* Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini, do @LaLigaAnálise

La Liga, como sempre, chega nessa nova temporada com diversos elementos especiais. No bolo dos gigantes, não há como não falar da saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid. Mas a equipe madridista, atual tricampeã europeia, não pode ser subestimada. Além disso, Barcelona e Atlético fizeram adesões de peso. O trio de gigantes promete uma briga ferrenha pelo título.

Equipes como Valencia, Sevilla e Betis, com poderio financeiro abaixo dos três maiores, também demonstraram sua força no mercado. Já os médios e pequenos de La Liga não têm o potencial econômico de seus equivalentes na Premier League, por exemplo, mas costumam superar as adversidades com alguns dos melhores trabalhos táticos da Europa, fazendo de qualquer confronto de La Liga um verdadeiro jogo de xadrez. E vários estão, aos poucos, crescendo seu nível de investimento: oito clubes fizeram as maiores contratações de sua história na atual janela de transferências.

Após uma temporada decepcionante, com poucos times excedendo as expectativas, o mercado indica uma Liga muito forte em 2018/19, com belas disputas em todos os segmentos da tabela. Além do futebol técnico e dos times quase sempre muito organizados, quem acompanha o campeonato sabe da riqueza cultural dos duelos entre equipes das mesmas regiões e de regiões distintas, o que agrega um tempero especial a qualquer jogo.

Não faltam ingredientes para ficar atento ao início de La Liga, a partir do dia 17. Neste guia, fazemos um balanço de cada equipe.

Alavés

Cidade: Vitoria-Gasteiz (Comunidade Autônoma: País Basco)
Estádio: Mendizorrotza
Técnico: Abelardo (Espanha)
Posição em 2017/18: 14º (47 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Chegaram: Ximo Navarro (Z, Las Palmas), Adrián Marín (LE, Villarreal), Tomás Pina (MC, comprado em definitivo do Club Brugge), Jony (ME, emprestado pelo Málaga), Twumasi (PD/PE/A, Astana), Borja Bastón (A, emprestado pelo Swansea) e Guidetti (A, comprado em definitivo do Celta)
Saíram: Alexis Ruano (Z, Al-Ahli), Héctor Hernández (LE/ME, pertence à Real Sociedad), Medrán (MC, pertence ao Valencia), Pedraza (ME, pertence ao Villarreal), Bojan (MEI/A, pertence ao Stoke), Hernán Pérez (PD/PE, pertence ao Espanyol), Munir (A, pertence ao Barcelona) e Christian Santos (A, Deportivo La Coruña)

Time-base (4-4-2): Pacheco; Aguirregabiria, Laguardia (Rodrigo Ely), Maripán e Rubén Duarte; Ibai Gómez, Tomás Pina (Dani Torres), Manu García e Jony; Rubén Sobrino (Guidetti) e Borja Bastón.

O Alavés era um caso perdido quando a direção contratou Abelardo Fernández, o terceiro técnico da temporada, no começo de dezembro. Como consequência do desmanche do elenco finalista da Copa do Rei em 2016/17 e da saída de Mauricio Pellegrino, a equipe havia somado apenas seis pontos em 13 rodadas, e amargava a lanterna com o caminho trilhado rumo à segundona. Tudo mudou com Abelardo, que comandou uma arrancada incrível coroada pela salvação com quatro rodadas de antecedência.

A exemplo da temporada passada, algumas das peças importantes foram embora pelo fim de seus empréstimos, casos de Pedraza e de Munir. Mas ao contrário da reformulação completa que se viu obrigado a fazer naquela ocasião, o clube manteve boa parte dos titulares e renovou com o treinador. Esses fatores indicam um Alavés que começa La Liga bem mais pronto do que na anunciada tragédia no início de 2017/18.

Para “substituir” os gols perdidos com a volta de Munir ao Barcelona, a diretoria buscou Borja Bastón por empréstimo, que ajudará bastante caso retome o nível apresentado no Eibar há três temporadas. E para elevar o patamar do setor, Calleri deve ser contratado, também por empréstimo, nos próximos dias. A vaga aberta na meia esquerda pela saída do ótimo Pedraza deve ser preenchida por Jony, bom valor do rebaixado Málaga, que o emprestou por uma temporada ao Alavés depois de seis meses de destaque no Sporting Gijón. Ele brigará por posição com Twumasi, ponta veloz garimpado no Astana.

Na contramão das saídas dos emprestados, Guidetti foi comprado em definitivo do Celta, e seguirá como uma opção útil no ataque. O Alavés também acertou com o Club Brugge a compra de Tomás Pina, titular no meio-campo em quase todos os jogos sob o comando de Abelardo em 2017/18. E vale ficar de olho no jovem Martín Aguirregabiria, de 22 anos, que tomou conta da lateral-direita assim que subiu para o profissional.

Athletic Bilbao

Cidade: Bilbao (País Basco)
Estádio: San Mamés (53.289)
Técnico: Eduardo Berizzo (Argentina)
Posição em 2017/18: 16º (43 pontos)
Títulos: 8 (último: 1983/84)
Projeção: briga por Liga Europa
Chegaram: Capa (LD/MD, Eibar), Yuri Berchiche (LE, Paris Saint-Germain), Ganea (LE, Viitorul) e Dani García (V/MC, Eibar)
Voltaram de empréstimo: Remiro (G, Huesca), Unai López (MEI/MD/ME, Rayo Vallecano) e Villalibre (A, Lorca)
Saíram: Kepa Arrizabalaga (G, Chelsea), Etxeita (Z, emprestado ao Huesca), Saborit (LE, Maccabi Tel Aviv), Vesga (MC, emprestado ao Leganés) e Kike Sola (A, aposentado)

Time-base (4-3-3): Herrerín; De Marcos, Unai Núñez, Iñigo Martínez (Yeray) e Yuri; Dani García, Raúl García e Muniain; Susaeta, Aduriz e Williams.

Muito pela política de jogar apenas com atletas bascos, o Athletic costuma manter uma espinha dorsal ao longo de muitas temporadas. Até a chegada de Iñigo Martínez, zagueiro vindo da rival Real Sociedad em janeiro, a última contratação do clube (não contando retornos de empréstimo) havia sido Raúl García, que veio do Atlético de Madrid em agosto de 2015.

Após muitos anos de sucesso com Ernesto Valverde no comando técnico, a temporada 2017/18 foi para ser esquecida. José Ángel Ziganda passou longe de dar um padrão de jogo à equipe, que apesar do bom elenco, ficou a apenas duas posições da zona de rebaixamento. Após o rotundo fracasso de Ziganda, o argentino Eduardo Berizzo, ex-Celta e Sevilla, foi escolhido como treinador. Discípulo de Marcelo Bielsa e adepto de um futebol bastante ofensivo, Berizzo terá a missão de dar à equipe uma nova identidade.

O clube também se moveu no mercado para oxigenar o plantel. Destaques para Yuri, lateral ex-Real Sociedad, e a dupla ex-Eibar Dani García e Capa – os dois chegaram após o final de seus contratos. Iñigo Martínez, contratado em janeiro para substituir Laporte, terá sua primeira temporada completa como rojiblanco.

Por outro lado, o jovem goleiro Kepa Arrizabalaga deixou o clube rumo ao Chelsea, que pagou a multa de €80 milhões. O sucessor natural, Iago Herrerín, teve uma lesão nos treinos que poderá deixá-lo por um mês fora. Caberá a Álex Remiro, que estava emprestado ao Huesca e foi titular no acesso dos aragoneses, a titularidade no início da temporada.

Em termos de material humano, o Athletic tem um dos melhores elencos da Liga e potencial para brigar por vagas europeias. No entanto, as muitas (para o padrão do clube) mudanças em um elenco que é praticamente o mesmo há anos e o estilo diferente do novo treinador podem ter um custo inicial de adaptação.

Atlético de Madrid

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Wanda Metropolitano (67.829)
Técnico: Diego Simeone (Argentina)
Posição em 2017/18: 2º (79 pontos)
Títulos: 10 (último: 2013/14)
Projeção: briga por título
Chegaram: Adán (G, Betis), Arias (LD, PSV), Rodri (V/MC, Villarreal) Gelson Martins (MD, Sporting Lisboa), Lemar (ME, Monaco) e Kalinic (A, Milan)
Saíram: Vrsaljko (LD, emprestado à Internazionale), Gabi (V/MC, Al-Sadd), Fernando Torres (A, Sagan Tosu) e Gameiro (A, Valencia)

Time-base (4-4-2): Oblak; Juanfran (Arias), Godín, Giménez e Filipe Luis (Lucas Hernández); Ángel Correa (Lemar), Saúl, Thomas Partey e Koke; Griezmann e Diego Costa.

