A liga do campeão do mundo voltou. Nesta sexta começou a Ligue 1 2018/19, o Campeonato Francês, com muitas histórias para serem acompanhadas. Os campeões do mundo têm algumas coisas interessantes, não só pelos jogadores, mas pela disputa de alguns clubes que querem fazer um barulho. Concorrer com o PSG é uma tarefa ingrata, especialmente se olharmos os orçamentos anuais de cada um. Segundo o L’Equipe, o PSG lidera com sobras com € 500 milhões/ano, seguido por Lyon (€ 285 milhões), Monaco (€ 215 milhões), Marseille (€ 150 milhões), Lille (€ 90 milhões), Saint-Etienne (€ 74 milhões), Bordeaux (€ 70 milhões), Rennes (€ 68 milhões), Nantes (€ 60 milhões), Nice (€ 50 milhões), Montpellier (€ 41, 4 milhões), Reims (€ 40 milhões), Strasbourg, (de € 35 a 40 milhões), Amiens (€ 36 milhões), Dijon (€ 35 milhões), Toulouse (€ 35 milhões), Caen (€ 34 milhões), Angers (€ 30 milhões), Guingamp (€ 30 milhões) e Nîmes (€ 20 milhões).

Só que o dinheiro não diz tudo, embora dê um bom indicativo sobre a tabela. Há bons trabalhos sendo feitos que merecem destaque, jogadores que querem o seu lugar entre os destaques e a história de um favorito muito destacado. Sem falar na disputa acirradíssima pelas primeiras posições, que dão vaga na Champions League aos três primeiros colocados.

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PSG: novo técnico e Cavani, Mbappé e Neymar pós-Copa

Como foi incomum, nos últimos anos, o Paris Saint-Germain fez poucas mudanças no seu elenco. Nenhuma grande contratação. Na verdade, uma enorme: Kylian Mbappé, contratado por € 180 milhões, depois de ficar uma temporada emprestado. Vamos combinar que não conta como uma contratação na prática? Com isso, a única contratação relevante é a de Gianluigi Buffon, goleiro, 40 anos, que chega como uma estrela importante em uma posição que o time não tinha alguém desse tamanho (Alphonse Areola e Kevin Trapp, convenhamos, não são exatamente estrelas).

A grande novidade não está em campo, mas fora dele. Chegou o técnico Thomas Tuchel, um treinador que teve como trabalho mais importante o último, que ficou à frente do Borussia Dortmund, de 2015 a 2017. Na última temporada, não trabalhou. Essa é a principal mudança porque Unai Emery tinha um perfil muito mais conciliador, enquanto Tuchel é alguém que se caracterizou por conflitos. No Dortmund, entrou em conflito com a diretoria. É alguém conhecido por ser mais autoritário também, o que pode mudar a relação de vestiário. Entre os muitos problemas que Unai Emery teve, gestão das estrelas foi uma.

Esse deve ser um desafio ainda maior especialmente porque a Copa do Mundo trouxe uma repercussão diferente para as três estrelas do ataque. Mbappé foi campeão e foi um destaque do time francês. Edinson Cavani fez uma boa Copa, se tornou o destaque do Uruguai até que se machucou nas oitavas de final e acabou fazendo uma falta enorme no jogo contra a França, nas quartas de final. Os dois tiveram Copas que os fizeram voltar em alta para o PSG. Já Neymar não tem muito o que comemorar do que viveu na Rússia. Mais uma Copa do Mundo e, mesmo tendo alguns bons jogos, como contra o México e até contra a Bélgica, sai da Copa com o gosto amargo da decepção e de uma eliminação precoce, em que ele não conseguiu decidir. Se isso vai impactar a sua volta ao clube e como é difícil de dizer.

Na temporada passada, a primeira do brasileiro em Paris, alguns conflitos com Cavani emergiram, apesar de todo esforço de assessoria de imprensa e do clube em minimizar qualquer problema. Com Tuchel, as questões de vestiário devem ser bem diferentes e as decisões sobre o time também. Esse é um ponto crucial para a temporada do PSG. O quanto Tuchel será capaz de tirar dos jogadores e criar uma relação de confiança como Emery não conseguiu? Se no cenário local talvez isso tenha influência menor, pensando em sonhos maiores, como a Champions, pode ser fundamental.

