, que fez uma boa temporada passada em Düsseldorf e agora vem em definitivo, contratado do Standard Liège.

No mais, o Fortuna possui uma base um tanto quanto sólida. O trunfo do time na segundona esteve no seguro sistema defensivo, com a promissora dupla de zaga formada por André Hoffmann e Kaan Ayhan. O meio tem a experiência de Oliver Fink, capitão e remanescente da última passagem do clube pela elite, assim como de Marcel Sobotka. O volante de 24 anos, aliás, é um nome a se prestar atenção. Formado nas categorias de base do Schalke 04, cresceu bastante nas últimas temporadas em Düsseldorf. Já na frente, o protagonismo é de Rouwen Hennings, atacante bastante rodado nas divisões de acesso, que poderá provar o seu valor na elite. O técnico é Friedhelm Funkel, uma espécie de “rei do acesso” no país, com seis promoções – um recorde local. Agora seu desafio é não fazer o caminho inverso. Pelo nível de investimento no elenco, o empenho dos alvirrubros será grande.

Freiburg

Cidade: Freiburg im Breisgau, Baden-Württemberg (226 mil habitantes)
Estádio: Schwarzwald-Stadion (24 mil espectadores)
Fundação: 1904
Participações na Bundesliga: 18
Títulos na era Bundesliga: nenhum (terceiro lugar como melhor colocação)
Na última temporada: 15º colocado
Objetivo: evitar o rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Christian Streich (desde janeiro de 2012)
Destaque: Nils Petersen
Fique de olho: Robin Koch
Principais chegadas: Luca Waldschmidt (A, Hamburgo), Dominique Heintz (D, Colônia), Philipp Lienhart (D, Real Madrid), Jérôme Gondorf (M, Werder Bremen), Mark Flekken (G, Duisburg), Brandon Borrello (A, Kaiserslautern)
Principais saídas: Çaglar Söyüncü (D, Leicester), Mats Möller Daehli (M, St. Pauli), Aleksandar Ignjovski (D, Magdeburgo), Marc Oliver Kempf (D, Stuttgart), Georg Niedermeier (D, Melbourne), Julian Schuster (M, aposentado)
Time-base: Schwolow, Stendel, Gulde, Heintz, Günter; Höfler, Waldschmidt, Gondorf (Koch), Frantz; Kleindienst, Petersen

O Freiburg vai para a sua terceira temporada consecutiva na primeira divisão. Se o retorno da segundona surpreendeu, com a conquista da vaga na Liga Europa, o último ano foi bem mais penoso e a permanência na elite já valeu bastante. É uma equipe que costuma ser competente em casa e contar com um bom sistema defensivo para conquistar os resultados diante de sua torcida. Todavia, precisa de mais alternativas, para não ficar tão dependente do artilheiro Nils Petersen na linha de frente. A missão de conduzir o clube, mais uma vez, é de Christian Streich. O técnico mais longevo da Bundesliga conhece seu time como poucos e está próximo de completar sete anos no comando. Mas sabe que, além da permanência na primeira divisão, o que vier é lucro nas atuais condições.

O mercado de transferências foi bom ao Freiburg. Sobretudo, porque o clube fez bastante dinheiro com a venda de Çaglar Söyüncü ao Leicester. O promissor zagueiro turco superou Maximilian Philipp como venda mais cara dos rubro-negros e, se por um lado desfalca a defesa, permitiu que a diretoria investisse em reforços. Apesar do rebaixamento com o Colônia, Dominique Heintz é um bom substituto ao miolo de zaga. Já ao setor ofensivo chega Luca Waldschmidt, que possui potencial, mesmo sem ser tão preponderante ao Hamburgo. Olho ainda em Philipp Lienhart, que passou pelo clube na temporada passada e tinha contrato com o Real Madrid.

As referências do Freiburg estão nas duas pontas do campo. No gol, Alexander Schwolow ajudou a segurar as pontas para a permanência do clube na última temporada. Já no ataque, o sucesso depende basicamente da fome de gols de Nils Petersen, um centroavante acima da média para o nível da equipe. No último ano, foram 15 tentos, quase metade do total do time. Vale mencionar ainda alguns jovens que ganham espaço, como o lateral Pascal Stenzel, o volante Robin Koch e o atacante Tim Kleindienst. O padrão não é muito alto, mas tem sido suficiente para o time da Floresta Negra fugir da segunda divisão.

Hannover 96

Cidade: Hannover, Baixa Saxônia (532 mil)
Estádio: HDI-Arena (49.200 espectadores)
Fundação: 1896
Participações na Bundesliga: 29
Títulos na era Bundesliga: nenhum (dois na era pré, quarto como melhor colocação)
Na última temporada: 13º colocado
Objetivo: meio de tabela
Brasileiros no elenco: Felipe, Walace
Técnico: André Breitenreiter (desde março de 2017)
Destaque: Niclas Füllkrug
Fique de olho: Waldemar Anton
Principais chegadas: Walace (M, Hamburgo), Genki Haraguchi (A, Hertha Berlim), Josip Elez (D, Rijeka), Kevin Wimmer (D, Stoke), Bobby Wood (A, Hamburgo), Takuma Asano (A, Arsenal)
Principais saídas: Salif Sané (D, Schalke), Felix Klaus (A, Wolfsburg), Martin Harnik (A, Werder Bremen)
Time-base: Tschauner, Sorg, Anton, Wimmer, Ostrzolek; Bebou, Schwegler, Walace, Maina; Asano (Wood), Füllkrug

O Hannover 96 cumpriu o seu objetivo na temporada de volta à primeira divisão, ao permanecer na elite. Depois de um primeiro turno satisfatório, com um início de campanha que deixou o time na zona de classificação às competições europeias, o nível de despencou principalmente no returno. Ainda assim, a folga conquistada de início e as vitórias dentro de casa valeram para que o clube se mantivesse a salvo. Contou com um ataque efetivo principalmente em seu mando e bons valores no elenco. A dificuldade ao técnico André Breitenreiter, no entanto, será justamente lidar com algumas mudanças no plantel.