Já faz tempo que o Campeonato Espanhol deixou de ter apenas duas equipes lutando pelo título. Campeão em 2013/14, o Atlético de Madrid está mais do que consolidado entre os gigantes de La Liga, e sua postura no mercado de transferências confirma isso. Além das permanências, o clube gastou 123,5 milhões de euros em contratações.

Depois de muita especulação no Barcelona, Griezmann renovou contrato com os colchoneros e reforçou seu status de craque com uma grande Copa do Mundo. A dupla com Diego Costa dispensa comentários. Outro campeão com a França, o meia Lemar escolheu o Atleti em meio a propostas de diversos grandes da Europa.

O Mundial, por sinal, aumentou as expectativas que cercam a temporada do Atlético. A maioria dos jogadores do clube alcançou alguma dose de destaque na Rússia, casos de Godín, Giménez, Filipe Luis, Lucas Hernández, Griezmann e Diego Costa. Outro do grupo, Vrsaljko pediu para sair e foi emprestado com opção de compra à Internazionale. Arias, que já pedia passagem em uma das grandes ligas há várias temporadas, chegou para brigar por posição com Juanfran.

Para substituir o capitão e ídolo Gabi, que se transferiu para o Catar, a diretoria agiu rápido e contratou Rodri, do Villarreal, uma das principais revelações da última temporada da Liga. O estilo de jogo implantado por Diego Simeone transformou o Atlético em um time extremamente sólido, que sofre pouquíssimos gols e quase sempre marca os seus. Diante de um Barcelona que ainda busca seu melhor futebol sob o comando de Valverde e de um Real Madrid em reformulação após as saídas de Zidane e de Cristiano Ronaldo, o Atleti tem sua maior chance de reconquistar a Espanha.

Barcelona

Cidade: Barcelona (Catalunha)
Estádio: Camp Nou (99.354)
Técnico: Ernesto Valverde
Posição em 2017/18: 1º (93 pontos)
Títulos: 25 (último: 2017/18)
Projeção: briga por título
Chegaram: Lenglet (Z, Sevilla), Arthur (MC, Grêmio), Arturo Vidal (MC, Bayern) e Malcom (PD, Bordeaux)
Voltaram de empréstimo: Rafinha (MC/MD, Internazionale) e Munir (A, Alavés)
Saíram: Mina (Z, Everton), Digne (LE, Everton), André Gomes (MC/V, Everton), Paulinho (MC/MD, emprestado ao Guangzhou Evergrande), Iniesta (MC/ME, Vissel Kobe) e Aleix Vidal (MD/LD, Sevilla)

Time-base: Ter Stegen; Semedo, Piqué, Umtiti (Lenglet) e Alba; Sergi Roberto, Busquets, Rakitic (Arthur/Vidal) e Coutinho (Dembélé); Messi e Suárez.

Campeão com apenas uma derrota, defesa pouco vazada e ataque de 99 gols. Os números da temporada passada podem sugerir um Barcelona sem margem para melhora na Liga, mas o time, por diversas vezes, deixou a desejar quanto ao nível de futebol jogado, e contou com a excelência de Ter Stegen e de Messi – que sempre estará lá resolvendo jogos – para conseguir resultados. Ainda assim, a realidade que parecia de terra arrasada para Ernesto Valverde após a saída de Neymar terminou com doblete doméstico.

O estilo do treinador ainda encontra resistência de certas alas da torcida. Ver o Barcelona jogar no 4-4-2, por vezes se impondo fisicamente, de fato soa estranho para quem se acostumou com uma única filosofia durante vários anos, mas foi a forma rápida que Valverde encontrou para tornar sua equipe competitiva. A transição blaugrana ficou ainda mais evidenciada pela saída de Iniesta, símbolo máximo da identidade do clube desde que Xavi se despediu.

Paulinho foi a personificação dessa ruptura, mas já voltou para a China. Seu substituto, Arturo Vidal, também se destaca pela imposição física, mas pode ser um meio termo interessante entre as convicções de Valverde e os anseios culés. E é justamente esse desejo por alguém com as características do Barcelona de Guardiola que agigantou as expectativas em torno de Arthur. O volante revelado pelo Grêmio já chegou como herdeiro da 8 de Iniesta, mas precisará repetir o nível mostrado no Brasil para ganhar minutos na posição em que terá a concorrência de Rakitic e de Vidal.

Outro ponto que desperta curiosidade é sobre o posicionamento de Coutinho. Seguirá como meia pela esquerda, na posição que era ocupada por Iniesta, ou também entrará no rodízio dos que jogam por dentro? Tudo dependerá do que Valverde quer para a temporada. Com a melhoria do elenco, que também ganhou o aporte de Malcom para as pontas, a cobrança em cima do treinador será maior para que o Barcelona vença, mas também convença.

Celta

Cidade: Vigo (Galícia)
Estádio: Balaídos (29.000)
Técnico: Antonio Mohamed (Argentina)
Posição em 2017/18: 13º (49 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Chegaram: Néstor Araujo (Z/LD, Santos Laguna), Juncà (LE, Eibar), Yokuslu (V/MC/Z, Trabzonspor), Fran Beltrán (MC/V, Rayo Vallecano), Jensen (MC, Nordsjaelland) e Boufal (MEI/MD/ME, emprestado pelo Southampton)
Voltaram de empréstimo: Iván Villar (G, Levante), David Costas (Z/LD, Barcelona B), Borja Fernández (MC/V, Reus), Hjulsager (PE/MEI, Granada) e Beauvue (A/PD/PE, Leganés)
Saíram: Sergi Gómez (Z, Sevilla), Fontàs (Z, Sporting Kansas City), Jonny (LE, Atlético de Madrid/Wolverhampton), Pablo Hernández (MC, Independiente), Wass (MC/MD, Valencia) e Lucas Boyé (A, pertence ao Torino)

Time-base (4-3-3): Rubén Blanco (Sergio); Hugo Mallo, Roncaglia (Araujo), Cabral e Juncà; Fran Beltrán, Lobotka e Brais Méndez (Jozabed); Aspas, Maxi Gómez (Eckert) e Sisto.

O Celta tem lutado para se consolidar como equipe da parte mais nobre da tabela. Após três bons anos com Eduardo Berizzo, coroados com a semifinal da Liga Europa em 2016/17, melhor campanha internacional do clube da história, em 2017/18 o time galego foi apenas discreto.

Nos últimos anos, a maior característica do Celta tem sido a ousadia com a bola e a busca pelo protagonismo independentemente da circunstância, o que já o levou a muitos resultados inesquecíveis, inclusive contra os grandes – um time agradável de se assistir. Mas também tem sido marcado por uma defesa facilmente exposta, sempre entre as mais vazadas da Liga.

Antonio Mohamed, treinador argentino ex-Monterrey, terá sua primeira experiência na Europa e tem a missão de comandar uma equipe que teve várias perdas importantes – principalmente do meio para trás. As saídas de Daniel Wass, Pablo Hernández e Jonny, três figuras fundamentais para os celestes nos últimos anos, serão particularmente sentidas.

Por outro lado, o time foi ao mercado e teve como adesão mais empolgante o jovem meio-campista Fran Beltrán, ex-Rayo. Outro meia, Okay Yokuşlu, da seleção turca, também foi contratado. O lateral Juncà, ex-Eibar, é uma boa reposição para Jonny, por muitos anos titular da equipe. No entanto, o maior trunfo é a manutenção do letal trio de ataque: Iago Aspas, Maxi Gómez e Pione Sisto. Juntos, os três marcaram 46 gols na última temporada.

De forma geral, o time é uma grande incógnita. Em sua história, o Celta é caracterizado por grandes oscilações em espaços curtos de tempo, e tantas perdas podem ter um impacto forte. Na pré-temporada, a equipe não venceu nenhum jogo e tem preocupado o torcedor. Porém, a qualidade ofensiva é de fazer inveja à maioria das equipes. Caberá a Mohamed trazer algo que tem faltado em Balaídos nos últimos anos: equilíbrio entre ataque e defesa para atingir outro nível de competitividade.