Marseille com uma boa sequência de trabalho

O técnico Rudi Garcia vai para o seu terceiro ano como técnico do Olympique de Marseille e o time mais popular da França espera colher resultados da continuidade no bom trabalho do treinador. O time é basicamente o mesmo da última temporada. Só chegou o zagueiro Duje Caleta-Car, do Red Bull Salzburg. A base do time, que terminou a temporada passada em quarto lugar, é promissora e pode render bons frutos nesta nova temporada, especialmente com as dúvidas que permanecem sobre o Monaco, até então principal perseguidor do PSG.

O principal jogador do time segue sendo Florian Thauvin, campeão do mundo pela França como reserva. Em um time que tem Dmitri Payet, foi ele a grande estrela e merece ficar de olho. Rami, outro campeão do mundo, é o zagueiro estabelecido do time e deve formar a dupla titular ao lado de Caleta-Car. O brasileiro Luiz Gustavo segue como volante do time, atuando por vezes como zagueiro improvisado. Nas laterais, dois jogadores de ótimo nível: o japonês Hiroki Sakai na direita e Jordan Amavi na esquerda.

A ambição será novamente brigar no alto da tabela e buscar, primeiramente, uma vaga na Champions League. É o time favorito a trazer algum incômodo ao PSG, ainda que falte alguma profundidade no elenco. Nenhum dos centroavantes é realmente confiável, com Kostas MItroglou e Valére Germán se revezando na função. De qualquer forma, é um time formado e que teve um bom desempenho na Liga Europa da temporada passada. Ainda busca em Mario Balotelli uma opção melhor para o seu comando de ataque, mas é um time forte o bastante para a França.

Nantes brasileiro

O Nantes é um clube verde e amarelo e, nesta temporada, será um clube também verde e amarelo no sentido figurado, pela presença de muitos brasileiros no elenco. São seis no total: Diego, zagueiro, que chegou ao clube em 2016; Lucas Lima, lateral esquerdo, também chegou em 2016; Fábio, lateral direito, contratado nesta temporada do Middlesbrough; Andrei Girotto, volante, que chegou em 2017; Lucas Evangelista, meia, contratado nesta temporada; Gabriel Boschilia, meia/atacante, também contratado nesta temporada, por empréstimo do Monaco.

Português será uma língua muito falada, porque o técnico é Miguel Cardoso, português, que vai para a sua segunda temporada como técnico principal, depois de muitos anos como assistente. Seu quinto lugar com o Rio Ave, em Portugal, reverberou até a França e ele foi escolhido como substituto de Claudio Ranieri, que fez um bom trabalho, mas acabou deixando o cargo. Embora a leva de brasileiros faça barulho, vale ficar atento a Emiliano Sala, o centroavante do time, capaz de segurar a bola e fazer gols. O volante Abdoulayé também merece atenção.

Com os brasileiros, o Nantes tem boas chances de repetir uma boa temporada, o que significa, para o clube, ficar no meio da tabela e garantir mais um ano de Ligue 1. Em 2017/18, a nona colocação foi bem recebida e um desempenho que leva o clube a brigar por uma vaga na Europa seria surpreendente, mas pode acontecer se o time encaixar e especialmente Lucas Evangelista e Boschilia (curiosamente, dois jogadores formados pelo São Paulo) conseguirem elevar o nível do time.

Patrick Vieira no Nice

Cotado para dirigir o Arsenal, Patrick Vieira desembarcou mesmo na França para ser o substituto de Lucien Favre no ótimo Nice. Vem com a responsabilidade de substituir um técnico que conseguiu ter bons momentos no clube da costa francesa e que levou a equipe até a Liga dos Campeões há duas temporadas. Vieira, que trabalhava nos Estados Unidos comandando o New York City, vai ter um bom elenco para os padrões da Ligue 1.