Melhor jogador do Hannover na temporada passada, Salif Sané saiu. Felix Klaus e Martin Harnik também tiveram sua importância na engrenagem, mas não permaneceram na HDI-Arena. Assim, seria necessário que a diretoria respondesse no mercado de transferências, o que realmente aconteceu. Os vermelhos se aproveitaram bem do desmanche do Hamburgo, ao contratarem Walace e emprestarem Bobby Wood. De outro rebaixado, buscaram o bom Kevin Wimmer na Inglaterra. Além disso, Genki Haraguchi e Takuma Asano representam a legião nipônica, já experimentados no futebol alemão. Ao menos em termos de opções, o plantel parece fortalecido.

Além do mais, há outros jogadores notáveis que permanecem. Na defesa, destaque a Waldemar Anton, de 22 anos. Jogador mais valioso do elenco, o jovem atuou em ótimo nível durante sua primeira temporada na elite e usa a braçadeira, apesar da pouca idade. Tem futuro. Já no ataque, o principal alvo é Niclas Füllkrug, autor de 14 gols e importante no processo de reafirmação dos vermelhos. Olho também no bom ponta Ilhas Bebou e no experiente Pirmin Schwegler, que dão consistência ao meio-campo. E ainda há um atrativo a mais nas arquibancadas, com o retorno efetivo da torcida. Ao longo dos últimos meses, os ultras do Hannover realizaram um boicote à HDI-Arena, em protesto à tentativa de Martin Kind, principal acionista do clube, de quebrar a regra 50+1 e tomar o controle majoritário da instituição. A ideia do empresário, entretanto, acabou barrada pela liga alemã e, embora ele garanta que procurará outros meios, os torcedores decidiram encerrar as manifestações. Serão também um reforço para que o time se estabilize na primeira divisão.

Hertha Berlim

Cidade: Berlim (3,7 milhões de habitantes)
Estádio: Olímpico de Berlim (74.649 espectadores)
Fundação: 1892
Participações na Bundesliga: 35
Títulos na era Bundesliga: nenhum (dois na era pré, vice como melhor colocação)
Na última temporada: 10º colocado
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Pál Dárdai (desde fevereiro de 2015)
Destaque: Marvin Plattenhardt
Fique de olho: Arne Maier
Principais chegadas: Valentino Lazaro (A, Red Bull Salzburg), Lukas Klünter (D, Colônia), Pascal Köpke (A, Erzgebirge Aue), Marko Grujic (M, Liverpool), Javairô Dilsorun (A, Manchester City)
Principais saídas: Mitchell Weiser (D, Leverkusen), Genki Haraguchi (A, Hannover), Julian Schieber (A, Augsburg)
Time-base: Jarstein, Torunarigha, Rekik, Stark; Lazaro, Duda (Skjelbred), Maier (Lustenberger), Plattenhardt; Kalou, Ibisevic, Leckie (Selke)

A um clube que conviveu com a ameaça constante de rebaixamento na virada da década, o Hertha Berlim desfruta da bonança sob as ordens de Pál Dárdai. Os berlinenses se restabeleceram como uma equipe que frequenta o meio da tabela e conquistaram a classificação à Liga Europa em duas temporadas consecutivas. O último ano não foi tão pródigo assim ao clube da capital, sem encontrar a segurança defensiva para almejar posição acima na classificação. De qualquer maneira, é um cenário bem diferente dos temores constantes de outros tempos e que a torcida espera que se mantenha.

O mercado do Hertha acredita principalmente em jogadores jovens. Dilsorun e Grujic chegam da Inglaterra, enquanto Valentino Lazaro foi comprado em definitivo. É um elenco com a segunda menor média de idade da Bundesliga e que espera evoluir nos próximos meses. Há potencial principalmente no sistema defensivo, com Karim Rekik, Niklas Stark e Jordan Torunarigha protegendo a meta defendida pelo bom Rune Jarstein. A confiança nos zagueiros, aliás, ajuda Dárdai na remodelação de sua equipe. Mitchell Weiser é a perda mais notável e, na Copa da Alemanha, o treinador testou um sistema com três atrás. Beneficiou também Plattenhardt, lateral presente na Copa do Mundo, que se destacou na primeira partida oficial da temporada ao anotar um golaço.

O meio-campo possui várias alternativas, embora não sejam jogadores que necessariamente encham os olhos. Per Skjelbred e Fabian Lustenberger aparecem entre os mais regulares. Quem pode despontar no setor é Arne Maier, volante de 19 anos que possui bastante rodagem nas seleções de base. Já o setor ofensivo é onde se concentra a experiência do elenco. Salomon Kalou e Vedad Ibisevic ainda são jogadores importantes na rotação. De qualquer forma, as apostas se concentram em Davie Selke, que finalmente parece eclodir como um jogador de referência e teve um ano razoável em 201/18. Para que os berlinenses ambicionem mais, o centroavante será importante. É um time modesto, mas bem montado, que dependerá da boa fase de seus jogadores se quiser dar algum passo além na tabela.

