Sou daqueles que gosta da régua alta para se falar de Copa do Mundo. Porque a emoção é óbvia e implícita – um torneio de um mês, que metade do tempo é para jogos eliminatórios, com os melhores jogadores do mundo, com o país parado para assistir, só a cada quatro anos, e com gente fazendo seus últimos jogos internacionais -, e é claro que as pessoas vão se divertir e ter histórias para contar num Mundial.

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Registro também que aqui não vai nenhuma tentativa de separar análise de emoção. Acho que as coisas andam juntas, sem dúvidas. Mas também acredito que não há problemas em, depois dum gol nos acréscimos ou de um drama de disputa por pênaltis, puxar uma conversa sobre o quão bem os times jogaram. Faz parte.

Das 16 seleções que foram ao mata-mata da Copa do Mundo, acho que só três jogaram realmente bem a ponto de fazer sua melhor partida até aqui: França, Uruguai e Brasil. Seus grandes jogadores tiveram jornadas inspiradas, as jogadas de ataque saíram, os gols foram bem construídos. São três times que deram um salto de qualidade em relação à primeira fase – se tinham coisas para aparecer, como um golaço de Cavani, uma arrancada de Mbappé ou uma tabela de Neymar, elas apareceram.

Estão todos do mesmo lado da chave no caminho até a final. Claro que as conversas de futebol são feitas para a gente quebrar a cara, e essa própria Copa não nos dá trégua sobre surpresas e desfechos imprevisíveis. Mas é difícil imaginar que o campeão do mundo não saia do lado esquerdo do cruzamento, ou de cima, a depender da tabela que está na sua geladeira.

A Bélgica viu que não se ganha jogo no banho-maria, e correu atrás, enquanto Croácia e Inglaterra, nos pênaltis, sabem que ficaram devendo – as três já mostraram mais. A Suécia fez o jogo dela, organizado e objetivo, com suas limitações técnicas compensadas por muita competitividade, mas ainda me parece que tenha jogado melhor contra o México; a Rússia, nossa, o jogo da Rússia é estranho, pelo contraste de uma partida história dos anfitriões muito condicionada pelo fato do time que ficou com a bola não tentar quase nada. Mérito dos russos, que tinham mais interesse no jogo vazio, no nada absoluto protagonizado pela Espanha que fez as pessoas lamentarem a prorrogação.

Por outro lado, decepcionaram Portugal, México, Espanha, Suíça e Colômbia. Cada jogo é um jogo e o nível do adversário mais o caráter de eliminação não saem da cabeça, mas todos os cinco tinham condições de jogar mais, porque já mostraram mais. O Japão foi longe com seus dois gols no segundo tempo (ainda que vacile demais na defesa), a Dinamarca lutou como pode, e a Argentina, bem, a Argentina até que deu um jeito de chegar viva ao fim da partida, para sobrar um rastro de dignidade.

Para os oito jogos restantes do Mundial, o que espero é que os finalistas cheguem ao domingo final jogando bem, mostrando o que de melhor podem oferecer. É meio papo furado, eu sei, mas é uma torcida para que levante a taça alguém que arranque para três grandes vitórias, que possamos ver o ápice de um time iluminado, acertando nas escolhas, fluindo. De um lado, a bola já apareceu mais para os três campeões mundiais, nas três vitórias mais convincentes das oitavas, a francesa, a uruguaia e a brasileira. De outro, a mini Eurocopa pode dar mais que prorrogações, pênaltis, gols de bola parada, lateral direto na área ou desvio matador da defesa. Veremos.

É Copa, é a festa do futebol e cada um joga como quer, tal qual nosso direito de torcer por grandes jogos.