Eibar

Cidade: Eibar (País Basco)
Estádio: Ipurua (7.083)
Técnico: José Luis Mendilibar (Espanha)
Projeção: briga pela permanência
Posição em 2017/18: 9º (51 pontos)
Títulos: 0
Chegaram: Bigas (Z, emprestado pelo Las Palmas), José Antonio Martínez (Z, Barcelona B), Sergio Álvarez (MC/V, Sporting Gijón), Orellana (MD/ME/MEI, comprado em definitivo do Valencia) e Marc Cardona (A/PD/PE, emprestado pelo Barcelona B)
Voltaram de empréstimo: Gálvez (Z, Las Palmas), Elgezabal (Z, Numancia) Rivera (MC/V, Barcelona B), Pere Milla (ME/MD/MEI, Numancia), Hervías (MD/ME/MEI, Valladolid) e Bebé (ME/MD, Rayo Vallecano)
Saíram: Capa (LD/MD, Athletic), Lombán (Z), Juncà (LE, Celta), Dani García (MC, Athletic), Alejo (MD/ME, Getafe) e Inui (ME, Betis)

Time-base (4-4-2): Dmitrovic (Yoel); Calavera (Rubén Peña), Paulo Oliveira, Arbilla e José Ángel; Orellana, Escalante, Joan Jordán (Diop) e Pedro León (Bebé); Sergi Enrich e Kike García (Charles).

O Eibar é uma daquelas exceções que chamam a atenção no futebol. Representando uma cidade de menos de 30.000 habitantes, os armeros subiram para a categoria máxima do futebol espanhol pela primeira vez em 2014 e a jogarão pela quinta vez seguida. Desde o primeiro ano (2014/15), em que o time havia caído, mas foi salvo por problemas financeiros do Elche, melhorou de colocação a cada temporada, até atingir o nono lugar em 2017/18.

Com um dos menores orçamentos da Liga, sempre monta seus plantéis com diversos jogadores em fim de contrato, por empréstimo ou a custos de transferência muito baixos, resultando em muitas mudanças a cada temporada. Isso valoriza ainda mais o trabalho de José Luis Mendilibar, no comando desde 2015, e que terá outro grande desafio em 2018/19.

Dessa vez, não houve uma debandada em massa, mas algumas saídas de peças fundamentais, como os laterais Ander Capa e Juncà, o meio-campo Dani García e o ponta japonês Inui – todos ao final de seus contratos, isto é, sem compensação financeira ao clube. Nas chegadas, o destaque maior vai para a compra em definitivo do chileno Orellana junto ao Valencia. Ele e Pedro León serão individualidades de fundamental importância nessa temporada.

Mesmo considerando que o Eibar precisa sempre enfrentar adversidades, talvez o desafio desta temporada seja o maior dos últimos anos. Não são saídas simples de se suplantar, até porque incluíram referências técnicas e de liderança – no caso do capitão Dani García, passa pelos dois fatores.

Dessa forma, o time basco, que baseou o seu crescimento na filosofia de equilíbrio e pés no chão, terá que ter esse referencial em mente mais do que nunca em 2018/19. Tendo a permanência como foco central, o sonho do Eibar é encontrar nos jogadores que permaneceram uma espinha dorsal que possa assegurar o futuro armero na elite do futebol espanhol por mais tempo.

Espanyol

Cidade: Barcelona (Catalunha)
Estádio: RCDE Stadium (40.500)
Técnico: Rubi (Espanha)
Posição em 2017/18: 11º (49 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Chegaram: Sergio Sánchez (Z/LD, comprado após fim de empréstimo), Darder (MC/V, comprado em definitivo do Lyon) e Borja Iglesias (A, Celta)
Voltaram de empréstimo: Roberto Jiménez (G, Málaga), Hernán Pérez (PD/PE, Alavés) e Álvaro Vázquez (A, Gimnàstic)
Saíram: Pau López (G, Betis), Navarro (LD, Watford), Aarón Martín (LE, emprestado ao Mainz), Carlos Sánchez (V, pertence à Fiorentina), Jurado (MEI/ME, Al-Ahli), Morillas (A, V-Varen Nagasaki) e Gerard Moreno (A, Villarreal)

Time-base (4-3-3): Diego López; Javi López, David López, Hermoso e Dídac Vilà; Víctor Sánchez, Roca e Darder; Léo Baptistão, Borja Iglesias e Piatti.

Nas duas temporadas sob o comando de Quique Sánchez Flores, o Espanyol viveu bons momentos em um sólido 4-4-2 que tinha Gerard Moreno como um dos melhores atacantes do país. Em 2018/19, tudo será diferente. Desgastado pela campanha irregular na Liga, Sánchez Flores foi demitido ainda na reta final de 2017/18. Para comandar a nova fase dos pericos, a aposta foi em Rubi, treinador que deu uma guinada em sua carreira ao colocar o Huesca de forma inédita na primeira divisão.

O caso de Gerard Moreno é um capítulo à parte. O atacante era um sistema ofensivo por si próprio. Como consequência, tornou-se a venda mais cara da história do clube ao se transferir por 20 milhões de euros para o Villarreal. E para repor a venda mais cara de sua história, o clube lançou mão de sua maior compra ao pagar dez milhões de euros por Borja Iglesias, que pertencia ao Celta. A estreia é justamente contra o ex-clube, em Vigo.

A realidade ao longo da temporada pode ser outra, até por se tratar da estreia do jogador na elite, mas o Espanyol parece ter acertado em cheio. O “Panda” Iglesias, que marcou 22 gols pelo Zaragoza na Segunda, já chegou sendo o líder da equipe nas seis vitórias na pré-temporada (100% de aproveitamento), e mostrou entrosamento com Léo Baptistão e Piatti. Centroavante de 1,87m, sua importância vai além dos gols e do porte físico. O ótimo pivô facilita a chegada dos meias e dos pontas, e o trato da bola é acima da média para alguém com sua altura. Iglesias erá essencial para o time fazer um campeonato sem sustos e sonhar com uma improvável vaga na Liga Europa.

Sem reforços para o meio-campo, a principal notícia para os pericos foi a compra definitiva de Sergi Darder, que deve jogar mais avançado e se tornar peça fundamental com Rubi. Na defesa, o que mais preocupa é a perda de Aarón Martín. Aos 21 anos, o lateral-esquerdo já estava consolidado como um dos melhores da posição na liga. Sondado por grandes clubes, acabou emprestado com opção de compra ao Mainz, e deixou um vazio difícil de ser preenchido por Dídac Vilà.

Getafe

Cidade: Getafe (Madri)
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez (17.393)
Técnico: José Bordalás (Espanha)
Posição em 2017/18: 8º (55 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga por Liga Europa
Chegaram: Soria (G, Sevilla), Chichizola (G, Las Palmas), Cabrera (Z/LE, comprado em definitivo do Crotone), Miquel (Z/LE, Málaga), Vitorino Antunes (LE, comprado em definitivo do Dínamo de Kiev), Markel Bergara (V/MC, comprado após fim de empréstimo), Arambarri (MC/V, comprado em definitivo do Boston River), Maksimovic (MC, Valencia), Alejo (MD/ME, Eibar), Jaime Mata (A, Valladolid) e Sergi Guardiola (A, emprestado pelo Córdoba)
Voltaram de empréstimo: Yáñez (G, Cádiz) e Ibáñez (PD/PE, Osasuna)
Saíram: Guaita (G, Crystal Palace), Emiliano Martínez (G, pertence ao Arsenal), Molinero (LD, Sporting Gijón), Mathías Olivera (LE/ME, emprestado ao Albacete), Flamini (V), Sergio Mora (MC), Álvaro Jiménez (MD/ME), Dani Pacheco (ME, Málaga) e Rémy (A, pertencia ao Las Palmas)

Time-base: Soria (Chichizola), Damián Suárez, Djené, Bruno González e Vitorino Antunes; Portillo (Alejo), Bergara (Maksimovic), Arambarri (Shibasaki) e Amath Ndiaye (Ibáñez); Ángel Rodríguez e Jorge Molina (Jaime Mata).

Se o critério for expectativa x desempenho, nenhum time fez uma Liga melhor que o Getafe em 2017/18. Pouco cotada na volta à Primeira por conta do elenco limitado, a equipe se provou muito difícil de ser batida, e brigou pela Liga Europa até a penúltima rodada, ficando a apenas quatro pontos da sonhada vaga. Como os azulones perderam só o goleiro Guaita de titular e aumentaram a profundidade do elenco com reforços pontuais, o trabalho brilhante de José Bordalás tem tudo para seguir evoluindo.