Hoffenheim

Cidade: Sinsheim, Baden-Württemberg (35 mil habitantes)
Estádio: Wirsol Rhein-Neckar Arena (30.150 espectadores)
Fundação: 1899
Participações na Bundesliga: 10
Títulos na era Bundesliga: nenhum (terceiro como melhor colocação)
Na última temporada: terceiro colocado
Objetivo: vaga na Champions
Brasileiros no elenco: Joelinton, Felipe Pires
Técnico: Julian Nageslmann (desde fevereiro de 2016)
Destaque: Andrej Kramaric
Fique de olho: Nadiem Amiri
Principais chegadas: Kasim Adams (D, Young Boys), Leonardo Bittencourt (A, Colônia), Vincenzo Grifo (A, Gladbach), Ishak Belfodil (A, Standard Liège), Joshua Brenet (D, PSV)
Principais saídas: Mark Uth (A, Schalke), Serge Gnabry (A, Bayern)
Time-base: Baumann, Vogt, Hübner, Akpoguma; Kaderabek, Bittencourt (Amiri), Züber (Grillitsch), Grifo (Demirbay), Schulz; Kramaric, Szalai (Joelinton)

Pairavam algumas dúvidas sobre o Hoffenheim na temporada passada, depois que a equipe perdeu jogadores importantes (e de mão beijada) na janela de transferências. O time de Julian Nagelsmann, no entanto, logo demonstrou que mais importante que as individualidades é o coletivo. Depois de um bom início, a equipe virou os turnos com uma campanha morna, até pegar embalo para uma arrancada espetacular no fim da liga. Terminou na histórica terceira colocação, que valeu a classificação inédita à fase de grupos Liga dos Campeões. Há um conjunto muito forte, embora os alviazuis tenham perdido jogadores de relevo mais uma vez. Resta saber se, em seu último ano à frente do time, Nagelsmann deixará uma marca profunda e conseguirá superar o desempenho. A sequência final deixa expectativas, embora seja necessário ter consciência dos desafios que será conciliar a Bundesliga com a Champions durante os próximos meses.

Já era sabido que o Hoffenheim perderia alguns jogadores. Mark Uth não renovou o seu contrato e foi de graça ao Schalke 04, enquanto Serge Gnabry voltou ao Bayern com o fim de seu empréstimo. Dois dos melhores do time na campanha passada e que deixam as suas lacunas. Nesta janela de transferências, os alviazuis investiram principalmente no talento criativo do meio-campo, com Leonardo Bittencourt e Vincenzo Grifo sendo adições bastante interessantes neste sentido. Ishak Belfodil é uma alternativa ao ataque, enquanto Joelinton deve ser mais usado, após voltar de empréstimo e anotar uma tripleta pela Copa da Alemanha. Já o sistema defensivo ganha o lateral Joshua Brenet e o zagueiro Kasim Adams, que dão profundidade ao grupo. Mesmo assim, desta vez o bilionário Dietmar Hopp ressalta sua gestão consciente e não faz loucuras, mesmo com a conquista da classificação para a Liga dos Campeões.

O Hoffenheim é um dos times que melhor usam sua rotação. Na temporada passada, nenhum jogador fez mais de 24 jogos como titular. Com isso, dá para imaginar que a exigência por também disputar a competição continental se dilua, com opções em todos os setores. A defesa confia no goleiro Oliver Baumann há um bom tempo e possui boas alternativas na linha central, com menção especial ao capitão Kevin Vogt. Dentro do sistema com três defensores, há muita força nas alas com Pavel Kaderabek e Nico Schulz – este, talvez o melhor da equipe na Bundesliga passada. Já na linha de frente, Andrej Kramaric volta com moral da Copa do Mundo. Vai se revezar com Ádám Szalai e com os novatos do plantel. Se não é um time com tantos nomes brilhantes, é bastante completo, e aí está sua força.

No mais, há a grande estrela do grupo, Julian Nagelsmann. Já está mais do que provado nestes dois anos e meio que o jovem treinador tem talento e faz a diferença ao Hoffenheim. Mantém um time com estilo de jogo ofensivo, que sabe muito bem como atuar e que possui variações principalmente a partir das mudanças de peças feitas pelo comandante. O RB Leipzig já assegurou os seus serviços e fez o anúncio de sua contratação para 2018/19. Ainda assim, o técnico possui um contrato para honrar e buscar um bom futuro ao seu sucessor. O desafio na Liga dos Campeões pode ratificar o seu talento para buscar ainda mais.

