Os peruanos saíram de cabeça baixa. Guerrero cobriu a sua com a camiseta e apoiou as mãos nos joelhos. Cueva havia chorado o pênalti que desperdiçou já no intervalo e voltou a desabar ao apito final. Todos pareciam abatidos, como se tivessem acabado de sair da Copa do Mundo. Mas é o contrário: acabaram de chegar. E a estreia do Peru, 36 anos depois da última participação em Mundiais, foi animadora, apesar dos erros e da derrota por 1 a 0 para a Dinamarca. 

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Em desempenho, qualidade de jogo ofensivo e chances criadas, o Peru teve uma das melhores exibições da Copa. Nesses quesitos específicos, superior inclusive à da Dinamarca, que teve outros méritos, organizada, fechando a entrada da área e eficiente no contra-ataque que descolou com Pione Sisto e Christian Eriksen para fazer 1 a 0. Pressionou com competência a saída de bola sul-americana e quase ampliou o placar desta forma, em chute cruzado do craque do Tottenham. Tinha outra proposta de jogo e a executou muito bem.

Mas o Peru propôs o jogo e conseguiu respostas interessantes. Teve 13 finalizações, a maioria delas perigosa. Exigiu seis defesas de Schmeichel, pelo menos quatro delas difíceis. Ainda teve um calcanhar de Guerrero que não entrou por pouco e um cruzamento que encontraria o atacante livre na segunda trave, mas foi cortado em cima da hora. No geral, o Peru conseguiu chegar com facilidade na área dinamarquesa, sempre tocando a bola com propósito, e levava perigo com frequência.

Cueva perdeu um pênalti, Advíncula quase marcou, Flores mandou cruzado para defesa do goleiraço, que também pegou uma batida de frente de Farfán. Faltou tomar decisões melhores quando levava a bola para dentro da área. Na hora de definir a jogada, com um passe mais agudo ou uma finalização, houve certa afobação. A missão de representar o país na Copa do Mundo, a primeira geração que tem esse prazer desde 1982, pode ter influenciado, e a reação dos jogadores ao fim da partida – inclusive o choro de Cueva ainda no intervalo – deixa claro que a partida tinha um peso emocional muito grande.

Guerrero fez falta na primeira hora. Ainda sem ritmo, começou no banco de reservas. Quando entrou, ficou visível como o Peru tornou-se mais perigoso, com alguém de qualidade para fazer o pivô e tirar alguns coelhos da cartola – como o toque de calcanhar e uma cabeçada encaixada por Schmeichel. 

Analisando o contexto do grupo, com a Austrália como zebra e a França como favorita, a segunda vaga nas oitavas de final ficaria entre Peru e Dinamarca. Perder o confronto direto é um golpe duro nas pretensões sul-americanas. Sem dúvida, complicou a classificação. Mas não é a hora de baixar a cabeça, nem desistir. O Peru fez uma ótima partida contra os dinamarqueses e, se mantiver o nível, com Guerrero em campo mais tempo, pode continuar sonhando. Até porque, no primeiro jogo do dia, a França não mostrou nada demais em termos coletivos.