A Associação de Clubes Europeus (ECA, em inglês) pediu que haja períodos de descanso obrigatórios para jogadores e uma diminuição do número de jogos. Claro, os clubes querem que as seleções diminuam o número de jogos. Além disso, também querem que as investigações de clubes que infringiram o Fair Play Financeiro sejam mais rápidas.

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Os clubes se reuniram na sua 20ª assembleia geral, em Roma, nesta terça. A ECA, que surgiu da organização do G-14, o grupo dos mais ricos da Europa, e atualmente representa 230 clubes europeus de todo o continente.

O presidente da ECA, Andrea Agnelli, que é presidente da Juventus, disse que a associação é “um corpo empreendedor que investe no jogo, correndo riscos diariamente”. Por isso, segundo ele, os clubes têm o direito de ajudar a redesenhar o calendário a partir de 2024 – o calendário, até lá, já está definido.

“Nós temos que achar o equilíbrio entre os jogos que são relevantes e imprevisíveis, enquanto definimos o equilíbrio competitivo e mantendo o sonho vivo”, afirmou Agnelli. “Mas isso significa preservar o status dos atores principais, os jogadores, reduzindo o número de jogos, introduzindo períodos de descanso obrigatórios, encontrando um calendário internacional viável e ajustando os torneios de confederações”, continuou o dirigente.

Neste último ponto, Agnelli se refere especificamente a torneios como a Copa das Nações Africanas e a Copa Ouro serem disputadas a cada dois anos, enquanto os torneios Asiáticos, Europeus e Sul-Americanos são disputados de quatro em quatro anos.

Quando perguntado sobre a ideia da Fifa de fazer um Mundial de Clubes expandido, a cada quatro anos, e com 24 clubes, Agnelli mostrou que a associação não gosta da ideia. “Não se trata de adicionar uma nova competição agora. Para nós, a prioridade é tratar do calendário depois de 2024”, disse Agnelli.

A discussão sobre diminuição de calendário tem sido uma constante nos últimos anos, mas todo mundo puxa a sardinha para o seu lado. Convencer clubes, ligas, federações, confederações e a Fifa a abrirem mão de alguns jogos tem sido um grande problema. Por isso, Agnelli pediu a Gianni Infantino, presidente da Fifa e que estava no encontro, que introduza uma semana de descanso obrigatório no calendário, a cada quatro anos, antes da Copa do Mundo.

“Eles estão jogando semana sim, semana não, dois ou três jogos por semana, seja em clubes ou seleções”, afirmou Agnelli. “Então, quando nós pensamos sobre o calendário avançar, nós também temos que levar em consideração semanas que os jogadores possam realmente descansar e/ou treinar. Então reduzir o número total de jogos”.

Um dos exemplos usados para mostrar que há ume excesso de jogos foi Antoine Griezmann, do Atlético de Madrid. Ele foi o jogador com mais partidas entre as grandes ligas, com 63 jogos na temporada passada, 2016/17. Se o número de 63 jogos é assustador para os europeus, imaginem se tivéssemos uma associação de clubes na América do Sul, onde clubes como  Grêmio e Flamengo disputaram um número absurdo de jogos. O Flamengo jogou 83 partidas na temporada 2017, com jogos do Carioca, Primeira Liga, Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana. O Grêmio jogou 79 partidas, incluindo Gaúcho, Primeira Liga, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Mundial de Clubes.

No Grêmio, Everton foi quem mais entrou em campo, com 61 jogos, seguido por Ramiro, com 60, e Fernandinho, com 59. No Flamengo, Willian Arão jogou 67 partidas, Pará jogou 64 e Réver jogou 59 jogos. Os dois clubes fizeram rotação de jogadores, mas mesmo assim o número de partidas é excessivo. Falta uma união dos clubes por aqui, mas isso parece cada vez mais uma utopia.

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Rapidez na análise do Fair Play Financeiro

Outra demanda dos clubes é que o Fair Play Financeiro, que existe desde 2010, seja melhorado, o que chamaram de versão 2.0. Muitos membros da ECA, especialmente o Barcelona, ainda questionam os € 400 milhões gastos pelo Paris Saint-Germain em dois jogadores, Neymar (€ 220 milhões) e Kylian Mbappé (€ 180 milhões). Os clubes querem que a Uefa seja capaz de lançar investigações do Fair Play Financeiro mais rapidamente do que as atuais regulamentações permitem.

Atualmente, a Uefa precisa esperar a divulgação do balanço anual dos clubes antes de poder abrir qualquer inquérito. Isso porque as regras são baseadas nas receitas que o clube tem e, portanto, é preciso comprovação de receitas e despesas para que seja aberta uma investigação. Isso significa, na maioria das vezes, uma demora de 18 meses para que as investigações aconteçam, como deve ser o caso do PSG.

Um dos membros da diretoria da ECA, o diretor do Anderlecht, Michael Verschueren, explicou que os clubes querem diminuir esse tempo e estabelecer dois indicadores que poderiam disparar uma investigação. Ele citou um índice de endividamento sustentável, que seria baseado no endividamente líquido e nas receitas, e um máximo de gasto anual com transferências de € 100 milhões.

Verschueren também tocou em um ponto muito importante nessa questão do Fair Play Financeiro. Segundo ele, a ECA quer que a Uefa melhore a transparência ao publicar mais dados dos clubes, incluindo quantidade de dinheiro pago a empresários. Além disso, o ponto mais importante é garantir que todos os clubes estão usando o mesmo método de contabilidade. Em um sistema que analisa os balanços, isso é crucial para uma análise justa.

Árbitro de vídeo só na temporada 2019/20

O árbitro de vídeo, chamado também pela sigla em inglês, VAR, será usado na Copa do Mundo, mas não na Champions League na próxima temporada. O sistema já foi adotado pela Bundesliga, pela Serie A e pela Liga Portuguesa. La Liga também passará a usar na próxima temporada. Na Champions League, porém, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, disse que todos os envolvidos ainda não estão prontos.

“É muito cedo para começar na Champions League nesta temporada. Não estamos prontos, os árbitros não estão prontos, os torcedores não estão prontos”, afirmou Ceferin. “Não é a competição para se fazer testes. Nós iremos começar a treinar os árbitros e educar os torcedores e, se tudo for bem, isso deve acontecer na próxima temporada”.

Quando Ceferin fala na próxima temporada, isso significa 2019/20, já que a próxima temporada, 2018/19, não terá o recurso. Andrea Agnelli, porém, diz que esse recurso pode não entrar no principal torneio da Europa nem em 2019/20. Parece que haverá uma disputa nos bastidores em relação a esse aspecto.