Mainz 05

Cidade: Mainz, Renânia-Palatinado (210 mil habitantes)
Estádio: Opel Arena (34.000 espectadores)
Fundação: 1905
Participações na Bundesliga: 12
Títulos na era Bundesliga: nenhum (quinto como melhor colocação)
Na última temporada: 15º colocado
Objetivo: fugir do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Sandro Schwarz (desde julho de 2017)
Destaque: Stefan Bell
Fique de olho: Jean-Philippe Gbamin
Principais chegadas: Jean-Philippe Mateta (A, Lyon), Pierre Kunde (M, Atlético de Madrid), Moussa Niakhaté (D, Metz), Aaron Martin (D, Espanyol), Philipp Mwene (D, Kaiserslautern)
Principais saídas: Abdou Diallo (D, Borussia Dortmund), Yoshinori Muto (A, Newcastle), Suat Serdar (M, Schalke), Jonas Lössl (G, Huddersfield), Leon Balogun (D, Brighton), Nigel de Jong (M, Al Ahli), Kenan Kodro (A, Copenhague)
Time-base: Zentner (Adler), Brosinski (Donati), Bell, Niakhaté, Martin; Baku, Gbamin; De Blasis, Maxim, Holtmann (Öztunali); Mateta

O Mainz 05 tem consciência que raios como Jürgen Klopp e Thomas Tuchel não devem vir novamente. Sandro Schwarz é um bom técnico, mas que acaba tendo mais consciência das limitações da equipe, sem uma proposta tão agressiva. Ainda assim, os alvirrubros cumpriram a missão na última temporada. Mantiveram-se acima da zona de rebaixamento e, apesar da queda no segundo turno, se recuperaram na reta final com algumas vitórias imponentes – pra variar, aprontando de novo contra os postulantes ao topo da tabela. Falta um desempenho mais uniforme, principalmente na produção ofensiva.

O mercado de transferências levou vários jogadores fundamentais do Mainz, mas em compensação deixou uma boa grana. As vendas de Abdou Diallo, Yoshinori Muto e Suat Serdar renderam quase 50 milhões de euros. Por isso mesmo, o clube continuou fazendo a roda da fortuna girar, empreendendo metade desse montante e confiando principalmente em jogadores jovens. Nenhum dos reforços passa dos 24 anos. Atletas para se afirmar e render mais com a camisa alvirrubra. Aaron Martin chega por empréstimo à lateral, enquanto os três principais negócios custaram juntos pouco mais de 20 milhões de euros. Jean-Philippe Mateta vem justamente para solucionar a lacuna no ataque e foi o mais caro, após acumular gols com o Le Havre na segundona francesa. Meio-campista central, Pierre Kunde tinha vínculo com o Atlético de Madrid, mas disputou a segundona espanhola com o Granada. Já Moussa Niakhaté ganhou projeção com o Metz na Ligue 1.

Dentre aqueles que já estavam no elenco, o Mainz possui algumas boas peças, mas que não dão perspectivas tão grandes assim. Rene Adler é um goleiro de muita experiência, mas que voltou a sofrer com as lesões na temporada passada. Além de laterais competentes, o miolo de zaga tem o tarimbado Stefan Bell, que incorpora o espírito do time. No meio-campo de jovens, Jean-Philippe Gbamin vem de ótima temporada, e pode ser aquele a dar um salto em breve. Já na criação / ataque, uma porção de jogadores medianos, com Pablo de Blasis rendendo melhor no último ano e Alexandru Maxim começando bem na Copa da Alemanha. O objetivo é mesmo se manter minimamente competitivo e evitar os riscos sem passar tantos apuros.

Nuremberg

Cidade: Nuremberg, Baviera (511 mil habitantes)
Estádio: Max-Morlock (49.923 pagantes)
Fundação: 1900
Participações na Bundesliga: 32
Títulos na era Bundesliga: um título (oito na era anterior)
Na última temporada: vice da segundona
Objetivo: evitar o rebaixamento
Brasileiros no elenco: Ewerton
Técnico: Michael Köllner (desde julho de 2017)
Destaque: Hanno Behrens
Fique de olho: Eduard Löwen
Principais chegadas: Christian Mathenia (G, Hamburgo), Yuya Kubo (A, Gent), Robert Bauer (D, Werder Bremen), Timothy Tillman (M, Bayern)
Principais saídas: Thorsten Kirschbaum (G, Leverkusen), Kevin Möhwald (M, Werder Bremen), Tobias Werner (A, Stuttgart)
Time-base: Bredlow (Mathenia), Valentini, Mühl (Ewerton), Margreitter, Leibold; Petrak, Fuchs (Löwen), Behrens; Salli, Ishak, Zrelak

Segundo maior campeão alemão, muito graças ao seu poderio no período anterior à Bundesliga, o Nuremberg se transformou em um grande ioiô nas últimas décadas. Foram quatro anos na segundona até retornar à elite, incluindo a derrota para o Eintracht Frankfurt nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o clube fez uma campanha segura. Até ficou fora da zona de acesso em parte do primeiro turno, mas fincou o pé na metade final da campanha, terminando na segunda colocação. Teve um ataque bastante produtivo e, mais notável, somou um aproveitamento melhor fora de casa do que em seus domínios. As fundações devem se manter, a começar pelo técnico Michael Köllner, que assumiu os bávaros quando o clube corria riscos de ser rebaixado à terceirona, estabilizando e dando passos graduais até o retorno à primeira divisão.

Nas últimas temporadas, o Nuremberg se caracterizou por manter os pés no chão e não fazer loucuras financeiras. Exatamente o que se viu neste mercado de transferências. O intuito da diretoria foi manter a espinha dorsal da equipe que faturou o acesso, com contratações pontuais e sem custos. Christian Mathenia é um bom goleiro, apesar dos descensos recentes, e chega para disputar posição. Já no ataque, Yuya Kubo vem por empréstimo, após bons momentos no Young Boys e no Gent. Não são nomes consagrados, mas que permitem aos bávaros terem um pouco mais de perspectivas de permanecer na primeira divisão. De resto, a segurança naqueles que já vinham contribuindo ao sucesso.