A característica que mais chama a atenção é, de longe, o desempenho defensivo. Atrás apenas de Atlético e Barcelona, o Getafe foi o terceiro time menos vazado do campeonato (33 gols). Era evidente a relevância de Guaita para esse feito, só que a aposta dupla em Soria e Chichizola deve manter o nível na meta. E a principal conquista do clube na janela, até o momento, foi mesmo a permanência do ótimo zagueiro togolês Djené Dakonam, uma das gratas surpresas da última temporada.

Em uma liga em que vários dos principais times sentem dificuldades de encontrar o equilíbrio entre defesa e ataque, a equipe de Bordalás sabe muito bem o que fazer quando tem a posse, com um jogo físico bastante eficiente. Tudo quase sempre concluído pelos gols do artilheiro Ángel Rodríguez.

Na mesma linha da contratação de Ángel na janela passada, procedente da segunda divisão, desta vez o Getafe buscou Jaime Mata, que brilhou com 35 gols no acesso do Valladolid, e Sergi Guardiola, terceiro maior goleador do campeonato, pelo Córdoba. Ambos chegam para aumentar o poder de fogo dos azulones e brigar por vaga na dupla de ataque que deve iniciar com Ángel e o veterano Jorge Molina, embora este último ainda possa deixar o clube.

Girona

Cidade: Girona (Catalunha)
Estádio: Montilivi
Técnico: Eusebio Sacristán (Espanha)
Projeção: meio de tabela
Posição em 2017/18: 10° (51 pontos)
Títulos: 0
Chegaram: Muniesa (Z/LE, comprado em definitivo do Stoke City) e Mojica (LE/ME, comprado em definitivo do Rayo)
Saíram: Maffeo (LD, pertencia ao Manchester City), Douglas Luiz (MC/V, pertence ao Manchester City), Amagat (MEI/MC, New York City) e Olunga (A, pertence ao Guizhou Hengfeng)

Time-base (4-3-3): Bono; Aday Benítez (Pedro Porro), Juanpe, Bernardo e Mojica (Muniesa); David Timor (Pere Pons), Álex Granell e Aleix García; Portu, Stuani (Lozano) e Borja García.

Numa rara temporada em que os três promovidos permaneceram na elite, o Girona de 2017/18 talvez tenha oferecido o futebol mais atrativo dos três. Com um jogo de muita consciência com a posse de bola e uma forma de atuar bem definida tanto em casa como fora, o Girona chegou até a sonhar com Europa, mas teve uma queda brusca nas últimas dez rodadas.

Se o treinador Pablo Machín, comandante do acesso e da temporada de sucesso no “debut” do time catalão em La Liga, foi para o Sevilla, o time praticamente passou ileso pelo mercado até aqui. Mesmo com jogadores de destaque como Stuani, Portu e Granell, a única perda entre os titulares foi a do lateral Maffeo, que pertencia ao City e foi vendido ao Stuttgart. Mojica e Muniesa, que estavam no clube por empréstimo, foram comprados em definitivo. Para uma equipe do porte do Girona, a manutenção da base bem-sucedida é o maior reforço.

Eusebio Sacristán, ex-Real Sociedad, terá a missão de dar continuidade ao trabalho de Machín. Eusebio teve bons momentos no comando da equipe basca, inclusive com classificação para a Liga Europa, mas na parte final do trabalho, sua equipe mostrava uma grande vulnerabilidade defensiva, sobretudo nas transições. Pelo que foi exibido na pré-temporada, é esperado que o time mude da linha de cinco de Machín para um 4-3-3.

Nessa temporada, a tendência é o nível da Liga aumentar, principalmente porque equipes de peso que foram muito mal em 2017/18 estão se preparando para melhorar – casos de Athletic, Real Sociedad e Espanyol, por exemplo. Ainda assim, o Girona, também conhecido por sua parceria com o Manchester City, é um clube que tem mostrado boa organização interna, e com o bom plantel que tem, tem todas as condições de se manter na elite sem sustos.

Huesca

Cidade: Huesca (Aragão)
Estádio: El Alcoraz (5.500)
Técnico: Leo Franco (Argentina)
Posição em 2017/18: 2º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Chegaram: Axel Werner (G, emprestado pelo Atlético de Madrid), Miramón (LD/MC, Reus), Rúben Semedo (Z, emprestado pelo Villarreal), Etxeita (Z, emprestado pelo Athletic), Pablo Insua (Z, emprestado pelo Schalke 04), Luisinho (LE, Deportivo La Coruña), Musto (MC, emprestado pelo Tijuana), Serdar Gürler (PD/PE/A, Osmanlispor) e Samuele Longo (A, emprestado pela Internazionale)
Saíram: Remiro (G, pertence ao Athletic), Alexander González (LD, Elche), Nagore (LD), Carlos David (Z, Saint Gilloise), Jair Amador (Z, Maccabi Tel Aviv), Luso (V/MC, Rayo Majadahonda), Kilian Grant (MD/LD, UCAM Murcia)m Vadillo (ME/MD, Granada), Rescaldani (A, pertence ao Atlético Nacional)

Time-base (4-4-2): Werner; Miramón, Pulido, Etxeita e Luisinho; Moi Gómez, Semedo, Melero e Gallar; Longo e Cucho Hernández.

Pela terceira temporada consecutiva, La Liga terá um estreante. Depois dos sucessos de Leganés e de Girona em suas incursões, o sarrafo ficou alto para o Huesca, que será o 63º time a jogar na elite do futebol espanhol, apenas 11 anos depois de debutar na segunda divisão. O exemplo mais compatível com a pretensão dos azulgranas, no entanto, é o do Eibar, debutante em 2014/15, como as cores do uniforme já sugerem.

Eibar e Huesca são de cidades pequenas, jogam em estádios acanhados, e encontraram na administração consciente a chave para suas conquistas. El Alcoraz, por sinal, será o menor estádio do Espanhol, com capacidade para 5.500 pessoas – pouco mais de 10% da população municipal. O desafio de se consolidar na Primeira é grande para um clube de orçamento bastante reduzido, e que ainda perdeu seu técnico, Rubi, agora do Espanyol.

Embora tenha havido mudanças no gol e nas laterais, os aragoneses mantiveram uma espinha dorsal interessante com o zagueiro Pulido, o meia Melero, revelado nas canteras do Real Madrid, e a revelação colombiana Cucho Hernández, de 19 anos, que teve seu empréstimo renovado pelo Watford. Para completar a equipe, a busca foi por jogadores já adaptados a La Liga, casos de Etxeita e de Luisinho. O atacante italiano Samuele Longo, já emprestado pela Internazionale a diversas equipes, é outro que chega como titular.

A temporada também será de estreia para o ex-goleiro argentino Leo Franco, que se aposentou no Huesca, virou dirigente e agora substituirá Rubi no comando. Para buscar a desejada competitividade diante de adversários maiores, o novo treinador mudou o estilo do time. Mais focados em propor o jogo com Rubi, os azulgranas agora terão uma postura reativa, centrada na solidez defensiva e nas rápidas transições.

Um desafio a mais para Melero, cabeça pensante do time, que precisará se adaptar ao novo esquema. O potencial goleador dele e de Cucho Hernández, dupla que marcou 33 gols no inédito acesso, será fundamental para garantir os resultados.

Leganés

Cidade: Leganés (Madri)
Estádio: Butarque (11.454)
Técnico: Mauricio Pellegrino (Argentina)
Posição em 2017/18: 17º (43 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Chegaram: Juanfran (LD, emprestado pelo Deportivo La Coruña), Omeruo (Z, emprestado pelo Chelsea), Tarín (Z/LD, Barcelona B), Jonathan Silva (LE, emprestado pelo Sporting Lisboa), Rubén Pérez (V/MC, comprado em definitivo), Facundo García (MC, Olimpo), Mikel Vesga (MC/MEI, emprestado pelo Athletic), Óscar Rodríguez (MEI/MC, emprestado pelo Real Madrid), Arnáiz (ME/MEI/A, Barcelona B), Guido Carrillo (A, emprestado pelo Southampton), Diego Rolán (A, emprestado pelo Deportivo La Coruña), Michael Santos (A, emprestado pelo Málaga) e Ojeda (PE/PD/A, Lorca)
Voltou de empréstimo: Mamadou Koné (A, Eupen)
Saíram: Champagne (G, pertence ao Olimpo), Zaldua (LD, pertence à Real Sociedad), Tito (LD, Rayo Vallecano), Mantovani (Z, Las Palmas), Diego Rico (LE, Bournemouth), Brasanac (MC, pertence ao Betis), Omar Ramos (MD/ME), Amrabat (MD/ME, pertence ao Watford), Beauvue (A/PD/PE, pertence ao Celta), Guerrero (A, Olympiacos) e Naranjo (PE/PD/A, pertence ao Genk)

Time-base (4-2-3-1): Serantes (Cuéllar); Juanfran, Muñoz, Siovas e Raúl García (Jonathan Silva); Rubén Pérez, Gumbau (Facundo García), El Zhar, Vesga e Ojeda; Carrillo.

