Em meio à enxurrada de atenção à Copa do Mundo, a notícia não repercutiu tanto no final de junho. A Uefa deu sinal verde para a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante as competições continentais, algo que era proibido até então. E, com o início da temporada 2018/19, a medida começa a ser comemorada pelos próprios clubes participantes, vislumbrando um novo caminho para incrementar os lucros nos dias de jogo. Nesta quinta, por exemplo, o Copenhague estabeleceu a tabela de preços em seu estádio. Patrocinado por uma cervejaria, além dos copos de cerveja da Carlsberg, o clube dinamarquês também venderá shots de destilados em seu bar.

A medida da Uefa, assim como em outros lugares, visava evitar episódios de violência ao restringir a venda de bebidas alcoólicas. O que, fica claro, não adianta em muita coisa. As brigas continuaram acontecendo muitas vezes nos arredores dos estádios, bem como os bons bebedores sempre davam um jeito de encher a cara. Considerando ainda os próprios patrocinadores das competições, parecia incongruente a postura. Desta forma, nada mais óbvio que tentar alavancar os rendimentos nos dias de jogo.

Conforme o regulamento, a venda e a distribuição de bebidas alcoólicas dentro dos estádios ainda precisarão respeitar os limites estabelecidos pela legislação local. Anteriormente, as bebidas alcoólicas só eram permitidas em camarotes e áreas restritas previamente autorizadas. O sucesso de vendas de cervejas durante a Copa do Mundo de 2018 teria sido um dos propulsores à mudança na Uefa, levando em conta ainda os praticamente nulos índices de violência entre torcidas ocorridas na competição.

Quando a mudança no estatuto foi confirmada, em junho, a organização que representa os torcedores europeus publicou uma nota celebrando a postura. “Por um longo tempo, os torcedores de futebol se sentiram injustamente tratados, em comparação àqueles que acompanham outros esportes, como o rúgbi. Não é a modalidade que você segue que te faz ser melhor ou pior. Além disso, a proibição não se aplicava a áreas VIP, dividindo o estádio em duas classes. Os torcedores sentiam que a lei era paternalista, já que não há absolutamente nenhuma evidência ou pesquisa que sugira que a proibição de álcool tenha influência na prevenção ou na redução de desordens nos estádios”, apontou o executivo-chefe da entidade, Ronan Evain.

Além da Liga dos Campeões, da Liga Europa e da Supercopa Europeia, a nova medida também atinge os torneios envolvendo seleções, como a Liga das Nações e a Eurocopa. Vale lembrar que a Euro 2020 acontecerá em diferentes países, necessitando exatamente da adequação às leis de cada território. Uma medida com interesse comercial, mas que beneficia a hospitalidade nos estádios, os clubes e as federações.