Na defesa, um dos homens de confiança é o brasileiro Ewerton, que saiu do futebol alagoano e rodou em times portugueses, chegando do Sporting na temporada passada. Os laterais Enrico Valentini e Tim Leibold também foram trunfos pela capacidade no apoio. No meio, o dono do time é Hanno Behrens, que passou por Hamburgo e Darmstadt até desfrutar da idolatria em Nuremberg. Capitão da equipe, possui ótima chegada ao ataque e foi o artilheiro na campanha do acesso, com 14 gols. Perdeu a companhia de Kevin Möhwald, mas tem o volante Eduardo Löwen como um talento em ascensão. Já no ataque, a referência é Mikael Ishak, sueco de origem síria que acumulou gols e também assistências na segundona. À promoção, foi um conjunto suficiente. Resta saber como será a postura com o sarrafo mais alto na Bundesliga. A continuidade é o trunfo que os grenás esperam que valha bastante neste recomeço.

RB Leipzig

Cidade: Leipzig, Saxônia (571 mil habitantes)
Estádio: Red Bull Arena (42.558 espectadores)
Fundação: 2009
Participações na Bundesliga: 2
Títulos na era Bundesliga: nenhum (terceiro como melhor colocação)
Na última temporada: sexto colocado
Objetivo: vaga na Champions
Brasileiros no elenco: Nenhum
Técnico: Ralf Rangnick (desde julho de 2018)
Destaque: Timo Werner
Fique de olho: Dayot Upamecano
Principais chegadas: Nordi Mukiele (D, Montpellier), Matheus Cunha (A, Sion), Marcelo Saracchi (D, River Plate)
Principais saídas: Naby Keita (M, Liverpool), Bernardo (D, Brighton), Benno Schmitz (D, Colônia), Ademola Lookman (A, Everton)
Time-base: Gulácsi, Mukiele, Upamecano, Orban, Klostermann; Sabitzer, Demme, Ilsanker (Kampl), Forsberg; Augustin (Poulsen), Werner

Depois de uma histórica temporada de estreia na Bundesliga, que logo rendeu a classificação à Liga dos Campeões, o RB Leipzig sentiu a queda de rendimento no último ano. Não conseguiu ser uma equipe tão segura na Bundesliga, com os problemas na defesa custando pontos vitais. A sexta colocação pôs um freio na ascensão dos Touros Vermelhos, que ainda tiveram problemas para conciliar a Champions em seu calendário e também não conseguiram sobreviver no torneio continental. O momento é de transição na Red Bull Arena, especialmente pelas mudanças no comando. Ralph Hasenhüttl, que tinha os seus atritos internos, saiu e o substituto será Julian Nagelsmann. Entretanto, o novato chegará apenas em 2019 e a diretoria precisava de um substituto. Assim, apelou a uma solução caseira: Ralf Rangnick voltou ao posto de técnico, deixando temporariamente o cargo de diretor esportivo. É, afinal, o responsável pela afirmação do Hoffenheim na elite e também pelo acesso do RasenBallsport em 2016. Alguém que conhece a casa e pode conquistar bons resultados neste ano.

Rangnick conta com a gratidão de muitos dos destaques do elenco, que ganharam projeção no clube graças a ele. Desta maneira, o anúncio de seu retorno ao banco de reservas agradou diversos protagonistas que tinham propostas de outros clubes. Emil Forsberg e Timo Werner continuam na Red Bull Arena muito por causa disso. Só não deu mesmo para segurar Naby Keita. Maior talento do time, já tinha acertado com o Liverpool e em poucos jogos com os Reds indica o que pode fazer em Anfield. O problema é que deixa uma carência em Leipzig, pelo que oferecia de área a área, entre a presença física na marcação, a qualidade para armar o jogo e as sempre úteis aproximações no ataque para definir. A grande interrogação sobre o RasenBallsport se concentra aí, já que as outras perdas não são tão sentidas assim – com menção honrosa ao coringa Bernardo.

Desta maneira, a maior confiança do Leipzig se deposita em jogadores que podem continuar crescendo com a equipe. A temporada passada teve novos destaques, como Dayot Upamecano despontando na zaga e Jean-Kévin Augustin atazanando nas defesas adversárias por sua qualidade no ataque. O desenvolvimento destes jogadores se torna vital, em um mercado no qual a Red Bull até gastou o seu dinheiro, mas preferiu reforçar posições específicas. Nordi Mukiele e Marcelo Saracchi são dois garotos que chegam para as laterais, entre os maiores prospectos do mundo na posição. Já ao ataque, entrando na rotação, Matheus Cunha veio de uma boa temporada com o Sion e já tem mostrado serviço nas preliminares da Liga Europa.

Questão maior fica mesmo para os velhos astros, que precisam recuperar o impacto da temporada inaugural na elite. Emil Forsberg esteve muito longe de ser o garçom de outros tempos e começa a ser questionado. Já timo Werner ainda manteve bons números, mas vacilou em momentos importantes e volta um pouco queimado da Copa do Mundo. Ao lado deles, nomes como Kevin Kampl, Marcel Sabitzer e Yussuf Poulsen precisam atravessar a fronteira entre ser um jogador promissor e ser um atleta que eleva a qualidade de seu time. Com a Liga Europa no calendário, o Leipzig poderá se dedicar um pouco mais à Bundesliga desta vez, guardando os seus melhores jogadores para buscar o G-4. Depois de temporadas distintas, esta será para provar que a sensação veio para ficar, passando o bastão para que Nagelsmann busque patamares maiores (a Salva de Prata, mais especificamente) no futuro.