Em cinco temporadas, o Leganés saiu da terceira divisão, chegou de forma inédita à elite do futebol espanhol e alcançou a semifinal da Copa do Rei, com direito a uma histórica classificação contra o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. O comandante de todo esse processo, Asier Garitano, resolveu colocar um ponto final em sua brilhante passagem pelo clube após assegurar a permanência em La Liga pela segunda temporada consecutiva.

Sem seu grande líder, os pepineros fizeram uma aposta segura em Mauricio Pellegrino. Apesar do fracasso pelo Southampton na temporada passada, o argentino fez um grande trabalho em 2016/17 pelo então recém-promovido Alavés, que terminou La Liga em 9º e foi finalista da Copa do Rei. Pellegrino, portanto, sabe muito bem gerenciar um elenco limitado e modificado, de baixo custo, que tem a permanência na elite como principal objetivo.

Ponto de equilíbrio da equipe que se mostrou muito sólida em seus melhores meses na última temporada, a dupla Rubén Pérez e Gabriel Pires pode virar exército de um homem só. O versátil meia brasileiro atraiu o interesse de diversos clubes e sua venda pode ser sacramentada nos próximos dias. Seria uma perda enorme que baixaria o Lega de patamar, embora as chegadas de Arnáiz e de Óscar Rodríguez, promessas de Barcelona e de Real Madrid, respectivamente, aumentem a esperança.

No setor ofensivo, reformulação. Os empréstimos de Omar Ramos, Amrabat e Beauvue terminaram, e Guerrero foi para o Olympiacos. Para suprir essas perdas, chegaram o ponta Ojeda, que agradou na pré-temporada, e os atacantes Carrillo e Rolán. Carrillo, por sinal, é o homem de confiança de Pellegrino. Estava com ele no Estudiantes, foi comprado pelo Southampton em janeiro e agora chega emprestado ao Leganés para ajudar na missão de fazer os pepineros seguirem sonhando.

Levante

Cidade: Valencia (Valencia)
Estádio: Ciutat de València (26.354)
Técnico: Paco López (Espanha)
Posição em 2017/18: 15º (46 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Chegaram: Aitor Fernández (G, Numancia), Coke (LD, comprado em definitivo do Schalke 04), Cabaco (Z, comprado em definitivo do Nacional do Uruguai), Prcic (V/MC, Rennes), Vukcevic (V/MC, Braga), Rochina (MEI/MD/ME, comprado em definitivo do Rubin Kazan), Moses Simon (ME/MD/MEI, Gent) e Dwamena (A/PD/PE, FC Zürich)
Voltaram de empréstimo: Saveljich (Z/LD, Albacete), Verza (V, Almería), Rubén García (MD/ME/MEI, Sporting Gijón), Samu García (MD/A, Málaga) e Javier Espinosa (MEI/MC, Granada)
Saíram: Iván Villar (G, pertence ao Celta), Raúl Fernández (G, Las Palmas), Lerma (V/MC, Bournemouth), Lukic (V/MC, pertence ao Torino), Al-Muwallad (MD/MEI, pertence ao Al-Ittihad), Ivi (ME/MD/A, emprestado ao Valladolid), Alegría (A, pertence ao Betis) e Pazzini (A, pertence ao Hellas Verona)

Time-base (4-4-2): Aitor Fernández (Oier); Coke (Pedro López), Postigo (Cabaco), Chema Rodríguez e Toño (Luna); Jason (Rochina), Campaña, Vukcevic (Prcic) e Morales (Bardhi); Dwamena (Boateng) e Roger.

O Levante foi a maior montanha-russa da Liga passada. Chegou a ficar 15 rodadas sem vencer, mas emendou uma sequência final com oito vitórias em 11 jogos. No triunfo mais marcante, os 5 a 4 que impediram o Barcelona de ser campeão invicto. Antes treinador do Levante B, foi Paco López quem comandou a equipe no sprint final. Agora, precisará mostrar que sua relevância não se resumiu ao impacto imediato.

A equipe é entrosada, tem jogadores de qualidade que podem fazer a diferença e perdeu apenas um titular, Lerma, que saiu para o Bournemouth como maior venda da história do clube – cerca de 30 milhões de euros. E assim como o Espanyol, o clube granota abriu a carteira para repor uma perda importante com a contratação mais cara: nove milhões pelo montenegrino Vukcevic, do Braga, que deve formar a dupla de volantes com Campaña.

A manutenção do treinador e do time, além de reforços pontuais do mercado alternativo, são um passo importante para se colocar acima de equipes que precisam se remontar à base de empréstimos a cada ano. Nos seus melhores momentos, o Levante é capaz de ser sólido e apresentar um jogo bastante vistoso no ataque, sobretudo por conta de um jogador: José Luis Morales.

Trata-se de um atleta que certamente entraria na seleção da “parte pobre” do campeonato. Quando tem a bola em seus pés e arranca a partir da esquerda, é difícil pará-lo, pois alia velocidade, potência e drible. E não decepciona na hora de concluir as jogadas, como provam seus dez gols e oito assistências na última Liga – participação em 40% dos gols do Levante.

Morales pode atuar na linha de meias ou no ataque com Roger Martí, centroavante que perdeu a maior parte da última temporada por ruptura do ligamento cruzado. Quem adquiriu importância como parceiro de Roger, sob o comando de Paco López, foi o ganês Emmanuel Boateng, mas uma lesão no menisco o deixará de fora até o fim de setembro. Chance para seu compatriota Dwamena, garimpado no FC Zürich, mostrar que tem futebol para jogar em uma grande liga.

Rayo Vallecano

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Vallecas (14.790)
Técnico: Míchel (Espanha)
Posição em 2017/18: 1º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Chegaram: Alberto García (G, comprado em definitivo após fim de empréstimo), Tito (LD/LE/Z, Leganés), Luis Advíncula (LD/MD, emprestado pelo Tigres UANL), Emiliano Velázquez (Z, comprado em definitivo do Atlético de Madrid), Amat (Z/V, emprestado pelo Swansea), Medrán (MC/V, emprestado pelo Valencia), José Pozo (MEI/MD/ME, Almería) e Kakuta (MEI/ME/MD, Hebei Fortune)
Voltaram de empréstimo: Bangoura (PD/PE, Almería) e Noblejas (LE, Córdoba)
Saíram: Mario Fernández (G, Cartagena), Galán (LD/Z, Rayo Majadahonda), Baiano (LD/LE, Alanyaspor), Amaya (Z, UCAM Murcia), Beltrán (MC/V, Celta), Al-Sulaiheem (MC, pertence ao Al-Shabab), Francisco Cerro (MC, Defensa y Justicia), Alejandro Domínguez (MEI), Unai López (MEI/MD/ME, pertence ao Athletic), Diego Aguirre (ME/LE, Real Zaragoza), Bebé (ME/MD, pertence ao Eibar), Raúl de Tomás (A, pertence ao Real Madrid) e Manucho (A)

Time-base (4-2-3-1): Alberto García, Advíncula (Tito), Velázquez (Ba), Amat e Akieme (Álex Moreno); Comesaña, Trejo, Embarba, Pozo e Kakuta; Javi Guerra.

Dentre as equipes promovidas, o Rayo é a que tem a maior experiência recente na categoria máxima do futebol espanhol. O time emplacou quatro temporadas seguidas em La Liga, desde 2011/12, até ser rebaixado na última rodada de 2015/16. Dois anos depois, a equipe está de volta após ser campeã da Segunda.

