Jogar no Maracanã cheio contra o Flamengo nunca é fácil, mas o Cruzeiro conseguiu fazer um grande jogo na noite de Libertadores. O jogo de ida das oitavas de final teve o time mineiro eficiente, marcando bem e perigoso no ataque. Venceu o Flamengo por 2 a 0, com um gol em cada tempo, e sai do jogo de ida das oitavas de final com um resultado imenso. O time comandado por Mano Menezes fez o jogo que queria, conseguiu um gol no começo do jogo na casa do rival, administrou na defesa, sem dar espaço e nem chances para os rivais, e continuou perigoso. Diante da inoperância do mandante, foi o time Celeste quem criou as melhores chances, mesmo tendo menos a bola, e sai de campo merecedor do resultado que conseguiu.

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Diante de um rival bem posicionado na defesa, o Flamengo pouco conseguiu fazer. Tocou a bola muitas vezes, como já é comum, mas desta vez as chances foram escassas. Quase todas elas no abafa. Embora o time tivesse paciência para trocar passes, buscava espaços que não apareciam. E o time não parecia capaz de cria-los. O Cruzeiro, ao contrário, ia muito menos ao ataque, mas parecia saber o que fazia com a bola. E conseguia criar espaços e dar sustos nos torcedores em um Maracanã com 45.967 pessoas (sendo 41.533 pagantes).

O técnico Maurício Barbieri escolheu Jean Lucas como substituto do meia Lucas Paquetá, suspenso, e decidiu por manter Marlos Moreno no time, com Vitinho como opção no banco. No Cruzeiro, Mano Menezes manteve Hernán Barcos no ataque, com uma linha de meias formada por Robinho, Thiago Neves e Arrascaeta.

Aos 10 minutos, o Cruzeiro conseguiu um gol. Thiago Neves fez a jogada pela direita, tocou para Robinho dentro da área e o meia achou Arrascaeta nas costas da defesa, em posição legal, e tocou para o gol: 1 a 0. Um gol importante até pela postura que o time comandado por Mano Menezes costuma adotar nos jogos fora de casa. Contra um time que naturalmente já fica mais com a bola, o Cruzeiro poderia manter a marcação mais baixa e buscar espaços para o contra-ataque.

Thiago Neves tomou um cartão amarelo por uma entrada muito dura aos 13, em um carrinho violento em Jean Lucas, pesada. Gerou cartão amarelo para o meia cruzeirense, em um lance que nem tinha necessidade de falta. Logo depois, o Cruzeiro quase chegou ao segundo gol. Aos 18 minutos, Arrascaeta retribuiu o passe para Robinho, que, livre na frente do goleiro, se esticou para tocar na bola, que bateu no travessão. No rebote, Thiago Neves, desequilibrado, tocou para fora, sem goleiro. Grande chance do time celeste.

O Flamengo finalmente conseguiu criar uma boa chance de gol aos 23 minutos. Rodinei cobrou escanteio pelo lado direito, Uribe conseguiu o desvio na primeira trave e Diego se atirou na bola, mas não alcançou. Ela passou direto. Foi em novo escanteio, mas aos 34 minutos, que o Flamengo chegou com perigo mais uma vez. Desta vez, Éverton Ribeiro cobrou, Uribe desviou de forma sutil na primeira trave e Fábio faz uma grande defesa.

No final do primeiro tempo, já aos 45 minutos, um dos jogadores mais acionados pelo Flamengo no primeiro tempo, Rodinei, recebeu de Éverton Ribeiro e finalizou, mas o chute foi no meio do gol e Fábio rebateu. Foi uma das poucas jogadas que o Flamengo conseguiu criar chegando com passes. Quando o árbitro apitou o fim do primeiro tempo, o Flamengo tinha muito o que pensar para o intervalo. Pouco conseguiu fazer criando jogadas. O Cruzeiro, posicionado, conseguiu se defender bem, sem problemas.

Arrascaeta comemora gol do Cruzeiro (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Logo no início do segundo tempo, o time conseguiu uma boa chance. Rodinei fez a jogada pela direita, passa pela marcação de Egídio e cruza para Uribe, que cabeceou com perigo e obrigou Fábio a mais uma boa defesa. Depois da primeira chance, porém, o Flamengo tinha dificuldades em chegar mais ataque.

Mano Menezes decidiu mudar o ataque aos 16 minutos. Tirou o centroavante Barcos e colocou Raniel, mais móvel e preparado para tentar levar mais perigo em contragolpes. Já o Flamengo mudou aos 18 minutos, tirando Jean Lucas, que atuava no meio-campo, para a entrada de Vitinho, um atacante. Marlos Moreno foi deslocado para o lado direito do ataque, com Vitinho ficando à esquerda. Éverton Ribeiro e Diego ficaram pelo meio e só Gustavo Cuéllar ficou na marcação.

Mais espaços apareceram e o Cruzeiro começou a ameaçar na bola longa. Raniel recebeu um passo longo no lado esquerdo, tentou passar pela marcação, mas acabou ficando entre os zagueiros. Ocupando mais ainda o campo de ataque, os espaços apareciam nas costas, mas o Cruzeiro não conseguia aproveitar.

Mano Menezes, então, fez outra alteração aos 27 minutos: tirou Robinho e colocou Rafinha, uma alternativa de mais velocidade. Aos 30 minutos, o Cruzeiro teve uma nova chance. Desta vez, em uma jogada pela esquerda de Egídio, que tocou rasteiro para a entrada da área. Thiago Neves tinha espaço, mas bateu de primeira, mandando por cima do gol.

O técnico do Flamengo tentou a última cartada: colocou o centroavante Lincoln no lugar de Marlos Moreno, que saiu sem conseguir fazer muito. Só que a situação se complicaria logo em seguida para o time rubro-negro no Maracanã.

O Cruzeiro trabalhava a bola no ataque, com Rafinha descendo pela direita, tocando para o meio da área, onde estava Arrascaeta. O uruguaio ajeitou para trás e Lucas Silva bateu forte. Thiago Neves, no meio da área e em posição legal, tocou para desviar e matar o goleiro Diego Alves: 2 a 0 para os celestes em pleno Rio de Janeiro, aos 32 minutos. A torcida do Cruzeiro, empolgada, começou a gritar “O Maraca é nosso”, diante do silêncio atônito dos rubro-negros.

Com o placar tão favorável, Mano Menezes fez a sua última alteração. Tirou Thiago Neves, já cansado, e colocou o volante Ariel Cabral para tentar segurar um pouco mais o jogo nos últimos minutos, imaginando a pressão final que os mandantes fariam. Só que não veio a chance para o Flamengo e sim para o Cruzeiro. Em um contra-ataque veloz, Arrascaeta avançou com a bola, no mano a mano, e tocou para Rafinha. O atacante chutou, mas Diego Alves defendeu.

No fim, o Cruzeiro sai com um placar d e2 a 0, mas que poderia ter sido até mais se o time aproveitasse algumas chances claras que teve. Mais do que isso, teve muito espaço no segundo tempo para explorar e, com um pouco mais de pressão na bola, talvez já tivesse matado o confronto nesta partida de ida. A partida do time mineiro foi excelente e certamente algo que será muito lembrado pela torcida.

Com o placar ao seu favor, o Cruzeiro defenderá a vantagem conquistada neste jogo de ida no dia 29, também às 21h45, no Mineirão. O Cruzeiro poderá perder por até um gol de diferença. Para um time que sabe tão bem como atuar atacando os espaços dos adversários, será uma missão muito, muito complicada para o Flamengo. Será preciso fazer tudo que não fez neste primeiro jogo.