Para tentar chegar novamente em vagas europeias, contará com o enorme potencial de Wylan Cyprien, que fazia boa temporada passada até se machucar. Aos 23 anos, o jogador está em ascensão e é considerado inclusive uma possibilidade futura da seleção francesa. Se o jogador conseguir se estabelecer como um bom meia que mostrou que pode ser, o Nice terá boas chances de brigar na metade de cima da tabela. O time ainda tem Mario Balotelli, em tese, além de jogadores como Allan Saint-Maximin, que atua nas pontas, e o bom volante brasileiro Danilo, que vem do Braga. O brasileiro terá a pesada missão de substituir Michaël Seri.

O desafio para Vieira será mostrar que ele tem nível para ser o técnico também em uma liga do porte da Ligue 1, depois de um trabalho consistente na MLS. Nenhum outro técnico na liga ganhou mais jogos que ele durante os dois anos e meio no comando do time de Nova York. Ele já tinha trabalhado no time sub-21 do Manchester City (clube pelo qual encerrou a carreira como jogador e que é do mesmo grupo que detém o New York FC).

Embora o desafio de Vieira seja grande pelo que o Nice já fez nos últimos anos, o projeto do clube é apostar no seu crescimento como treinador e, por isso, ele deve ter tempo de trabalhar e se desenvolver em um nível mais alto de futebol. O objetivo inicial não é particularmente ambicioso: terminar na metade de cima da tabela e desenvolver jogadores jovens no elenco.

Aos 42 anos, ele tem duas claras inspirações: Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal, e José Mourinho, atualmente no Manchester United. “Arsène nos dava muita liberdade e Mourinho entrava mais nos detalhes sobre os adversários, o que ele via nos jogadores, ao contrário de Arsène, que tinha uma filosofia diferente”, afirmou Vieira ao jornal L’Equipe.

“É importante dar informação aos jogadores e tentar jogar um bom jogo, mas ao mesmo tempo, você tem que dar aquela liberdade para que eles sejam capazes de se expressarem por eles mesmos. Havia mais atribuição de responsabilidade com Arsène. Um misto dos dois seria muito bom”, descreveu o ex-volante. Os torcedores do Nice certamente torcem muito para que ele consiga aplicar com sucesso essa fórmula.

Monaco remontado, mais uma vez

Quantas vezes é possível montar e remontar um time e, mais do que isso, permanecer competitivo? Aparentemente, o Monaco tentará isso mais uma vez. É verdade que a base do time é boa, apesar das persas significativas de Thomas Lemar e Fabinho. A aposta é, mais uma vez, em jogadores jovens, como Willem Geubbels, de apenas 16 anos, que vem do Lyon por € 20 milhões, e oportunidades de mercado, como Jean-Eudes Aholou, de 24 anos, marfinense que chega do Strasbourg sem muito alarde por € 14 milhões. É um volante de qualidade que pode substituir Fabinho muito bem, obrigado.

O principal nome que chega, porém, é Aleksandr Golovin, 22 anos, russo que vem do CSKA Moscou e que fez uma ótima Copa. Mais do que isso, vinha sendo um dos principais jogadores do clube russo e era disputado. O Chelsea era o principal rival dos monegascos na disputa por essa contratação, que acabou indo para o belo principado sem impostos na costa francesa.

Entre os jogadores que já estavam no clube do principado, Rony Lopes surge como uma potencial nova estrela. O jogador deve ser o titular da ponta esquerda e é capaz de marcar muitos gols – foram 15 na última temporada – além de ser muito criativo. Sem Lemar, ele terá uma responsabilidade ainda maior nesse sentido. Aos 22 anos, o ex-jogador do Manchester City é alguém que pode explodir e tem uma ótima leva de companheiros.

O goleiro é Subasic, da Croácia, que fez ótima Copa do Mundo, até melhor do que o seu nível regular na Ligue 1. Os zagueiros Glik e Jemerson também possuem ótimo nível, ainda que tenham sofrido com questões físicas e de irregularidade na temporada passada. Na lateral direita, Sidibé é um bom nome que, recuperado de lesão que o fez perder boa parte da temporada, pode trazer muito ao time. A lateral esquerda deve ser ocupada pelo novo contratado Antonio Barreca, que veio do Torino, além de ter Jorge, ex-Flamengo, na reserva. O belga Tielemans deve ser titular no meio-campo e também tem tudo para florescer ainda mais. Isso sem falar em Radamel Falcao García, centroavante e capitão do time, e Steven Jovetic, experiente e também um bom atacante. Pietro Pellegri, jovem revelação italiana, ainda com 17 anos, é outro que tem potencial para ir muito bem.