Schalke 04

Cidade: Gelsenkirchen, Renânia do Norte-Vestfália (262 mil)
Estádio: Veltins Arena (62.271 espectadores)
Fundação: 1904
Participações na Bundesliga: 50
Títulos na era Bundesliga: nenhum (sete na era pré, vice como melhor colocação)
Na última temporada: vice-campeão
Objetivo: vaga na Champions
Brasileiros no elenco: Naldo
Técnico: Domenico Tedesco (desde julho de 2017)
Destaque: Naldo
Fique de olho: Amine Harit
Principais chegadas: Suat Serdar (M, Mainz), Omar Mascarell (M, Eintracht Frankfurt), Salif Sané (D, Hannover), Hamza Mendyl (D, Lille), Steven Skrzybski (A, Union Berlim), Mark Uth (A, Hoffenheim)
Principais saídas: Thilo Kehrer (D, PSG), Leon Goretzka (M, Bayern), Max Meyer (M, Crystal Palace)
Time-base: Fährmann, Sané, Naldo, Nastasic (Stambouli); Caligiuri, Bentaleb, Harit, McKennie, Baba (Oczipka); Uth (Embolo), Burgstaller

As circunstâncias foram muito bem-vindas ao Schalke 04 na última temporada. Enquanto a maioria dos concorrentes se afundava em meio às próprias dificuldades, os Azuis Reais aproveitaram o bom momento para deslanchar e conquistar o vice-campeonato. A equipe de Gelsenkirchen não chegou a desafiar o Bayern de Munique, mas mas desfrutou de seu crescimento para abrir boa vantagem na segunda colocação. O fato de não disputar as competições continentais certamente ajudou, permitindo que o elenco concentrasse suas forças no campeonato nacional. Ainda assim, há muitos méritos de um time que acumulou vitórias tanto em casa quanto fora, além de contar com uma defesa bem encaixada e um ataque eficiente, importante para que os resultados acontecessem.

O cenário muda um pouco para essa temporada. A Liga dos Campeões surge também como um fardo extra ao Schalke e o time perdeu três de seus melhores talentos. Contudo, há a continuidade de Domenico Tedesco, um treinador bastante promissor que mostrou a que veio logo em seu primeiro ano. De maneira parecida com Julian Nagelsmann, mas um estilo de jogo diferente, conseguiu fazer valer as suas ideias em pouco tempo. A expectativa é de que isso continue rendendo e gere mais frutos, até porque os Azuis Reais trouxeram reforços interessantes e podem se manter competitivos, ao menos para almejar a Champions também na próxima campanha.

As dificuldades do Schalke para segurar suas promessas não vem de hoje, e fez com que o clube perdesse três nomes que deveriam ser vistos como o futuro em Gelsenkirchen. Leon Goretzka ficou tentado pelo Bayern de Munique e saiu de graça, assim como Max Meyer, que pediu um salário alto demais, só encontrando pagador na Inglaterra. Já tinham vivido momentos melhores e mais chamativos no clube, mas não deixam de representar uma lacuna. Já Thilo Kehrer acumulava menos tempo em alto nível, mas agradou logo de cara e atraiu o interesse do PSG. Ao menos rendeu um bom dinheiro, que banca os gastos do Azuis Reais na janela até o momento.

Para ampliar o seu elenco, o Schalke concentrou suas ações em pechinchas e apostas. Mark Uth chega de graça e de um bom ano com o Hoffenheim, enquanto Salif Sané saiu do Hannover por um valor abaixo do mercado, após o ótimo ano na Bundesliga. Suat Serdar e Omar Mascarell também vem bem, mas precisam provar que não passavam apenas por uma boa fase. Já na lateral, olho em Hamza Mendyl, uma das melhores revelações recentes da Ligue 1 no setor, que chega do Lille. Se faltam nomes de mais projeção, o montante gasto pela diretoria vale para referendar que foi um mercado produtivo ao menos neste sentido.

Muitas das apostas reais do Schalke, afinal, já estavam no grupo. No meio-campo, as cartadas da vez são Amine Harit e Weston McKennie, jovens que tiveram seus lampejos ao longo do último ano. Já no ataque, Breel Embolo pode buscar uma sequência melhor e justificar o preço pago pelos Azuis Reais, o que ainda não aconteceu. Juntam-se outros caras de quem se sabe o que dá para esperar, mas ainda assim úteis à engrenagem, a exemplo do centroavante Guido Burgstaller, do ponta Yevhen Konoplyanka, do polivalente Daniel Caligiuri e do zagueiro Matija Nastasic.

Afinal, se a temporada do Schalke é uma conjunção de “se”, há duas certezas em quem se pode confiar plenamente. Ralf Färhmann é um ótimo goleiro, um tanto quanto subestimado, que afirma sua liderança desde que ganhou a braçadeira de capitão. Já no miolo de zaga, a idade está longe de prejudicar Naldo e o veterano fez uma temporada simplesmente espetacular, se tornando o principal motivo para o vice-campeonato. Não há indícios para desacreditar em seu alto rendimento, até por estar bem ancorado no sistema com três zagueiros, com a adição de Salif Sané. Seguir no Top 4 já é suficiente para satisfazer os Azuis Reais. Todavia, em um campeonato que começa com mais incógnitas que o anterior, a equipe se mostrou preparada para aproveitá-las.

