Denílson, o ponta de São Paulo e Betis, tem um recorde curioso no futebol internacional: é o jogador que mais vezes entrou como substituto em Mundiais. A maior fumaça da história das Copas, fundamental nas campanhas da seleção em 1998 e 2002, era a peça óbvia tanto para Zagallo quanto para Felipão, qualquer que fosse o enredo do jogo.

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Das 14 partidas mundialistas que viveu, entrou no segundo tempo em 11. Foi titular contra a Noruega, quando o Brasil rodou o time, já classificado, na última rodada da primeira fase na França; e só não foi a campo diante da Costa Rica, no terceiro jogo na Ásia – tinha um cartão amarelo e Scolari não arriscou num jogo em que usou reservas -, e da Inglaterra, quando Ronaldinho foi expulso e o treinador usou Edílson na vaga de Ronaldo para a formação com um jogador a menos.

Peça marcante nas campanhas mesmo entre os reservas, Denílson teve seus momentos, principalmente em 1998, menos em 2002, quando também sofreu com dores no joelho que operaria dias depois do penta. Tinha moral no vestiário e com a torcida. Ele inclusive bateria o quinto pênalti na disputa contra a Holanda, em Marselha, salvo pelas defesas de Taffarel nas cobranças de Cocu e Ronald de Boer; e numa pesquisa DataFolha depois do vice, lembro que só quatro jogadores foram aprovados por mais de 80% da torcida – Cafu, César Sampaio, Ronaldo e… Denílson.

Quando o elenco atual mostra Taison pouco testado, William tímido e Douglas Costa machucado, se escancara a falta dessa peça. O talismã, o 12º jogador, o sangue novo que eleva o astral atrás do resultado ou para segurar a bola na frente, o infernal jogador de segundo tempo, geralmente caindo pelos lados com bom aproveitamento na jogada individual. A fumaça Denílson, opção tão padrão que podia até ser acusada de simplista, ou preguiçosa. Pra cima deles, clamava o narrador.

Mais que isso, e correndo o risco de mergulhar no romantismo, a imposição da habilidade sempre fez bem para a seleção brasileira. Sou daqueles que teria levado Ronaldinho Gaúcho, ou Neymar, em 2010, e considerado um nome como Robinho em 2014. O homem com histórico do drible e temido pelos marcadores, mesmo que coadjuvante, ainda é quem tira o sono do lateral na véspera e desestabiliza a rigidez das defesas. Douglas Costa era candidato a esse posto. Era.

Do elenco disponível em Moscou, não abriria mão de começar com Renato Augusto. Se a Copa do campo apertado é de quem gosta de cuidar da bola – Modric, Isco, James Rodriguez, Kroos e alguns outros -, o camisa 8 brasileiro é o mais capaz de dar o tom no meio-campo. Fred não se sabe como está, e Arthur treina em Porto Alegre esperando a ligação do Barcelona.

De toda forma, o jogo contra a Sérvia é a última chance do Brasil de se soltar e projetar uma Copa do Mundo mais leve. Se convencer que é possível jogar bem, tranquilo, na Rússia. Se há chances reais da seleção ficar pelo caminho ou se convencer definitivamente de que Copa é caos, o time tem bola para desfrutar um pouco dos dias mundialistas, dançar comemorando na bandeira de escanteio, gargalhar ao apito final. Veremos.