Héctor Cúper havia dito, um dia antes da estreia do Egito na Copa do Mundo, que a probabilidade de Mohamed Salah enfrentar o Egito era “próxima de 100%”. Não mentiu, mas, no fim das contas, a porcentagem menor prevaleceu. O atacante do Liverpool, que sofreu uma lesão complicada na final da Champions League há menos de um mês, não saiu do banco de reservas na derrota por 1 a 0 sobre o Uruguai. 

LEIA MAIS: No fim das contas, o novo Uruguai alcançou a vitória ao velho estilo: na marra

Ao que tudo indica, pelas informações que partem da delegação egípcia, Salah entrará em campo na Rússia. A questão, porém, é em quais condições. Tão pouco tempo depois da lesão, dificilmente estará no melhor da sua forma física. Talvez ela estivesse mesmo precária demais para enfrentar o Uruguai. Ou, talvez, na dúvida, Cúper tenha decidido poupar e preservar o seu melhor jogador para a partida decisiva contra a Rússia.

Depois da derrota, Cúper admitiu que quis “evitar riscos” neste jogo, mas que espera Salah preparado para a próxima partida. “Ele terá um papel importante nos próximos jogos. Ele é um jogador importante para nós, mas o que precisamos é de um bom time e tínhamos um bom time”, explicou.

Temos entender o contexto do grupo. O Uruguai sempre foi o favorito pela primeira colocação. A Arábia Saudita mostrou-se frágil demais na estreia. A segunda vaga nas oitavas de final, dando a lógica, ficará entre Egito e Rússia. Valeria a pena arriscar Salah contra o jogo muito físico dos uruguaios em um duelo que, mesmo com ele em campo, as chances de uma vitória egípcia seriam pequenas?

Este pode ter sido o cálculo de Cúper: encarar o Uruguai sem o craque, defender-se bem, deixar o tempo rolar e se contentar com um empate, sem grandes ambições. E essa estratégia funcionou bem durante 89 minutos, embora Suárez tenha tido chances para abrir o placar. Caso o atacante do Barcelona tivesse aproveitado alguma delas mais cedo, Cúper poderia lançar a sua arma não tão secreta assim. Como o gol de Giménez saiu no fim da partida, depois das três substituições terem sido feitas, não havia muito a ser feito. 

O gosto amargo para o Egito é que a partida foi mais equilibrada do que se esperava. O Uruguai dominou a posse de bola, mas teve dificuldades na criação. E deu espaços para o contra-ataque entre as linhas de meio-campo e da defesa. Os africanos conseguiram algumas situações de velocidade no contrapé adversário, mas, na hora de definir a jogada, faltou contundência e criatividade, exatamente o que Salah oferece à equipe. O jogador do Liverpool, na ponta direita, inevitavelmente seria o destino dessas transições e teria a qualidade para transformá-las em chances melhores de ameaça a Muslera. 

A estratégia de Cúper, no fim, fica condicionada pelo resultado. Caso tivesse conseguido o empate, a situação teria sido perfeita, com um ponto no bolso e Salah descansado para o restante do grupo. Como Giménez marcou aos 44 minutos do segundo tempo, a sensação é de que o Egito perdeu a oportunidade de complicar mais a vida do Uruguai, até mesmo ganhando o jogo, por falta de ambição. É muito cruel a profissão de treinador de futebol.