Stuttgart

Cidade: Stuttgart, Baden-Württemberg (623 mil habitantes)
Estádio: Mercedes-Benz Arena (60.449 espectadores)
Fundação: 1893
Participações na Bundesliga: 52
Títulos na era Bundesliga: três (mais dois na era pré)
Na última temporada: sétimo colocado
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Tayfun Korkut (desde janeiro de 2018)
Destaque: Mario Gómez
Fique de olho: Santiago Ascacíbar
Principais chegadas: Pablo Maffeo (D, Manchester City), Nicolás González (A, Argentinos Juniors), Borna Sosa (D, Dinamo Zagreb), Gonzalo Castro (M, Dortmund), Daniel Didavi (M, Wolfsburg), Marc Oliver Kempf (D, Freiburg)
Principais saídas: Daniel Ginczek (A, Wolfsburg), Jérôme Anguéné (D, RB Salzburg)
Time-base: Zieler, Maffeo, Pavard, Badstuber (Baumgartl), Insúa; Didavi, Aogo, Ascacíbar (Castro), Thommy; Gómez, González

De volta à primeira divisão na temporada passada, o Stuttgart fez uma das campanhas mais malucas da Bundesliga. Passou todo o primeiro turno acumulando resultados ruins e flertando com a zona de rebaixamento, o que levou a uma mudança no comando. Já a partir de fevereiro, os suábios viraram a chavinha. Perderam apenas um jogo nas últimas 14 rodadas, conquistaram nove vitórias e ficaram a dois pontos da classificação à Liga Europa. Resta saber qual face a equipe mostrará nesta temporada.

O mercado, afinal, foi positivo ao Stuttgart. O clube perdeu Daniel Ginczek, uma das principais referências ofensivas, mas contratou bastante. Pablo Maffeo e Nicolás González são duas boas apostas, aumentando a legião “hispanohablante” na Mercedes-Benz Arena. Além disso, chegam jogadores com experiência na Bundesliga, como o incisivo Daniel Didavi e o questionável Gonzalo Castro. Há um elenco mais profundo para tentar se estabilizar na metade de cima da tabela da Bundesliga. O problema aconteceu pelo primeiro resultado da temporada. Já com alguns dos reforços, os suábios perderam para o Hansa Rostock e se despediram precocemente da Copa da Alemanha.

Tayfun Korkut foi o técnico que chegou e deu um jeito no Stuttgart na temporada passada. Todavia, os resultados anteriores não o referendam tanto assim, com uma série de trabalhos mornos. E o discurso após a queda na Pokal não foi tão convincente, garantindo que acontecerão certas dificuldades. Os suábios precisam lutar para que o sucesso recente não seja algo apenas de ocasião. De qualquer maneira, existem jogadores capazes de manter a toada do segundo turno.

Há uma série de atletas experientes no grupo, em todos os setores. Ron Robert-Zieler, Holger Badstuber, Dennis Aogo e Mario Gómez formam uma espinha dorsal reconhecida. O centroavante, inclusive, voltou à velha casa no returno da Bundesliga passada e, empenhado a disputar a Copa do Mundo, voltou a desfrutar de seus bons momentos. Além disso, outros jovens talentosos se espalham pelo plantel, com destaque especial às atuações excelentes de Benjamin Pavard na zaga, à ascensão de Timo Baumgartl ao seu lado e à proteção de Santiago Ascacíbar na cabeça de área. Os suábios têm motivos para encher a Mercedes-Benz Arena. Para isso, precisam provar que a decepção na Copa da Alemanha é uma mera fatalidade.

Werder Bremen

Cidade: Bremen, Bremen (557 mil habitantes)
Estádio: Weserstadion (42.100 espectadores)
Fundação: 1899
Participações na Bundesliga: 54
Títulos na era Bundesliga: quatro
Na última temporada: 11º colocado
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Florian Kohfeldt (desde novembro de 2017)
Destaque: Max Kruse
Fique de olho: Maximilian Eggestein
Principais chegadas: Davy Klaassen (M, Everton), Yuya Osako (A, Colônia), Felix Beijmo (D, Djurgarden), Martin Harnik (A, Hannover), Stefanos Kapino (G, Nottingham Forest), Kevin Möhwald (A, Colônia)
Principais saídas: Thomas Delaney (M, Dortmund), Jérôme Gondorf (M, Freiburg), Zlatko Junuzovic (M, Red Bull Salzburg), Ishak Belfodil (A, Hoffenheim)
Time-base: Pavlenka, Selassie, Veljkovic, Moisander, Augustinsson; Bargfrede, Eggestein, Klaassen; Osako, Kruse, Kainz (Bartels)

O Werder Bremen se acostumou a conviver com os riscos e as pretensões modestas nas últimas temporadas. No entanto, 2017/18 representou um ano de esperanças aos Verdes. A equipe passou um bom tempo na zona de rebaixamento durante o primeiro turno, mas se recuperou na metade final da competição e até esboçou uma caminhada rumo à Liga Europa. Melhor manter os pés no chão. De qualquer maneira, pelas contratações feitas no mercado de transferências, a impressão é de que a ascensão poderá continuar. A diretoria aproveitou muito bem a janela.

