Desde o sábado retrasado, até o dia da abertura da Copa, publicaremos uma série de especiais sobre a história dos Mundiais na televisão brasileira. Nesta segunda, a décima parte, sobre a Copa de 2002. Clique aqui para conferir os textos anteriores.

Entre 1974 e 1998, o método de compra de direitos de transmissão para uma Copa era relativamente simples no Brasil: as emissoras afiliadas à OTI (Organização das Televisões Iberoamericanas) deveriam transmitir os Jogos Olímpicos – e os transmitindo, além de pagarem as anuidades, poderiam se cotizar na divisão do preço para a permissão de exibirem o Mundial. E assim se ia. Até 1998 – mais precisamente, em dezembro daquele ano. Foi quando o Grupo Globo (na época, ainda Organizações Globo) anunciou: por 220 milhões de dólares – mais de dez vezes o preço pago para 1998, ainda dividido com outras emissoras -, comprara da ISL os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006, para televisão aberta e fechada, rádio e internet, dos quais seria detentora exclusiva em território brasileiro. Mais: teria exclusividade sobre os direitos de exibição dos jogos de 2002, até dez anos depois do final daquela Copa.

Mas a compra não se daria sem (muitos) problemas. Quando já havia pago US$ 60 milhões à ISL, esta foi à falência, em 2001. O conglomerado alemão Kirch assumiu o lugar nas negociações, e cobrou o restante do valor. Por sua vez, a Globo se comprometeu a pagar – todavia, em 2002, com as turbulências na economia brasileira levando a cotação do dólar a rondar os R$ 4,00, o grupo brasileiro voltou atrás, considerando o valor “impagável” e até ameaçando romper o contrato. No fim, fez o pagamento e manteve a exclusividade.

Em 2013, meio inesperadamente, a transação ganhou novo capítulo. O blog “O Cafezinho” revelou a investigação da Receita Federal sobre irregularidades na transação – o Grupo Globo teria sonegado impostos, ao fazer o pagamento dos direitos por uma empresa de fachada, nas Ilhas Virgens Britânicas (paraíso fiscal), disfarçando o montante como investimento na montagem da empresa. Conteúdo da investigação vazado, as organizações tiveram de pagar multa de R$ 274 milhões à Receita. Por meio do “Memória Globo”, o grupo de mídia informou que a transação foi regular.

Por causa da complicação em 2001, a Globo tentou repartir os direitos de transmissão com alguma outra emissora. Mas colocava condições: ou R$ 120 milhões, ou exibiria a Copa sozinha. Vinda do fim da parceria com a Traffic, desde 1999, a Bandeirantes recusou. A Record – recomeçando a investir no esporte no fim daquele ano, iniciando parceria com a Traffic e contratando nomes como Nivaldo Prieto, Oscar Roberto de Godói, Roberto Thomé, Paulo Calçade e Milton Neves – iniciou negociações, mas elas não foram muito além. E a Copa de 2002 ficou mesmo restrita ao canal dos Marinho, na tevê aberta, e ao SporTV, na fechada. Para as outras emissoras que quisessem comentar a Copa, restava um compacto de um minuto e meio, com os gols das partidas do dia. E havia condições para os canais fora das Organizações Globo exibirem tal compacto, nos telejornais ou programas esportivos: as imagens só poderiam ser mostradas duas horas após o último jogo do dia, e os canais teriam apenas 24 horas para exibirem-nas. Só restou a cobertura superficial dos programas esportivos – como fizeram a Bandeirantes, nas duas edições do “Esporte Total”, e a Record, no noticioso “Record nos Esportes” e no “Debate Bola” exibidos na hora do almoço.