O treinador Míchel, ex-meia com mais de 350 jogos com a camisa rayista e em seu primeiro trabalho como técnico, está há um ano e meio no comando – não confundir com o outro Míchel, que treinou o Málaga na temporada passada. Quando chegou, salvou a equipe que lutava contra o rebaixamento para a terceira divisão, e na sua primeira temporada completa, já conseguiu o acesso. Míchel tem o DNA do Rayo e tentará escrever mais um capítulo bonito na luta para mantê-lo na elite.

Entretanto, as dificuldades serão grandes na volta dos franjirrojos. Pelo menos três saídas de peso acometeram a parte criativa/produtiva da equipe. Primeiramente, Raúl De Tomás, o homem-gol do acesso, protagonista da campanha vitoriosa do Rayo com 24 bolas na rede. Emprestado pelo Real Madrid, o atacante retornou aos blancos para esta temporada. Os meio-campistas Fran Beltrán (vendido ao Celta) e Unai López (estava emprestado pelo Athletic Bilbao) também serão ausências bastante sentidas.

O clube se mexeu no mercado para repor as muitas perdas que sofreu. Dentre as principais chegadas estão Advíncula, lateral com passagem pelo futebol brasileiro e que fez boa Copa com o Peru, o ponta francês Kakuta e o zagueiro Jordi Amat, que já tiveram passagens por empréstimo pelo clube, e o meio-campo Álvaro Medrán, emprestado pelo Valencia.

Se na última passagem pela elite o Rayo era marcado pela ousadia de Paco Jémez no comando técnico, desta vez espera-se um futebol mais discreto. A apaixonada torcida sonha que seja competitivo o suficiente para continuar em La Liga.

Real Betis

Cidade: Sevilha (Andaluzia)
Estádio: Benito Villamarín (60.720)
Técnico: Quique Setién (Espanha)
Posição em 2017/18: 6º (60 pontos)
Títulos: 1 (1934/35)
Projeção: briga por Champions
Chegaram: Pau López (G, Espanyol), Joel Robles (G, Everton), Barragán (LD, comprado em definitivo do Middlesbrough), Sidnei (Z, Deportivo La Coruña), William Carvalho (V/MC, Sporting Lisboa), Canales (MEI/MD/MC, Real Sociedad) e Takashi Inui (ME, Eibar)
Voltaram de empréstimo: Tosca (LE/Z, Benevento), Brasanac (MC, Leganés), Narváez (MEI/MD/ME, Córdoba) e Alegría (A, Levante)
Saíram: Adán (G, Atlético de Madrid), Dani Giménez (G, Deportivo La Coruña), Rafa Navarro (LD, Alavés), Amat (Z/V, pertence ao Swansea), Durmisi (LE, Lazio), Fabián Ruiz (MC, Napoli), Camarasa (MC, emprestado ao Cardiff), Joel Campbell (PD/PE/A, pertence ao Arsenal) e Rubén Castro (A, Las Palmas)

Time-base (5-3-2): Pau López, Francis (Barragán), Feddal (Sidnei), Mandi (Javi García), Bartra e Junior Firpo; William Carvalho, Guardado e Joaquín (Canales); Boudebouz e Loren Morón (Sergio León).

O Real Betis voltou a ser grande em 2017/18. A nova etapa parece ser definitiva, pois o clube está bem resolvido financeiramente e conseguiu melhorar seu elenco com um mercado invejável, de ótimas contratações e poucos gastos. Com quase tudo a favor, salvo a perda de Fabián Ruiz para o Napoli, a meta agora é se instalar no top 4 para voltar à Champions, objetivo que também é palpável via Liga Europa.

O divisor de águas para Betis e Quique Setién se deu em janeiro, quando o técnico partiu para o esquema com três zagueiros assim que Bartra chegou ao clube. Famoso pelo futebol vistoso e propositivo, com longas trocas de passe, Setién implementou seu estilo desde o início, mas o time carecia de competitividade por conta do desastroso desempenho defensivo, mesmo problema que o perseguiu no Las Palmas. A linha de cinco trouxe efeito imediato, sobretudo pelo alto nível de Bartra.

Adán garantiu anos de segurança no gol, mas foi bem reposto por Pau López, em fim de contrato no Espanyol. Jogadores como Junior Firpo, ala esquerdo que saiu das canteras, e Loren Morón, atacante do Betis B, foram outros que ficaram em evidência pelo ótimo segundo turno da equipe. Junto à experiência de atletas como Guardado e Joaquín, e à técnica de Canales e de Boudebouz, são elementos suficientes para acreditar que os verdiblancos têm uma temporada ainda melhor pela frente. A cereja no bolo foi a contratação de William Carvalho, que eleva o patamar do meio-campo com sua qualidade para ser o primeiro homem do setor.

Uma das maiores expectativas para 2018/19, a briga pela quarta vaga entre Valencia e Betis, com Sevilla e Villarreal correndo por fora, promete ser de altíssimo nível, ao contrário da temporada passada. O maior desafio para os béticos será o aperfeiçoamento do equilíbrio entre defesa e ataque, já que os concorrentes diretos também caminham para esse destino.

Real Madrid

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Santiago Bernabéu (81.044)
Técnico: Julen Lopetegui (Espanha)
Posição em 2017/18: 3º (76 pontos)
Títulos: 33 (último: 2016/17)
Projeção: briga por título
Chegaram: Courtois (G, Chelsea), Lunin (G, Zorya Luhansk), Odriozola (LD, Real Sociedad) e Vinícius Júnior (PE/PD, Flamengo)
Voltaram de empréstimo: Fábio Coentrão (LE, Sporting Lisboa), Ødegaard (MD/MEI, Heerenveen) e Raúl de Tomás (A, Rayo Vallecano)
Saíram: Achraf Hakimi (LD/LE, emprestado ao Borussia Dortmund) e Cristiano Ronaldo (A/PE, Juventus)

Time-base (4-3-3): Courtois (Keylor Navas); Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Casemiro, Kroos e Modric; Bale, Benzema e Isco (Asensio).

São tempos diferentes no Real Madrid. O clube é mais espectador do que personagem das grandes transferências. A não ser que haja uma bomba perto do fechamento da janela, Florentino Pérez segue firme com sua ideia de apostar em jovens talentos – Odriozola e Vinícius Júnior – e aproveitar eventuais oportunidades de mercado, como aconteceu com Courtois. A estratégia, no entanto, pode ser perigosa, a partir do momento que se perde um jogador do patamar de Cristiano Ronaldo, responsável por uma cota altíssima de gols.

A Champions League sempre será o que tem de mais importante para o Real Madrid, mas os quatro títulos europeus nos últimos cinco anos mascaram um desempenho doméstico pífio em uma década. Embora a vantagem para o Barcelona ainda seja de oito troféus, o Madrid conquistou apenas duas das dez últimas Ligas, número que preocupa o clube. Sem a maior referência, Cristiano Ronaldo, Julen Lopetegui buscará a regularidade que faltou a Zidane em 2017/18. Foi um dos fatores decisivos para o francês optar pela saída.

Mais do que a missão de comandar a equipe em uma temporada de transição, sem reforços impactantes até o momento, Lopetegui sofre uma pressão extra em todo o país por conta dos desentendimentos que culminaram em sua demissão da seleção espanhola, às vésperas da Copa do Mundo. O trunfo do treinador é o bom relacionamento com vários dos jogadores comandados por ele na seleção. A começar por Isco, de quem extraiu o máximo ao dar liberdade para circular pelo campo.

A torcida ainda clama por um grande reforço que chegue para assumir o vazio deixado por Cristiano Ronaldo. Sem contar com isso, Lopetegui aposta em soluções caseiras: Bale e Asensio. Companhia de Benzema no ataque, a dupla dividiu a artilharia madridista na pré-temporada. Em relação a Bale, sempre haverá a desconfiança pelas lesões, pois ninguém duvida de seu nível. Asensio pede passagem como titular, mas é difícil imaginar que alguém entre Casemiro, Kroos, Modric, Isco, Bale e Benzema saia da equipe.

Em meio a tantas questões pendentes, Vinícius Júnior foi unanimidade nas primeiras aparições vestindo a camisa do Real Madrid. A princípio uma peça para rodar entre o Castilla e o time principal, a revelação do Flamengo pode adquirir importância por oferecer características escassas no atual elenco.