Thomas Delaney saiu e deixou uma carência no meio-campo, é verdade. Mas o dinheiro serviu para que o clube se reforçasse bem do meio para frente. Para a faixa central, o Bremen confia que pode recuperar a melhor forma de Davy Klaassen, após sua passagem frustrante pelo Everton. Ainda ganha de graça Kevin Möhwald, um dos bons valores no acesso do Nuremberg. Já ao ataque, a queda do Colônia permitiu uma oportunidade de mercado com Yuya Osako, que se saiu muito bem na Copa do Mundo. E ainda há Martin Harnik, veterano que fez seus gols com o Hannover, para ajudar na rotação. Isso sem contar Claudio Pizarro, eterno ídolo que vai para a sua quarta passagem pelo Weserstadion – o que o levou a escolher a camisa 4.

Se não tem um elenco de primeira linhagem, o Werder Bremen conta com vários jogadores cumpridores e que podem render em um forte sistema coletivo. A defesa tem dois bons laterais com Theodor Gebre Selassie e Ludwig Augustinsson, valores de seleções de segundo escalão da Europa. Na zaga, o mesmo destaque para Milos Veljkovic e Niklas Moisander. O meio pode ver a ascensão de Maximilian Eggestein, de 21 anos, que vem de ótima temporada. Já em um ataque que conta com várias combinações, a confiança recai sobre Max Kruse. O ex-jogador da seleção reencontrou sua melhor forma no Weserstadion e, mais distante das polêmicas, assumiu a braçadeira de capitão.

No banco de reservas, Florian Kohfeldt é mais uma dessas apostas da nova geração. Com vasta experiência nas equipes de base do Werder Bremen, assumiu a equipe principal em novembro e foi o responsável por livrar os Verdes do risco de rebaixamento. Aos 35 anos, a diretoria espera que o fenômeno visto com Julian Nagelsmann e Domenico Tedesco, de certa forma, possa se reproduzir no norte do país. Por isso mesmo, dá novos elementos para que o comandante consiga triunfar neste início de caminhada.

Wolfsburg

Cidade: Wolfsburg, Baixa Saxônia (124 mil habitantes)
Estádio: Volkswagen Arena (30.000 espectadores)
Fundação: 1945
Participações na Bundesliga: 21
Títulos na era Bundesliga: um
Na última temporada: 16º colocado
Objetivo: evitar o rebaixamento
Brasileiros no elenco: William
Técnico: Bruno Labbadia (desde fevereiro de 2018)
Destaque: Koen Casteels
Fique de olho: Josip Brekalo
Principais chegadas: Daniel Ginczek (A, Stuttgart), Wout Weghorst (A, AZ), Marcel Tisserand (D, Ingolstadt), Jérôme Roussillon (D, Montpellier), Felix Klaus (A, Hannover)
Principais saídas: Daniel Didavi (A, Stuttgart), Divock Origi (A, Liverpool)
Time-base: Casteels, William, Knoch, Brooks (Uduokhai), Roussillon; Guilavogui, Gerhardt, Arnold; Steffen, Ginczek, Brekalo (Malli)

Os sucessos dos tempos de Kevin de Bruyne culminaram em uma debandada no Wolfsburg e até agora agora o clube não soube se reerguer. Some-se a isso também os entraves internos vividos na Volkswagen, dona do clube, e as pretensões se tornaram mais modestas. A mera sobrevivência foi motivo de comemoração nas duas últimas temporadas, quando os Lobos disputaram os playoffs contra o rebaixamento. Não tem mais time para sonhar com a Liga dos Campeões. De qualquer forma, há qualidade suficiente para não repetir o sofrimento recente, causado principalmente pelo aproveitamento desastroso em casa e pela falta de efetividade do ataque.

Responsável pela salvação em 2018, o rodado Bruno Labbadia continua no comando técnico. Confia principalmente em um sistema defensivo que teve um desempenho digno, tão bom ou melhor que alguns dos times que se classificaram às copas europeias. Os números foram sustentados principalmente pelo goleiro Koen Casteels, melhor da posição na Bundesliga passada. A defesa também conta com valores interessantes, como Robin Knoch, John Brooks e o promissor Felix Uduokhai. No meio, vários jogadores com experiência que deveriam ajudar mais, como Josuha Guilavogui, Ignacio Camacho, Yannick Gerhardt e o talentoso Maximilian Arnold, que nem sempre consegue exibir a qualidade que tem. Já na frente, figurinhas carimbadas na Bundesliga, do porte de Jakub Blaszczykowski, Yunus Malli e Admir Mehmedi, além do jovem Josip Brekalo, que agregou desde sua volta ao clube.

Fundamental ao Wolfsburg é que o clube possui bala na agulha para contratar. E assim, chegam vários novos nomes à equipe, principalmente ao ataque. Daniel Ginczek e Wout Weghorst tentarão solucionar o problema da falta de gols, acumulando bons números na última temporada. Além disso, Felix Klaus vem com certo moral do Hannover. Não é o time dos sonhos, longe disso, ainda mais se comparado à memória recente do que se viu na Volkswagen Arena. Todavia, há totais condições para evitar as penúrias das duas últimas temporadas. Pelo valor do grupo e pelos jogadores à disposição, uma estadia tranquila no meio da tabela seria a mínima exigência sobre os Lobos. É o que esperam.