Se houve uma alternativa criativa, foi a da ESPN Brasil. Sem os direitos de transmissão, a emissora paulista do bairro do Sumaré optou por criar novos programas. Antes mesmo da Copa, vieram duas séries de documentários: “Cachorros com Linguiça”, usando a gíria citada por Luiz Felipe Scolari para rememorar como foi o futebol dentro do Brasil em anos de Copa, e “C.O.P.A. (Cultura, Organização, Política e Arte)”, parceria com a produtora Documentaria, do diretor Roberto Faustino, para mencionar a história dos Mundiais tendo os itens mencionados no título como fios condutores. Durante o torneio no Japão/na Coreia do Sul, André Plihal seguiu a Seleção Brasileira, enquanto Helvídio Mattos fez reportagens sobre o ambiente nos dois países-sedes. No Brasil, havia o previsível “Linha de Passe” diário – Milton Leite apresentava e mediava o debate com José Trajano, Cláudio Carsughi, Paulo Cesar Vasconcellos e Paulo Vinicius Coelho (este, desde 2000 na ESPN, em sua primeira Copa por uma emissora de televisão). E também “Os Corujões”, no qual os comentaristas do canal acompanhavam os jogos da Seleção ao vivo, debatendo simultaneamente – o programa durou pouco, por pressões da TV Globo. Finalmente, durante aquele Mundial, Adriana Saldanha comandava um debate sobre reminiscências, curiosidades, memorabilias culturais e qualquer coisa relacionada à história das Copas: Marcelo Duarte, Roberto Assaf, Paulo Vinicius Coelho e Roberto Porto formavam os “Loucos por Copa”. Deu tão certo que o programa, rebatizado “Loucos por Futebol”, entrou para a grade do canal.

Mas os jogos mesmo, com 90 minutos de bola rolando e tudo que cerca tais minutos, entre 31 de maio e 30 de junho de 2002, só mesmo em Globo e SporTV. Ainda assim, um grande contingente (221 mil pessoas, em 58 cidades) escapou por pouco do perigo de não ver a Copa do Mundo: os donos de antenas parabólicas. O contrato com a Fifa obrigava a Globo a codificar o sinal de satélite, impossibilitando o alcance dele pelas parabólicas. Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação, lamentava à “Folha de S. Paulo” em 26 de maio: “(…) Não é o desejo da emissora, mas uma proibição. Apoiamos as iniciativas no âmbito do Ministério dos Esportes no sentido de que o sinal venha a ser liberado. Claro que nosso desejo é exibir a Copa para todos os brasileiros”. Desejo realizado, no fim das contas: em 28 de maio, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um decreto, proibindo que a Globo codificasse o sinal. Enfim, ela e o SporTV exibiriam os jogos para todos. Até para os donos de parabólicas.


Vinheta da TV Globo para a abertura das transmissões da Copa de 2002

Globo

Narração: Galvão Bueno, Cléber Machado, Luis Roberto, Maurício Torres e Rembrandt Jr.
Comentários: Falcão, Casagrande, Dario, Sérgio Noronha, Arnaldo Cezar Coelho e José Roberto Wright
Reportagens: Tino Marcos, Fátima Bernardes, Mauro Naves, César Augusto, Pedro Bassan, Marcos Uchoa, João Pedro Paes Leme, Ernesto Paglia, César Tralli, Britto Júnior e Renato Ribeiro
Apresentações: Mylena Ciribelli, Glenda Kozlowski, Luis Roberto e Alexandre Bacci

Se em 1998, a ancoragem dos noticiosos ainda foi feita de estúdios na França, em 2002 um avanço tecnológico (o teleprompter à distância) possibilitou que Fátima Bernardes ficasse ao ar livre para ajudar William Bonner a comandar o “Jornal Nacional” – assim como Ana Paula Padrão, também responsável então pelo “Jornal da Globo”, que teve William Waack como comandante do programa no Brasil. Principalmente junto a Fátima, Galvão Bueno ajudava na apresentação do “Jornal Nacional”. Estava feita a dupla que simbolizou a cobertura da Globo, voltando a transmitir sozinha uma Copa do Mundo após 20 anos. O que não significava que a cobertura seria tão grande quanto a de 1998: financeiramente, os tempos eram outros. Até por isso, não haveria a cobertura humorística do “Casseta & Planeta, Urgente!”, avisados que o corte de gastos lhes impediria a viagem, semanas antes do Mundial começar. A mesma coisa aconteceu com Tom Cavalcanti, que sonhava fazer um quadro: “João Canabrava na Copa”. No total, foram enviadas 96 pessoas a Japão e Coreia do Sul, longe das 160 de quatro anos antes, lideradas pelo diretor de esportes Luiz Fernando Lima – que tinha parceiros no comando: Fernando Guimarães, Marco Mora e Emanuel Mello Mattos na área de eventos (leia-se transmissões); Luiz Nascimento, João Ramalho e João Barbosa para a área de jornalismo; José Ricardo e Fernando Bittencourt, na área de engenharia.

