O Cuiabá Esporte Clube possui uma história relativamente recente. O clube surgiu como um objetivo, fundado em 2001 pelo ex-jogador Gaúcho, como um projeto para revelar jogadores e oferecer uma estrutura que o futebol de Mato Grosso não tinha. Em pouco tempo, os novatos se tornaram uma potência estadual, mas disputas de bastidores levaram ao licenciamento da instituição. O renascimento viria a partir do fim da última década. E, passo após passo, os mato-grossenses escrevem uma história marcante, de grande capítulo concluído nesta segunda-feira. Depois de Operário Ferroviário, Botafogo de Ribeirão Preto e Bragantino, o Cuiabá se tornou o último clube a conquistar o acesso na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Como pretendeu um dia o saudoso Gaúcho, irá jogar a Série B em 2019, 18 anos depois do início da empreitada.

O Cuiabá conquistou o acesso na Série D em 2011, deixando o Independente de Tucuruí pelo caminho na fase decisiva. Desde então, havia se tornado um mero figurante na Terceirona. Foram seis temporadas em que os cuiabanos ficaram na zona intermediária do Grupo A – as três posições entre a classificação aos mata-matas e o rebaixamento. Neste ano, diante do alto número de equipes do Norte e do Nordeste, o clube acabou realocado ao Grupo B – uma mudança de ares que fez bem. O desempenho na fase de classificação foi consistente, com 32 pontos conquistados, a apenas três dos líderes da chave. Apesar da terceira colocação e das dificuldades de precisar fazer o jogo do acesso fora, os mato-grossenses vinham fortalecidos.

Adversário na etapa decisiva, o Atlético Acreano não passava por um bom momento. Depois de liderar o Grupo A durante boa parte da campanha, caiu de rendimento na reta final da fase de classificação e deixou suas dúvidas. Algo que o Cuiabá aproveitou. A vitória por 2 a 0 na Arena Pantanal serviu para encaminhar a classificação. Nesta segunda, na Arena da Floresta, mais tranquilidade ainda quando Alê e Bruno Sávio aumentaram a diferença aos cuiabanos no placar agregado. Os anfitriões até reagiram, buscando o empate por 2 a 2 no final, mas a pressão seria suficiente para a virada necessária. Coube ao Dourado comemorar o acesso inédito rumo à segunda divisão nacional.

Apoiado por empresários locais, o Cuiabá virou a força dominante do Mato Grosso. Desde sua recuperação na virada da década, são seis títulos estaduais a partir de 2011, sustentando atualmente o bicampeonato. Além disso, há também a Copa Verde de 2015, conquista inesquecível pelos contornos épicos da final contra o Remo, com a goleada por 5 a 1 após a derrota por 4 a 1 no jogo de ida. De qualquer forma, é o Campeonato Brasileiro que realmente oferece a estabilidade a qualquer clube. A partir de 2019, o Dourado contará com um calendário mais recheado para seguir com seus investimentos e aprofundar suas raízes no futebol mato-grossense.

Como se viu nestes anos todos de Série C, o acesso não deve ser a prioridade imediata. Por mais que seja bancado por empresários locais, o Cuiabá não cometeu megalomanias nessa empreitada rumo à Segundona – inclusive, ganhando poder nos bastidores pelo trabalho realizado, com o ex-presidente do clube assumindo o comando da federação local. E a mera presença na Série B reserva algumas possibilidades ao Dourado, principalmente por ampliar o seu leque financeiro e aumentar os atrativos por sua visibilidade. A média de público na Terceirona ainda foi relativamente baixa, com 2,6 mil pagantes, mas o melhor momento para alavancar este processo chegou agora.

O possível título da Série C serve como um bônus ao Cuiabá e aos seus outros três concorrentes nas semifinais da competição nacional. O desafio dos mato-grossenses será maior contra o Botafogo de Ribeirão Preto. De qualquer forma, o grande objetivo está nas mãos da equipe. Dar o salto competitivo não é simples, com muitos times virando “ioiô” da segunda para a terceira divisão. Ainda assim, clubes como o Fortaleza e o CSA indicam que se pode aumentar rapidamente as ambições. Sabendo onde se pisa, para evitar um efeito reverso como o que ocorreu com o Joinville, dá para viver uma glória ao menos momentânea. É bacana ver o futebol de elite do Campeonato Brasileiro verdadeiramente se espalhando pelo mapa do Brasil. Neste sentido, o Atlético Acreano também merece sorte maior rumo à Terceirona em 2019.