Real Sociedad

Cidade: San Sebastian (País Basco)
Estádio: Anoeta (32.076)
Técnico: Asier Garitano (Espanha)
Posição em 2017/18: 12º (49 pontos)
Títulos: 2 (último: 1981/82)
Projeção: meio de tabela
Chegaram: Theo Hernández (LE, emprestado pelo Real Madrid) e Mikel Merino (V/MC, Newcastle)
Voltaram de empréstimo: Zaldua (LD, Leganés) e Héctor Hernández (LE/ME, Alavés)
Saíram: Toño (G, Larnaca), Odriozola (LD, Real Madrid), Carlos Martínez (LD, Real Oviedo), Xabi Prieto (MC, aposentado) e Canales (MEI/MD/MC, Real Betis)

Time-base (4-3-3): Moyà (Rulli); Zaldua, Elustondo (Diego Llorente), Héctor Moreno e Theo Hernández; Mikel Merino (Zubeldia), Illarramendi e Zurutuza; Oyarzabal, Willian José e Juanmi (Januzaj/Sangalli).

A reforma do Anoeta, que perdeu sua pista de atletismo e ganhou um visual mais moderno, dá o tom da transição que a Real Sociedad atravessa. Quinze anos depois, o meio-campo não terá o toque refinado de Xabi Prieto, que dedicou toda a carreira profissional ao clube e se aposentou como lenda txuri-urdin. Odriozola, grande revelação na lateral-direita e jogador de seleção, foi vendido ao Real Madrid.

Para completar a reformulação, o time se caracterizou por ser extremamente ofensivo – e muitas vezes frágil – com Eusebio Sacristán, e agora apostou em Asier Garitano, que prima pela solidez defensiva. O técnico basco terá o desafio de conduzir o processo e encontrar esse ponto de equilíbrio para subir mais um degrau na carreira, após a brilhante passagem pelo Leganés.

Três jogadores remanescentes serão essenciais para a nova Real. A começar por Illarramendi, novo capitão e herdeiro natural de Xabi Prieto no meio-campo. De contrato renovado até 2023 e com uma cláusula de 70 milhões de euros, o camisa 4 já está mais do que consolidado entre os melhores do país. A camisa 10 ficou para Oyarzabal, um veterano de 21 anos de idade.

Ao contrário de Iñigo Martínez, o atacante recusou proposta do rival Athletic, e optou por renovar até 2022, com um dos melhores salários do elenco. Pressões externas que não devem afetar um jogador que já era titular e uma das referências técnicas aos 19 anos. Além de atuar pelas pontas, Oyarzabal pode aparecer por dentro no time de Garitano, a depender da variação para o 4-2-3-1. Quem fecha o trio de ferro é Willian José, que só melhora – e faz mais gols – a cada temporada. Todas as ações ofensivas da Real têm o centroavante como alvo, e sua dominância no jogo aéreo é algo que ainda garantirá muitos pontos à equipe.

Ao contrário dos demais postulantes a vagas europeias, a Real Sociedad pouco se movimentou no mercado, fator que dificulta a missão. Revelação do Osasuna sem brilho por Borussia Dortmund e Newcastle, Mikel Merino pode agregar valor ao meio-campo. E o empréstimo de Theo Hernández desperta curiosidade, pois é uma potencial válvula de escape pela esquerda, desde que recupere o nível mostrado no Alavés.

Sevilla

Cidade: Sevilha (Andaluzia)
Estádio: Ramón Sánchez-Pizjuán (43.500)
Técnico: Pablo Machín (Espanha)
Posição em 2017/18: 7º (58 pontos)
Títulos: 1 (1945/46)
Projeção: briga por Champions League
Chegaram: Vaclík (G, Basel), Gnagnon (Z, Rennes), Sergi Gómez (Z, Celta), Amadou (V/Z), Lille), Roque Mesa (MC/V, comprado em definitivo do Swansea), Aleix Vidal (MD/LD, Barcelona) e André Silva (A, emprestado pelo Milan)
Voltou de empréstimo: Borja Lasso (ME/MEI, Osasuna)
Saíram: Soria (G, Getafe), Layún (LD/LE/MD, pertence ao Porto), Lenglet (Z, Barcelona), Carole (LE, pertence ao Galatasaray), Geis (V/Z, pertence ao Schalke 04), Pizarro (V/MC, Tigres UANL), N’Zonzi (V/MC, Roma), Joaquín Correa (ME/MD, Lazio) e Sandro Ramírez (A/PD/PE, pertence ao Everton)

Time-base (3-4-2-1): Vaclik; Mercado, Kjaer e Sergi Gómez (Gnagnon); Jesús Navas (Aleix Vidal), Banega, Roque Mesa e Escudero; Sarabia e Franco Vázquez (Nolito); Ben Yedder (Muriel/André Silva)

Após um ano absolutamente caótico, com três treinadores, goleadas sofridas e apenas uma vaga na Liga Europa (depois de uma disputa ferrenha com o Getafe), o Sevilla busca escrever uma página bem diferente em 2018/19. Pablo Machín, autor de um trabalho de muito sucesso no Girona, foi o escolhido para iniciar esse novo ciclo.

No mercado, o time teve algumas baixas importantes, como os franceses Lenglet e N’Zonzi e o goleiro Sergio Rico, mas repostas por jogadores do perfil que o Sevilla se caracteriza por contratar: jovens promissores, oportunidades de mercado ou jogadores escanteados em times maiores. O zagueiro Gnagnon, de apenas 21 anos, merece atenção. André Silva chega por empréstimo do Milan após má temporada na Itália. Para o gol, o tcheco Vaclík, por muitos anos titular absoluto do Basel, é a esperança do Sevilla.

Diferentemente de seus adversários, o período de pré-temporada do Sevilla tem passado longe de ser amistoso. Com as etapas prévias da Liga Europa e a Supercopa recém-disputada contra o Barcelona, Machín está tendo que desenvolver seu modelo de jogo de forma rápida. O treinador tem mostrado preferência pelo esquema tático que o levou ao sucesso no Girona: o 3-4-3/3-4-2-1. A impressão deixada na Supercopa foi excelente, apesar da derrota de 2 a 1, sobretudo se compararmos ao vexame passado pelos nervionenses alguns meses atrás, na final da Copa contra o mesmo Barcelona.

Dentre as equipes fora do grupo dos três melhores times da Liga, o Sevilla tem lutado ano a ano para se consolidar como a quarta força do país. Com um plantel superior ao de fortes concorrentes, o principal objetivo é voltar à Champions, competição disputada nas últimas três temporadas, mas que o clube fica de fora em 2018/19. Com um Valencia bastante fortalecido e o seu arquirrival Betis dando sinais claros de crescimento após anos de ostracismo, além da força de clubes como Villarreal e Athletic Bilbao, a briga por vagas europeias será intensa, e o Sevilla sempre é um dos favoritos nela.

Valencia

Cidade: Valencia (Valencia)
Estádio: Mestalla (55.000)
Técnico: Marcelino García Toral (Espanha)
Posição em 2017/18: 4º (73 pontos)
Títulos: 6 (último: 2003/04)
Projeção: briga por Champions
Chegaram: Piccini (LD, Sporting Lisboa), Diakhaby (Z, Lyon), Racic (V/MC, Estrela Vermelha), Kondogbia (MC/V, comprado em definitivo da Internazionale), Wass (MC/MD/LD, Celta), Batshuayi (A, emprestado pelo Chelsea) e Gameiro (A, Atlético de Madrid)
Voltou de empréstimo: Nacho Gil (ME/MD, Las Palmas)
Saíram: Nacho Vidal (LD, Osasuna), Maksimovic (MC, Getafe), Andreas Pereira (MC/MD/ME, pertence ao Manchester United), Gonçalo Guedes (ME, pertence ao Paris Saint-Germain) e Vietto (A, pertence ao Atlético de Madrid)

Time-base (4-4-2): Neto; Piccini, Garay (Gabriel Paulista), Murillo (Diakhaby) e Gayà; Wass, Kondogbia, Parejo e Carlos Soler; Rodrigo e Gameiro (Santi Mina).

A maior parte dos times, principalmente os do escalão logo abaixo de Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, decepcionou na última temporada de La Liga. O Valencia foi a notável exceção. Anos de muitos gastos e campanhas pífias ficaram para trás com o futebol efetivo e disciplinado da equipe de Marcelino García Toral, garantindo a volta de Los Che à Champions League.