Para a transmissão dos 56 jogos ao vivo – os oito não escolhidos da última rodada da fase de grupos seriam mostrados em VT -, Galvão Bueno era o narrador dos principais. Paulo Roberto Falcão e Arnaldo Cezar Coelho seguiriam ao lado de Galvão, e Casagrande era incluído na equipe de cabine para os jogos da Seleção Brasileira, pela primeira vez numa Copa. Cléber Machado foi o outro narrador escolhido para viajar ao Japão/à Coreia do Sul e fazer a locução das partidas (narrou a eliminação da Argentina e a outra semifinal), assim como José Roberto Wright, novamente acompanhando Arnaldo ao analisar a arbitragem.

Já Luis Roberto ficou nos estúdios do Rio de Janeiro – não só para narrar os jogos, mas para apresentar o programa que basearia toda a cobertura da Globo na madrugada brasileira (“Talvez tenha sido o embrião do ‘Central da Copa'”, descreveu Luis ao projeto “Memória Globo”). Junto a Luis, ficaram os outros comentaristas escolhidos pelo canal para as partidas: Dario, o “Dadá”, e Sérgio Noronha, de volta à Globo desde 1999, de volta a uma Copa pela emissora após 20 anos. Sem contar um locutor pernambucano, já então na Globo Nordeste, que também esteve em algumas partidas: Rembrandt Jr. (foi de Rembrandt, por exemplo, a narração de Irlanda 1×1 Camarões, com Dadá comentando – e o VT do quase histórico Senegal 3×3 Uruguai). Ainda houve a narração de Maurício Torres (1971-2014) em apenas um jogo daquela Copa, com certa importância: o 2 a 0 da Coreia na Polônia, estreia de uma das donas da casa. Por sinal, foi durante o programa “madrugador” da Globo que Noronha fez isto abaixo:


A internet já era suficientemente ágil para gozar Sérgio Noronha – e olhem que mídias sociais ainda eram coisa futurista…

Se Fátima Bernardes poderia comandar o “Jornal Nacional” de qualquer lugar nas nações anfitriãs da Copa – e Ana Paula Padrão faria o mesmo no “Jornal da Globo”, além de aparições no “JN” -, o “Globo Esporte” seria do Brasil mesmo, exibindo as reportagens sobre os jogos do dia. Ora com Glenda Kozlowski, ora com Mylena Ciribelli, ora com Alexandre Bacci. E numa Copa com jogos às 3h30, 6h e 8h da manhã, para atender a quem não conseguia/não podia aguentar a madrugada acordado, estava destinado o “Boletim da Copa”, às 12h e às 17h. Ou melhor, o “Buretim da Copa”, como falava o japonês desenhado graficamente para apresentar aquele resumo do dia no torneio, em 30 minutos, comandado por Glenda. E o japonês não era o único personagem pensado pelo departamento gráfico do canal: surgia o “Gato-Mestre”, para gozar da cara de seleções eliminadas/demais favoritas/adversárias do Brasil na Copa, com aparições no “Globo Esporte”. Terminou festejando o título junto a Bacci e Ciribelli.

O Gato Mestre foi mais um a fazer piada – e saiu ganhando (Reprodução/YouTube)

