Willian deve ficar até meio ressabiado quando percebe o quarto árbitro se posicionando na lateral do campo, com a placa eletrônica nas mãos. As substituições do ponta foram um grande entrave em sua temporada com o Chelsea. As boas atuações do brasileiro, um dos melhores dos Blues no ano, nem sempre importavam. Antonio Conte acostumou-se a sacá-lo quando bem entendesse, e isso quando não o deixava esquentando o banco desde os primeiros minutos. Às vésperas da Copa do Mundo, ser titular ou não volta a ser uma questão ao camisa 19. E pelo menos no primeiro teste, ele correspondeu muito bem. Por aquilo que se viu em Anfield, não deve perder o seu lugar na dança das cadeiras que ocorrerá quando Neymar retornar ao time titular do Brasil.

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Nos dois amistosos de março, Tite já tinha indicado que faria mudanças na espinha dorsal que disputou as Eliminatórias. Renato Augusto perdeu o lugar na faixa central, substituído por Fernandinho contra a Alemanha (quando Daniel Alves avançou bastante pela direita) e por Philippe Coutinho contra a Rússia. Já neste domingo, ante a Croácia, o treinador reiterou a confiança em Fernandinho. Vinha com um time mais cauteloso, com três meio-campistas de presença física. Segundo a apuração do UOL, a escolha do volante seria uma opção dos próprios atletas, que preferiam o carregador de piano para que Marcelo ficasse mais livre para atacar. Na ausência de Neymar, Willian começou a partida, mas parecia ele o mais sujeito a ser substituído para a entrada do camisa 10, conforme o prometido.

O primeiro tempo, no entanto, acabou sendo determinante a Tite. Marcelo realmente teve mais liberdade e participou bastante do jogo. Era ele quem se responsabilizava pela saída de bola. Ainda assim, no geral, foi uma exibição fraca do Brasil, travada, sem muitas triangulações. E faltava realmente alguém que auxiliasse na criação pelo meio, o que não é característica de Casemiro ou de Paulinho. Cabia a Fernandinho ajudar nesta cadência, o que ele até consegue fazer no Manchester City, mas em outra posição e com companheiros bem mais capazes em complementarem estas conexões. Não foram bons 45 minutos do camisa 17.

Enquanto isso, Willian era justamente o melhor do time. Aparecia para o jogo e chamava a responsabilidade. Avançava até a linha de fundo e também partia em diagonal. Dava a famosa amplitude, tão importante ao enfrentar um adversário consistente na marcação, como era a Croácia, e se tornou alvo constante de inversões a partir da esquerda, onde se concentrava a saída. Criou boa parte das jogadas de perigo no Brasil e, não fosse uma decisão errada ao tentar emendar um chute de letra, quando poderia muito bem ter batido de chapa no cruzamento rasteiro de Danilo, até teria a chance de balançar as redes. De qualquer forma, nada que atrapalhasse sua atuação.

No segundo tempo, naturalmente, Tite manteve Willian. Tirou Fernandinho e puxou Coutinho para a faixa central, com Neymar ocupando a ponta esquerda. Visivelmente, a Seleção melhorou em mobilidade. Estava mais solta, com mais fluidez na construção das jogadas, até pela leveza que Coutinho oferece. Willian seguia participando, com jogadas na lateral da área, buscando os companheiros através de cruzamentos. E teve sua parte no gol que assegurou a vitória brasileira. Sua arrancada da direita para o centro do campo ajudou a desmontar o posicionamento dos croatas. Deu liberdade a Coutinho e, depois, a Neymar. Então, o craque ofereceu seu toque de genialidade.

Willian ficou em campo até os 36 minutos do segundo tempo. Pecou um pouco na tomada de decisões em alguns lances, mas nada que tenha prejudicado o Brasil. Pelo contrário, ajudou muito mais com sua qualidade técnica e sua velocidade. Uma tarde afirmativa para ganhar sequência no time. Afinal, se há uma posição na qual o Brasil está bem servido, é nas pontas. E seria um desperdício manter jogadores como Willian e Douglas Costa no banco. Dois caras que podem mudar o jogo a partir dos primeiros minutos.

Além do camisa 19, outro a fazer uma partida satisfatória foi Danilo. Ele respondeu algumas dúvidas neste domingo. Não foi tão preponderante assim no apoio e sofreu aperto na saída, mas fez o seu serviço com solidez nas ações defensivas. Já outra questão que fica a Tite é o miolo de zaga. Miranda e Thiago Silva também foram bem, na medida do possível, embora a Croácia não tenha testado muito a velocidade da dupla. Marquinhos segue como uma sombra pertinente. E na frente, Gabriel Jesus se movimentou bastante, mas não foi efetivo. Roberto Firmino guardou o seu nos minutos finais, reforçando a discussão sobre quem começa jogando.

O mais importante é perceber as possibilidades de variação à disposição de Tite. Fernandinho pode ser útil na Copa do Mundo? É óbvio, e mudar a opção inicial deste domingo não significa desconsiderar o volante. Entretanto, em uma fase de grupos na qual o Brasil provavelmente terá a necessidade de tomar a iniciativa, o duelo contra a Croácia indicou caminhos. E, neste cenário, Willian mostrou sua personalidade.