O calendário será bem mais pesado nessa temporada, devido à participação europeia, mas o Valencia foi bem ao mercado, repôs as perdas, e pode-se dizer que subiu seu elenco de patamar. Para o ataque, opções como Rodrigo, Zaza, Batshuayi, Gameiro e Santi Mina mostram a força do Valencia para 2018/19.

No meio-campo, Kondogbia, uma das peças mais importantes para o equilíbrio do time, foi comprado em definitivo junto à Internazionale. Além do mais, Daniel Wass, dinamarquês vindo do Celta de Vigo chega para reforçar (e muito) o setor. Wass é um jogador técnico, inteligente taticamente e muito versátil – podendo jogar em todas as funções da faixa central no 4-4-2 de Marcelino.

Um fator que pode mudar tudo (para melhor) é o possível retorno de Gonçalo Guedes, emprestado pelo PSG na última temporada e que se tornou um dos pilares do sucesso da equipe de Marcelino. Guedes voltou para o PSG, mas o Valencia negocia com o clube francês em busca da contratação em definitivo do português, que mostrou uma química perfeita com o clube em 2017/18.

O Valencia teve uma classificação recente para a Champions: em 2014/15, quando ficou em quarto lugar após uma boa temporada, tal qual no ano passado. Mas 2015/16 traz péssimas lembranças aos torcedores, com uma Liga medíocre e eliminação na fase de grupos do torneio europeu. Com um elenco fortíssimo e as lições daquele ano aprendidas, espera-se que o desfecho seja diferente. Depois de muito tempo, a esperança voltou ao Mestalla.

Valladolid

Cidade: Valladolid (Castilla y León)
Estádio: José Zorrilla (26.512)
Técnico: Sergio González (Espanha)
Posição em 2017/18: 5º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Chegaram: Alcaraz (MC, Girona), Keko (MD, emprestado pelo Málaga), Daniele Verde (MD/ME/MEI, emprestado pela Roma) e Ivi (ME/MD/A, emprestado pelo Levante)
Voltou de empréstimo: Guitián (Z/V, Sporting Gijón)
Saíram: Becerra (G, Gimnàstic), Rotpuller (Z/LD), Deivid (Z, Las Palmas), Borja Herrera (LE/ME, pertence ao Las Palmas), Al-Mousa (MC/MD, pertence ao Al-Fateh), Hervías (MD/ME/MEI, pertence ao Eibar), Gianniotas (MD/ME/MEI, pertence ao Olympiacos), Ontiveros (MD/ME/MEI, pertence ao Málaga), Iban Salvador (PD/A, Celta B), Toni Martínez (A, pertence ao West Ham) e Jaime Mata (A, Getafe)

Time-base (4-2-3-1): Masip; Moyano, Olivas, Calero e Nacho García; Alcaraz, Míchel Herrero (Borja Fernández), Verde (Keko), Plano e Ivi; Chris Ramos.

O Valladolid tem, de longe, a situação mais dramática dos recém-promovidos, e as perspectivas no retorno à Primeira não são nada animadoras. A irregularidade já era uma marca da equipe na segunda divisão. O atual técnico, Sergio González, só assumiu a oito rodadas do fim dos pontos corridos, na esperança de levar os blanquivioletas aos playoffs. Deu certo, com um desempenho impecável nos duelos de mata-mata.

A princípio, só dois titulares saíram. O problema é que aí está incluso o artilheiro da segundona, Jaime Mata, autor de 35 dos 78 gols marcados pelo Pucela em 46 jogos. O outro, Hervías, também foi um titular importante e colaborou com seis gols. A diretoria já prometeu um atacante para a vaga de Mata, agora jogador do Getafe, mas só deve contratar com o campeonato em andamento.

Até lá, crescerá a responsabilidade dos meias e pontas, visto que Chris Ramos é titular no ataque por absoluta falta de opção. Contratado em janeiro, o centroavante de 21 anos disputou apenas seis jogos (um como titular). Aquisições por empréstimo para reforçar o reduzido elenco nos lados do campo, Keko, Verde e Ivi precisarão de adaptação imediata para auxiliar no setor que tem bom nível na faixa central, embora algumas das peças careçam de maior experiência na primeira divisão.

Diante desse cenário dramático, Sergio González precisará operar um milagre para fazer do Valladolid um time competitivo em seu retorno a La Liga. Sem poder de fogo, o discurso de treinador e jogadores prega solidez defensiva. Como vários dos últimos promovidos já mostraram, é esse o caminho mais fácil para se firmar na elite com elenco limitado e orçamento reduzido.

Villarreal

Cidade: Villarreal (Valencia)
Estádio: Estadio de la Cerámica (23.500)
Técnico: Javi Calleja (Espanha)
Posição em 2017/18: 5º (61 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga por Liga Europa
Chegaram: Layún (LD/LE/MD, Porto), Funes Mori (Z/LE, Everton), Cáseres (V, Vélez Sarsfield), Cazorla (MC, Arsenal), Toko Ekambi (A/PE, Angers) e Gerard Moreno (A, Espanyol)
Voltaram de empréstimo: Pedraza (ME/LE, Alavés) e Matías Nahuel (ME/MD/MEI, Barcelona B)
Saíram: Rukavina (LD/LE, Astana), Rúben Semedo (Z, emprestado ao Huesca), Rodri (V/MC, Atlético de Madrid), Salem Al-Dawsari (MD/ME, pertence ao Al-Hilal), Cheryshev (ME, emprestado ao Valencia), Roger Martínez (A, América do México) e Carlos Bacca (A, pertence ao Milan)

Time-base (4-4-2): Asenjo; Mario Gaspar, Álvaro González, Víctor Ruiz (Funes Mori) e Jaume Costa; Bruno Soriano (Ramiro Guerra/Cáseres), Layún, Trigueros (Cazorla) e Fornals; Toko Ekambi e Gerard Moreno.

Já são cinco temporadas seguidas no top 6. Sequência alcançada após uma passagem pela segunda divisão, de um clube que está longe de ser um dos maiores do país e que nunca fez contratações megalomaníacas. O Villarreal é um sucesso consolidado de La Liga, mas as metas são cada vez mais ambiciosas, e muitos são os atrativos que cercam a temporada. Com claros destaques para dois retornos – em circunstâncias diferentes: Santi Cazorla e Gerard Moreno.

Cazorla passou por um calvário no Arsenal e cogitou a aposentadoria pelas cirurgias e inflamações no pé. Quase dois anos depois de sua última partida, aos 33 de idade, o meia buscou o recomeço no futebol em suas origens. E nada de salário milionário: 500 mil euros, com gatilhos de 20 mil por cada partida jogada. Caso consiga a estabilidade física, é uma opção a mais para o ótimo meio-campo que Javi Calleja tem à disposição, embora alguns fatores causem dúvidas.

Castillejo, camisa 10 e homem do drible, está de malas prontas para o Milan, em operação que deverá trazer Carlos Bacca de volta ao clube groguet. Outra incógnita, a de Bruno Soriano, chama a atenção. Aos 34 anos, o volante, capitão e maestro do time perdeu uma temporada inteira por cirurgia na perna, e só voltou a treinar recentemente. O impacto de sua ausência foi amenizado pelo grande desempenho de Rodri, que acabou vendido por 25 milhões de euros ao Atlético. A aposta da vez é em Cáseres, destaque de 21 anos do Vélez Sarsfield.

Outros dois jovens, Pablo Fornals e Alfonso Pedraza, podem dar o salto definitivo. Multiuso, Fornals foi um dos mais regulares na temporada passada, seja pelo meio, mais recuado, pelos lados ou até no ataque. Pedraza, de ótimo desempenho no empréstimo ao Alavés, vai ser peça importante para oferecer verticalidade do lado esquerdo. Mas foi no investimento no ataque que o Villarreal deixou bem claro: quer brigar por Champions.

Toko Ekambi (Angers, 18 milhões) e Gerard Moreno (Espanyol, 20 milhões) foram as contratações mais caras da história do clube. Dupla comprada para deixar as saudades de Bakambu, vendido em janeiro, para trás. Assim como Cazorla, Gerard tornou-se profissional no Submarino Amarelo. As três temporadas no Espanyol o transformaram em um dos melhores atacantes da Espanha, e seu retorno eleva a equipe a outro patamar. De Champions? Muito difícil, só se todas as dúvidas virem certezas.

* Guilherme Bianchini, é jornalista e repórter do Jornal do Brasil. Daniel Souza é economista e escreve sobre futebol quando a vida permite. Ambos administram o perfil La Liga em Análise.