Além das partidas mais importantes (como as três disputadas pela França na fase de grupos, campanha vexatória encerrada melancolicamente com a derrota para a Dinamarca), Galvão deixava sua voz nas partidas do Brasil, como não podia deixar de ser. Nas transmissões da Seleção, estavam também os raros momentos de humor da Globo naquela Copa. No segundo ano do programa “Os Normais”, Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres interpretavam Rui e Vani em esquetes antes do jogo – invariavelmente, as vinhetas terminavam com os personagens dizendo “Vai, Brasil!”. Também antes do time brasileiro entrar em campo, nas várias passagens para conferir a repercussão nas capitais brasileiras, estavam repórteres como Márcio Canuto, momentos habituais como o Olodum em Salvador, e experiências como Adriano, participante da primeira edição do “Big Brother Brasil” recém-encerrada. No “Fantástico”, havia espaço para “Copas de Mel”, série na qual Denise Fraga interpretava uma massagista a acompanhar a Seleção Brasileira nas Copas vencidas, junto do marido Jiló, interpretado por Selton Mello. Por fim, nos dias de jogos do Brasil, a cobertura da Globo no dia terminava com um debate, ora no estádio em que a partida fora feita, ora no hotel em que a delegação da emissora se hospedava, mediado por Galvão, com a participação dos colegas de transmissão e de alguns convidados. Nesse debate, Galvão usou mais um aspecto de Arnaldo para fazer piada do amigo: a “meia da sorte”, que o ex-juiz dizia usar nos dias de jogos da Seleção. Bastou: das oitavas de final em frente, o narrador apresentava o comentarista de arbitragem com a pergunta ‘está com a meia aí?’.

A intimidade com a Seleção Brasileira era clara. Vários repórteres se revezavam na cobertura dos jogos da equipe: Renato Ribeiro, César Augusto, Mauro Naves, Tino Marcos (autor das matérias da final). Aos poucos, ao lado de Fátima Bernardes ou sozinho, Galvão Bueno se converteu num dos símbolos daquela cobertura global. Mobilizava as atenções – a ponto de merecer a criação do site “Eu odeio Galvão Bueno”, apenas para tirar sarro de suas gafes costumeiras. Repetia na Copa uma prática costumeira em jogos brasileiros (criada por Silvio Luiz, diz-se): pedir para os que assistissem aos jogos da Seleção apagassem e acendessem as luzes, nas imagens aéreas das capitais. Além de tudo, transmitia os jogos. A emoção evoluía: Turquia, China, Costa Rica, Bélgica, Inglaterra, o reencontro com os turcos na semifinal. Por mais que sempre houvesse a possibilidade de escutar o som do rádio, a falta de opção levava os índices de audiência da Globo às alturas (64 pontos na estreia, 65 pontos contra a Inglaterra, 67 pontos na final – com picos de 75 pontos).

Fosse como fosse, chegou a final contra a Alemanha. Com visível ansiedade de Galvão antes do jogo começar. Com o êxtase possibilitado pelos dois gols de Ronaldo que renderam o quinto título mundial brasileiro. Êxtase que seguiu no fim do programa da madrugada na Globo, com Luis Roberto, Glenda Kozlowski, Mylena Ciribelli, Dadá, Sérgio Noronha e Léo Batista festejando o penta junto a um convidado especial: Zagallo, que estivera na estreia contra a Turquia, e voltava para festejar. E a Globo teve a prova de que, apesar das complicações sérias, valera a pena exibir a Copa ao ver a entrada espontânea dos campeões na mesa-redonda após a final, ainda no Estádio Nacional de Yokohama, para o samba.


Comemoração dos jogadores brasileiros, durante o debate pós-jogo da TV Globo, após Brasil 2×0 Alemanha, final da Copa de 2002

E aquele domingo, 30 de junho de 2002, seguiu alegre na Globo, com o “Planeta Xuxa” (ou melhor, “Planeta Penta”, nas palavras da apresentadora) e o “Domingão do Faustão”. Mas ainda haveria dois momentos posteriores à final que marcaram a cobertura global. Um deles, muito lembrado: Fátima Bernardes acompanhando o ônibus que trouxe os jogadores de volta ao hotel, podendo encostar na taça. Outro ficou no esquecimento, mas valeu: Jô Soares, de volta à Globo em 2000, aceitou reviver por um dia o “Zé da Galera”, personagem dos tempos de “Viva o Gordo”. E num orelhão, ele subvertia alegremente o bordão pelo qual ficou conhecido em 1982: “Felipão, em 1982 eu disse para o Telê botar ponta na Seleção. Agora eu digo para você: bota penta, Felipão! Bota penta na Seleção!”

