A Tunísia não está entre as seleções mais cotadas da Copa do Mundo. Retorna ao Mundial depois de 12 anos de ausência, sem grandes estrelas no futebol europeu. Seu nome mais conhecido é Wahbi Khazri, atualmente no Rennes, que certamente gera um “quem?” na maioria do público. Muita gente só foi conhecer a face dos tunisianos graças ao álbum de figurinhas. E será uma pena não ver aquele rapaz da 566 nos estádios da Rússia. Neste sábado, Youssef Msakni confirmou que não estará apto ao Mundial. O atacante sofreu uma séria lesão no joelho, que custará sua convocação ao torneio. Aquela que seria a grande vitrine de sua carreira.

Msakni é daqueles caras que, mesmo sem se transferir à Europa, merecem respeito. O jogador de 27 anos surgiu no futebol local, vestindo a camisa do Stade Tunisien. Pouco depois, deu um salto rumo ao Espérance. E aqueles que acompanham mais atentamente os clubes de fora dos grandes centros, conheceram seu talento a partir de então. Era o maestro do time que conquistou a Liga dos Campeões da África em 2011. Inclusive, disputou o Mundial de Clubes ao final do ano, apesar da campanha tímida, eliminado logo nas quartas de final.

Já em 2012, Msakni conquistou o quarto título nacional consecutivo com o Espérance, sempre como protagonista. Era cortejado por clubes franceses, mas, às vésperas de completar 22 anos, decidiu tomar outro rumo em sua carreira. Os salários e a cultura mais próxima o atraíram, e ele preferiu se mudar ao Catar, defendendo o poderoso Lekhwiya. Foi vendido por 11,5 milhões de euros, recorde a um atleta saído de um clube africano. E virou a grande estrela do time, tetracampeão catariano, quase sempre com ótimos números. Apesar de uma proposta ou outra da Europa que ainda pintasse, o atacante preferiu prosperar no “Mundo Árabe”.

Enquanto brilhava no futebol asiático, Msakni manteve a sua importância na seleção tunisiana. Já passou das 50 partidas pelas Águias de Cartago, com cinco participações na Copa Africana de Nações. E, dono da camisa 7, foi um dos jogadores mais notáveis nas Eliminatórias. O ápice aconteceu na penúltima rodada, contra a Guiné, fora de casa. O atacante anotou três gols, possibilitando a goleada por 4 a 1 e encaminhando a classificação ao Mundial. Dias depois, com o empate sem gols contra a Líbia, a Tunísia comemorou seu retorno à Copa do Mundo.

Não seria exagero comparar Msakni ao egípcio Mohamed Aboutrika. Dois jogadores influentes em suas seleções, extremamente técnicos e que não seguiram a clubes europeus, apesar do talento claro. Por sua qualidade, o camisa 7 poderia ser uma das surpresas no Mundial, especialmente nos duelos contra Bélgica e Inglaterra. Une habilidade nos dribles, visão de jogo e uma categoria acima da média para bater na bola. Não à toa, atravessava sua melhor temporada com o Lekhwiya – rebatizado como Al Duhail.

Msakni anotou 25 gols em 22 aparições na atual edição do Campeonato Catariano. Recuperado de uma contusão recente, entrou apenas no segundo tempo do jogo do Al Duhail, pela última rodada da liga, que servia para ratificar mais um título nacional. Entretanto, ficou poucos minutos em campo, logo rompendo os ligamentos do joelho. Capitão da equipe, ainda voltou para receber a taça. Mas logo depois, através das redes sociais, confirmou que não terá condições de participar da Copa do Mundo.

Para Msakni, é o sonho que se desmorona pouco antes de se concretizar. Para a seleção tunisiana, a perda de seus maiores talentos. E o Mundial também sofre com o desfalque. O camisa 7 tinha tudo para ser um daqueles jogadores que eclodem justo no grande palco. Que viram personagem de Copas. Por sua idade, tem tempo para dar a volta por cima, talvez no próprio Catar onde é adorado. Ainda assim, a quem acompanha a carreira de Msakni ou a quem torce pelo sucesso dos tunisianos, o lamento é inescapável.