Em 2018, o Alianza Lima celebrará o centenário de seu primeiro título no Campeonato Peruano. Uma história inegavelmente gloriosa, que coloca os blanquiazules entre os maiores clubes de seu país. Ao longo da última década, porém, os aliancistas sofreram. Atravessaram uma das secas mais longas da agremiação, que perdurou por 11 anos. Até que, neste domingo, toda a espera se transformasse em pó. Justamente na semana em que se completam 30 anos do desastre aéreo que deixou chagas profundas, o Alianza reconquista o título nacional. Ergue a taça pela 23ª vez, provocando uma erupção nas ruas de Lima.

Ao longo dos últimos anos, o Alianza Lima sequer conseguiu passar próximo do troféu. Desde o vice-campeonato de 2011, os blanquiazules não haviam figurado entre os três primeiros colocados. Mas a sina mudou em 2017, com o time dominando o Campeonato Peruano de ponta a ponta. Primeiro, os aliancistas conquistaram o Torneio Apertura graças à vantagem sobre o Real Garcilaso no saldo de gols. Já neste final de semana, o clube da capital concretizaria a festa. A vitória por 2 a 0 sobre o Comerciantes Unidos confirmou a conquista também no Clausura. Pela dobradinha, a equipe evitou a realização dos playoffs finais, que costumam definir o campeão nacional no Peru.

No banco de reservas, o Alianza Lima teve com a experiência de um treinador simbólico: o craque uruguaio Pablo Bengoechea. O ex-camisa 10 chegou a comandar por breve período a seleção peruana, substituindo Sergio Markarián, após quatro anos atuando como assistente de seu compatriota. Depois, passaria pelo Peñarol, clube no qual foi ídolo absoluto em seus tempos de jogador, e conseguiu conquistar o Campeonato Uruguaio em 2016. E a carreira ascendente ganhou mais um brilho com o feito à frente dos blanquiazules. Em pouco mais de um ano, o uruguaio causou um impacto gigantesco aos aliancistas.

Já em campo, o Alianza Lima contou com um elenco extremamente experiente para voltar ao topo. O nome mais tarimbado é o do goleiro Leao Butrón. Aos 40 anos, o veterano foi fundamental para manter a melhor defesa do campeonato e teve o gosto de erguer a taça como capitão. Coroa uma carreira bastante condecorada, com direito a sete títulos nacionais, três deles pelos blanquiazules. Além dele, outros decanos da seleção recheiam o grupo, sobretudo no meio-campo, com Cachito Ramírez, Rinaldo Cruzado, Óscar Vilchez e Paolo de La Haza. Um pouco mais jovens, Miguel Araújo e Alejandro Hohberg despontam como candidatos a disputar a Copa de 2018 pela Blanquirroja.

E o time também teve uma pitada de talento estrangeiro para triunfar no Campeonato Peruano. O ataque do Alianza Lima conta com o colombiano Lionard Pajoy e o argentino Germán Pacheco, dois jogadores com enorme rodagem internacional. Já o protagonismo recaiu sobre o meio-campista uruguaio Luis Aguiar. Campeão nacional com o Peñarol em 2016, o camisa 7 teve uma breve passagem pelo Braga, antes de se juntar a Bengoechea no Peru. Uma parceria que deu certo novamente. Aos 32 anos, o ex-jogador do Vitória foi o artilheiro aliancista na campanha, autor de 15 gols na campanha. Por fim, na última rodada, coube ao também uruguaio Gabriel Leyes sair do banco para anotar os dois gols sobre o Comerciantes Unidos.

A conquista do Alianza repercutiu entre alguns dos grandes nomes do futebol peruano. Claudio Pizarro, Paolo Guerrero, Jefferson Farfán e Christian Cueva, todos com passagem pelo clube, usaram suas redes sociais para felicitar os blanquiazules. Mas a grande festa veio mesmo da própria torcida, que lotou o Estádio Matute e depois tomou as ruas de Lima para celebrar o título que esperaram por tanto tempo. Insanidade digna à tradição da agremiação e ao tamanho de sua massa de torcedores.

Para 2018, o Alianza mira o retorno à fase de grupos da Copa Libertadores, após seis anos sem figurar na principal etapa da competição continental. O desafio aos blanquiazules é grande, considerando o histórico recente dos times peruanos no torneio, sem avançar aos mata-matas desde 2013. Os reforços são necessários, especialmente pensando na média de idade do elenco. No entanto, o que importa agora é a comemoração de um título que custou tanto para voltar ao Matute. E que em um ano tão relevante ao futebol no Peru, acaba de coroar também um de seus maiores emblemas.