SporTV

Narração: Luiz Carlos Jr., João Guilherme e Lucas Pereira/Deva Pascovicci
Comentários: Júnior, Leivinha e Rivellino/Daniel de Paula
Reportagens: Kiko Menezes, Laís Lima, Patricia Maldonado e Marcos Garcia
Participações: Armando Nogueira

Pouco a pouco, o SporTV também crescia em suas coberturas na Copa. Como único canal a cabo presente no Japão/na Coreia do Sul, a cobertura da emissora esportiva da Globosat foi ambiciosa. Um videoclipe produzido com o elenco do canal em roupas verde-amarelas (incluindo até os apresentadores do “Zona de Impacto”, faixa horária que o canal dedicava a esportes radicais), com uma canção de Moraes Moreira produzida especialmente para a Copa. Nas transmissões propriamente ditas, seria o único canal a mostrar realmente toda a Copa ao vivo: quando houvesse coincidência de horários nas partidas, os canais adicionais das duas operadoras que disponibilizavam o SporTV (Sky e Net) exibiriam a outra (lembre-se, ainda não havia o SporTV 2).

Para os assinantes melhor aquinhoados financeiramente, ainda seria possível gastar R$ 129,90 (pedidos por internet) ou R$ 139,90 (pedidos por telefone) para ter acesso ao “Pacote Copa do Mundo”: um mosaico dos canais Premiere, mostrando a partida ao vivo em questão por mais ângulos – no alto do estádio, ou privilegiando somente uma seleção, ou lances em câmera lenta. Após os jogos, das 12h à meia-noite, tais canais especiais exibiriam os VTs dos jogos. Finalmente, como já fizera em 1998 e seguiria fazendo, a emissora fechada mostraria os filmes oficiais das Copas, semanas antes do início do torneio.

Entre as 55 pessoas enviadas à Copa, Luiz Carlos Jr. seria o narrador do SporTV nos jogos principais, com João Guilherme e Lucas Pereira também presentes no local das partidas (Deva Pascovicci narrou os jogos dos estúdios, no Brasil). Os comentaristas traziam mais novidade: além do costumeiro Júnior, Leivinha e Rivellino eram caras novas, em suas únicas Copas pelo SporTV. Leivinha e Rivellino estariam ainda em outro programa especial: o “Copa em Dois Tempos”, debate mediado por Armando Nogueira – que também faria do Japão/da Coreia do Sul seu tradicional “Papo com Armando Nogueira”. Haveria ainda as aparições dos repórteres enviados à Ásia, para o “SporTV News”, e programas como “Brasil pelo Brasil”, com a repercussão da Copa em cidades brasileiras, e “Conexão Oriente”, com o ambiente nos países-sede. Ainda uma produção independente, unindo futebol à cultura pop, o “Tá na Área” de Alê Primo também estaria nos países-sede.


Argentina 1×1 Suécia, pela fase de grupos da Copa de 2002, na transmissão do SporTV, com a narração de Luiz Carlos Jr.

Mesmo fazendo parte das então Organizações Globo, o SporTV ainda mantinha desvinculação da emissora-mãe, conforme Luiz Carlos Jr. recordou à série “A família do penta”, exibida pelo canal no ano passado: “Na época, o SporTV ainda era muito menor do que ele é hoje, então eu lembro que tinha um certo viés alternativo em relação à cobertura da TV Globo. A gente focava ligeiramente diferente, a gente buscava um caminho diferente”. Tão diferente que teve uma informalidade inesperada para o canal aberto: comentando as partidas da Seleção Brasileira ao lado de Leivinha, Júnior deixou seu microfone sempre ligado. E teve captados seus gritos de gol, simultâneos aos do narrador, na transmissão. O hábito começou acidental e seguiu por toda a Copa, até a final. Na decisão, além de celebrar os gols, o ex-lateral ainda abriu as comemorações do título, com uma frase cheia de picardia enquanto o juiz Pierluigi Collina ia buscar a bola: “Já era, Luiz! Não dá mais! Auf wiedersehen!” – para quem não sabe, “auf wiedersehen” é “adeus” em alemão…


Primeiro gol do Brasil no 2 a 0 contra a Alemanha, na final da Copa de 2002, na transmissão do SporTV, com a narração de Luiz Carlos Jr. e a comemoração simultânea de Júnior

Na próxima parte: em 2006, a Globo segue sozinha na tevê aberta, encarando tristeza imprevista. O equilíbrio volta só nas emissoras a cabo, com marcante cobertura da ESPN, novidades no SporTV e o “retorno” da Bandeirantes via Bandsports