“Bota ponta na seleção. É importante, Telê. Não faz assim comigo não. Tu tá cuspindo no prato que comeu, tu também foi ponta, Telê! Bota ponta, Telê.”

O Zé da Galera, personagem de Jô Soares nos anos 1980, cobrava o técnico da seleção brasileira, Telê Santana, para ter pontas no time. O assunto cresceu, as pessoas gritavam o bordão nas ruas, e o humorista chegou até a dar entrevistas sobre o assunto, palpitando na escalação do time.

O futebol mudou, e não para de mudar, aliás, que o digam Alemanha e Espanha, com uma dificuldade tremenda de ter variações num estilo vencedor. Por isso há de se elogiar a capacidade do time brasileiro de sair da mesmice contra o México.

Neymar, que lá contra a Suíça só recebia bolas de Marcelo com o lateral nas costas e já pressionado por outro rival pelo meio, e Willian, um burocrata ponta-direita descolando cruzamentos sem ângulo de tempo em tempo, quem diria: fizeram uma tabela na entrada da área com drible objetivo, toque de calcanhar, bola carregada em velocidade e caixa. Se encontraram, mais de três jogos e meio depois, para uma grande jogada na meia-lua.

Tira os pontas, Titê!

Claro que não é para tanto, mas fica a homenagem dum Zé da Galera às avessas. De toda forma, é bom ver Neymar à vontade e bastante solto, como um segundo atacante longe da linha lateral, trazendo para o meio, quebrando a cintura dos zagueiros num toque de calcanhar e indo fazer um gol de centroavante.

Tal como um Willian inquieto, saindo de um confronto previsível para vir carregar com a perna esquerda. Ponto para Tite, com Paulinho dando um passinho para trás numa linha de quatro que descongelou os ponteiros brasileiros, e também para os jogadores, claro, pelo segundo tempo mais criativo que garantiu a vitória.

Contra a Bélgica, novamente o Brasil não vai pegar um time que tenha como grande característica a pegada. Ali onde Neymar e Willian construíram o gol diante do México, Inui teve imensa liberdade para acertar o chute que dava a vitória parcial ao Japão – depois levou a virada no fim para a Bélgica. Acho que há boas chances do time europeu mudar o time para as quartas de final – não é possível que não estão pensando em fechar espaços no setor ofensivo brasileiro. Ainda assim, outra jornada de boa movimentação da turma da frente, que sofreu contra as retrancas, deve assegurar chances de gol para Neymar, Willian, Coutinho e companhia.

Até porque, lá atrás, Alisson veste as luvas, mas só assiste a Copa do Mundo. Thiago Silva e Miranda não permitiram uma mínima escapada mexicana para qualquer tipo de finalização mais perigosa – que Copa da dupla. Quando não desarmaram, travaram as finalizações. O Brasil, muito forte e a cada jogo mais leve, é bastante favorito para fazer os sete jogos na Rússia.