Por fim, o nome que também seja o mais importante do Monaco nos últimos anos: Leonardo Jardim. O técnico português tem feito um grande trabalho e a cada ano se supera. Desta vez, parece realmente algo difícil conseguir fazer o Monaco brigar pelo título e talvez a disputa mais realista seja por vaga na Champions League.

Lyon em busca de um lugar ao sol

Terceiro lugar na temporada passada, o Lyon tenta manter o embalo com manutenção da base e do seu treinador, Bruno Genesio, que está no clube desde a temporada 2015/16. A aposta do clube é clara em talentos jovens, como o contratado Martin Terrier, que chegou do Lille. Aos 21 anos, o meia/atacante pode ser usado ao lado de um atacante ou como um jogador atrás de um centroavante mais centralizado.

Há outros bons talentos com o recém-chegado Léo Dubois, de 23 anos, que veio do Nantes; o volante Lucas Tousart, de 21 anos, que deve ganhar mais protagonismo ainda no time; o meia Tanguy N’Dombélé, 21 anos, que chegou do Amiens e já mostrou boa capacidade. O jovem Houssem Aouar, 20 anos, deve ter chance de atuar no meio-campo e é uma outra aposta para brilhar.

O time ainda trouxe uma aposta, Reo Griffiths, 18 anos, que vem da base do Tottenham de graça. Na Premier League sub-18, ele foi muito bem com 34 gols em 34 jogos, mas sabemos que entre a base e o profissional há uma imensa diferença. De qualquer jeito, é uma aposta sem risco, por ter chegado sem custo.

O atacante Nabil Fékir ficou no clube, o que também é uma excelente notícia. Aos 25 anos, ele é um jogador de potencial alto para brilhar mais uma vez. Além dele, estão por lá Mariano Diaz, de ótima temporada passada e ainda com 25 anos, Bertrand Traoré, 22 anos, que também fez boa temporada passada e, principalmente, Memphis Depay, que foi um destaque muito positivo. Aos 24 anos, o holandês parece ter encontrado o bom futebol que o consagrou no seu país, antes de ser uma decepção no Manchester United.

Há também alguns jogadores experientes. O goleiro Anthony Lopes, por exemplo, é bastante confiável, assim como o zagueiro brasileiro Marcelo, de 31 anos. O experiente Jeremy Morel forma a zaga e tem 34 anos. A aposta do Lyon é uma base consistente e há um enorme espaço para melhora. O problema é que o time precisa da consistência que não teve e uma capacidade defensiva melhor, o que pode comprometer na disputa para ficar entre os primeiros colocados. De qualquer forma, é um dos fortes candidatos a uma vaga na Champions.

Saint-Étienne tenta aproveitar o bom momento

Um dos times mais tradicionais da Ligue 1, o Saint-Étienne é um time para se ficar de olho. Manteve dois dos seus jogadores importantes, Mathieu Debuchy, lateral direito ex-Arsenal, e Yann M’Vila, volante de ótima qualidade de passe e que com algum equilíbrio mental é um excelente jogador. O capitão Loïc Perrin ainda é um destaque, aos 33 anos. Um bom defensor que ajuda o time a render bem. Ao seu lado, tem também Neven Subotic, 29 anos, aquele mesmo, ex-Borussia Dortmund.

A linha defensiva do time deve estar entre as melhores da Ligue 1, com um desempenho na metade final da temporada passada em um nível alto. Gabriel Silva (lembra dele?) é o lateral esquerdo do time. A linha defensiva, somada a M’Vila, formam um conjunto que deve ser o ponto forte desse time.

O time ficou em sétimo na temporada passada e chegar além disso não é muito fácil considerando o que os outros times podem fazer. De qualquer forma, é um time que tem alguns pontos interessantes. O atacante Robert Beric é o principal jogador da linha de frente, mas ele sofre muito com lesões. O esloveno é um dos jogadores que pode ajudar o time a ir além de um meio de tabela. O time é experiente, mas deve sofrer para criar jogadas. De qualquer forma, com sua torcida e o técnico Jean-Louis Gasset é um time para ser olhado com atenção.

