O Corinthians não pode ser culpado de não ter tentado, de não ter brigado. Fez metade de primeiro tempo de manual, pressionou nos minutos finais como pode, mesmo com um jogador a menos, e ganhou a partida em Itaquera: 2 a 1. No entanto, pelo gol marcado fora de casa a favor do Colo-Colo, os paulistas estão mais uma vez eliminados nas oitavas de final da Libertadores. É a sétima vez desde o começo do século, oitava em todas as participações do time no torneio.

Foi assim em 2003, 2006, 2010, 2013, 2015, 2016 e agora em 2018. Contra clubes grandes como River Plate, Flamengo e Boca Juniors, tradicionais que atualmente não são tão fortes como o Nacional, do Uruguai, e também equipes que nunca levantaram o caneco sul-americano, como Guaraní, do Paraguai. Com exceção da fase preliminar, as únicas vitórias em mata-mata nesse período vieram na campanha do título de 2012.

Desta vez, era complicado esperar muito mais. Dava para passar pelo Colo-Colo, que tem um trio de ataque talentoso, mas envelhecido, lento e com pouco fôlego. No entanto, o elenco passou por muitas mudanças recentes, e Osmar Loss ainda comanda um processo de formação de time, sem que a torcida tenha confiança absoluta de que ele é o homem certo para o serviço.

Mesmo assim, tendo se salvado de uma derrota por um placar mais amplo no jogo de ida, houve momentos em que a classificação era muito possível. Na metade inicial do primeiro tempo, por exemplo, o Corinthians se portou perfeitamente. Não deu um segundo de respiro para o Colo-Colo, pressionando o portador da bola o tempo inteiro. Conseguiu criar chances e abriu o placar com Jadson, cobrando pênalti.

Mas é impossível manter a intensidade o jogo inteiro. O Colo-Colo foi pouco a pouco se assentando na partida, deixando o nervosismo dos minutos iniciais para trás, e conseguiu ficar um pouco mais com a bola nos pés. Como no Chile, porém, Valdivia teve liberdade demais. Na primeira oportunidade de olhar o ataque de frente, abriu bem o jogo para o cruzamento pela direita. Na segunda, abriu na esquerda para Damián Pérez cruzar e Lucas Barrios cabecear para as redes.

No início do segundo tempo, Orión precisou trabalhar duas vezes seguidas. Espalmou o chute de Pedrinho para escanteio e depois barrou a finalização de Henrique, livre e na pequena área. Aos 18 minutos, em novo canto, Roger ganhou a disputa espacial com o zagueiro, como Barrios havia feito no primeiro tempo, e recolocou o Corinthians no confronto.

O envelhecido trio de ataque do Colo-Colo, que além de Barrios e Valdivia tem Esteban Paredes, 38 anos, cansou. O fôlego dos três terminou, e os chilenos pararam de tentar atacar. A mais de dez minutos do fim da partida, já aproveitavam os escanteios para segurar a bola no campo de ataque, cavar uma falta, uma cobrança de lateral, em vez de tentar o gol de empate. Isso permitiu que o Corinthians pressionasse, e o abafa não esfriou nem quando Danilo Avelar foi expulso, aos 45 minutos do segundo tempo.

O árbitro Nestor Pitana pode ser culpado de ter permitido pancadas demais do Colo-Colo, mas pelo menos compensou o gasto de tempo com sete minutos de acréscimos. No período extra, porém, o Corinthians teve apenas uma cabeçada de Douglas e um chute de fora da área de Emerson Sheik. Foi pouco para conseguir o gol da classificação, e a projeção de um dérbi com o Palmeiras nas quartas de final ficou apenas na expectativa.