O dia 10 de fevereiro de 1990 representava uma barreira ao Tottenham. Naquela data, os Spurs venceram o Chelsea em Stamford Bridge pelo Campeonato Inglês, por 2 a 1. David Howells e Gary Lineker anotaram os gols da equipe treinada por Terry Venables, que ainda contava com Paul Gascoigne em suas fileiras. Desde então, nunca mais o clube havia triunfado na casa dos Blues. Nunca até este domingo. Depois de 28 anos e 29 partidas, com 19 derrotas neste caminho, o Tottenham encerrou a seca. E o time de Mauricio Pochettino não apenas superou o Chelsea no temido estádio, em feito de tamanho simbolismo. O triunfo por 3 a 1 ainda é valiosíssimo para a tabela da Premier League, deixando os Spurs bem mais próximos da classificação à próxima Liga dos Campeões.

Os dois times tinham seus problemas na escalação. O Chelsea não contava com o Thibaut Courtois na meta, substituído por Willy Caballero. Já na frente, destaque para o trio formado por Álvaro Morata, Eden Hazard e Willian. O Tottenham, por sua vez, continuava sem Harry Kane. Por mais que o centroavante tivesse se recuperado de contusão mais rápido que o esperado, começou no banco. Os Spurs seguiam confiando em uma linha de frente mais leve, com o quarteto formado por Heung-Min Son, Dele Alli, Christian Eriksen e Erik Lamela.

O Chelsea foi melhor durante o primeiro tempo. Que o Tottenham controlasse mais a bola, tinha dificuldades para se infiltrar na linha defensiva dos Blues. Enquanto isso, os anfitriões partiam em velocidade, sobretudo pelo lado direito. Iam criando jogadas e testando Hugo Lloris, que fez duas boas defesas, enquanto Marcos Alonso teve um gol anulado por impedimento. Assim, era natural que o tento do time de Antonio Conte saísse antes, e assim aconteceu, aos 29 minutos. Em uma infelicidade de Lloris, que saiu em falso após cruzamento de Victor Moses, Morata aproveitou para emendar às redes vazias.

O Tottenham acordou depois disso. Precisava tentar algo diferente. E quem chamou a responsabilidade foi Eriksen. Primeiro, arriscou de fora da área e viu Caballero defender com dificuldades. Era só um aviso. Nos minutos seguintes, a defesa visitante conseguiu segurar a pressão. Já aos 45, o dinamarquês empatou o confronto. Acertou um petardo de felicidade imensa, do meio da rua. A bola pegou efeito e caiu de repente, sem que Caballero conseguisse reagir. Golaço de Eriksen em primeira etapa na qual os Blues foram superiores, mas os Spurs saíam revigorados pela reação.

No segundo tempo, o Tottenham assinalou a diferença no placar. E contou com a mobilidade de seus atacantes para vencer. Son quase marcou aos 14 minutos, exigindo grande intervenção de Caballero. Já no minuto seguinte, Eric Dier descolou um lançamento perfeito a Dele Alli, mandando a bola do campo de defesa. O camisa 20 saiu nas costas da zaga e, depois de um domínio excepcional, não teve problemas para anotar, virando o placar. Por fim, o triunfo se consumou logo depois, aos 20. Em um lance de insistência, em que Caballero conseguiu bloquear Son duas vezes, a bola sobrou para Alli definir.

Depois disso, o Chelsea se colocou no campo de ataque. Criou uma chance ou outra, mas nada com tanto perigo. As entradas de Olivier Giroud, Emerson e Callum Hudson-Odoi pouco ajudaram, diante da defesa sólida dos visitantes. Já o Tottenham ainda teve uma boa notícia com o retorno de Kane, entrando para os 15 minutos finais. Bastou aos Spurs segurarem a diferença e consumarem um resultado enorme, pelo significado e pelos efeitos na tabela.

O Tottenham é o quarto colocado na Premier League, com 64 pontos. Olha mais para frente do que para trás, com o Liverpool somando 66 (mas um jogo a mais) e o Manchester United, 68. Já o Chelsea fica estacionado com 56, na quinta colocação. Precisa de uma reviravolta inimaginável a esta altura para retornar à Champions na próxima temporada. Enquanto o trabalho de Antonio Conte soa como fim de ciclo, Pochettino mira um merecido prêmio por aquilo que seus comandados vêm jogando. E os dois clubes ainda podem se reencontrar, em chaves distintas nas semifinais da Copa da Inglaterra.