Buffon, um recomeço aos 40 anos

Mudar de país pela primeira vez na carreira de jogador de futebol aos 40 anos é algo inusitado. Quando se trata de manter-se no alto nível, mais ainda. O goleiro Gianluigi Buffon chega ao Paris Saint-Germain para ser mais uma estrela do time, tentar ajudar a organizar o time e dar experiência. É a junção da fome com a vontade de comer: o goleiro e o clube possuem um desejo enorme de conquistar a Champions League. O desejo será suficiente? Difícil saber.

O que dá para saber é que o nível apresentado por Buffon na temporada passada o qualifica como um dos melhores da Europa e isso ajudará o PSG, sem dúvida. Pode ajudar o time a tentar subir de nível, mesmo que o título da Champions League não venha. Além disso, será uma grande atração do time em qualquer lugar da França. Pessoalmente e profissionalmente para o goleiro, será uma grande experiência. Além do mais, morar em Paris, ganhando um salário de superestrela, certamente não é ruim, certo?

A incógnita Lille

Em 2017/18, o Lille tinha um projeto ambicioso. Trouxe Marcelo Bielsa e alguns bons jogadores, como o volante Thiago Maia e o atacante Luiz Araújo, ambos bem jovens. Só que o projeto virou água, o técnico argentino foi demitido ao longo da temporada e o time brigou contra o rebaixamento. Tudo isso parece ter ficado para trás e o time tem boas perspectivas para a temporada, que começam em não correr riscos de cair. É o primeiro passo.

Há dois lados para se ver o Lille. Por um lado, é um time muito cheio de potencial. Isso pode significar um time que cresça ao longo da competição para conquistar um lugar na primeira metade da tabela. Por outro lado, a falta de experiência foi um problema na temporada passada e, até por isso, o time trouxe um veterano: o zagueiro José Fonte, português, 34 anos, que estava no Dailian Yifang, da China. É o jogador mais velho do elenco.

Outro jogador que é experiente no elenco é Loïc Rémy, 31 anos, com passagens importantes na Inglaterra. Vem para ser um ponto de referência ofensiva do time. Além deles, Thiago Mendes, 26 anos, ex-São Paulo. Este, porém, precisa primeira conquistar um lugar no time. O seu desempenho irregular o fez perder a posição ao longo da última temporada, assim como Luiz Araújo. Dos brasileiros, o titular é Thiago Maia, um jogador inclusive de potencial para ser observado pela seleção brasileira.

A liga dos talentos

Um dos mantras que se repete sobre a Ligue 1 é que revela muitos jogadores. Não é apenas marketing: a França é um celeiro de jogadores, e não só dos franceses. Além dos africanos, sejam imigrantes, sejam descendentes, os clubes franceses, até por necessidade, costumam recrutar bem. Na Premier League, a França é o segundo país estrangeiros com mais jogadores, 33, apenas atrás da Espanha, que tem 37 e é outro país conhecido pela boa formação nas suas categorias de base.

Das grandes ligas europeias, dá para dizer com alguma tranquilidade que a França é quem amis aposta em jogadores jovens. Não apenas na sua base, mas também em contratar jogadores com potencial, até por uma questão de mercado. Isso fica ainda mais claro quando olhamos o balanço entre compras e vendas na Ligue 1: até a publicação deste texto, foram 207 vendas de jogadores, que geraram € 773 milhões aos clubes. Em contratações, os clubes gastaram € 396 milhões – um saldo positivo de aproximadamente € 377 milhões.

Por isso, vale fica de olho na Ligue 1 em termos de talento. Quem sabe quando surgirá o novo Hazard, campeão pelo Lille em 2010/11 antes de ir brilhar no Chelsea, ou um Kanté, que saiu do Caen em 2015 para reforçar o Leicester e ser campeão. Ou Anthony Martial, que saiu do Monaco para o Manchester United; Alexandre Lacazette, astro do Lyon que foi defender o Arsenal, ou Benjamin Mendy, lateral campeão francês pelo Monaco antes de ir jogar sob a batuta de Pep Guardiola. A lista é longa. Seja pelo presente ou pelo futuro, a Ligue 1 é uma liga para ver futuras estrelas também.