É só a décima primeira rodada, mas é o Brasileiro, então já tem clima de despedida e ansiedade para final de Campeonato diante de hiato de um mês. É o começo, mas é o meio ou o fim. Tudo junto, e já tem jogo amanhã. Bom dia!

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Bela vitória do São Paulo num campo em que jamais havia levado os três pontos, ainda mais com a comemoração dos torcedores proibidos de estarem na fria Arena da Baixada. Como os times do Campeonato Brasileiro aceitam jogar contra um clube que veta a presença de seus torcedores de forma arbitrária? Por que os clubes são tão distantes de seu maior patrimônio?

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Que noite do Yago Pikachu: gol, pênalti ao driblar o goleiro, gol de pênalti, chute que rendeu o rebote da vitória. Como é útil, como vai bem nos lances em que é exigido e como é bom para ver um jogo em que tem um cara acertando tudo. Salve!

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Que jogo farol baixo do Cruzeiro. Tudo bem que o time, até nas vitórias, costuma ser econômico, mas nessa semana exagerou, com um ponto em seis e quase sem conseguir assustar o gol da Chapecoense. Sete gols em onze jogos.

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Róger Guedes e o paradoxo do futebol brasileiro: quanto mais gols faz, mais perto está de ir embora. Jogando menos que isso no Palmeiras – quando fez esses mesmos oito gols em duas edições de Série A somadas -, nunca escondeu o sonho do estrangeiro. De toda forma, deu a resposta ao ser protagonista dum time que faz jogos com muitos gols, tal qual essa loucura contra o Fluminense no Independência: Galo tem o melhor ataque de toda a tabela, e a pior defesa entre os dez primeiros. Tem compensado.

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A cena da rodada é Vinicius Jr., não driblando, mas chorando. Tão bonito quanto deprimente: mais um ídolo que se despede com seus 20 jogos como titular em Campeonatos Brasileiros. Uma aparição relâmpago, tão rápido como a forma com que nos acostumamos a torcer para aspirantes da Europa. Curioso para ver o Flamengo pós-Copa, menos alegre, menos incômodo para os adversários e menos… Flamengo, de certa forma.

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Estão bem os zagueiros colorados, não? Victor Cuesta fez seu primeiro golzinho para consolidar atuações muito seguras do zagueiro que mais rouba bolas no Brasileiro. Moledo também muito firme nessa volta. Vitória grande na Vila dum time que não perde faz tempo. Arrumado, o Inter.

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32 mil pessoas na arquibancada em Fortaleza e mais TV aberta para São Paulo: Roger, todo mundo viu o jogo. ‘Um ponto fora é sempre importante’. Jura? Mesmo? Importante não é explicar por que o time não quis jogar no segundo tempo? Como falam qualquer coisa os boleiros, e como a gente ouve, e lembra, e anota, tudo.

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Que caixa do Leo Valencia. Que batida do Ricardo Oliveira. Há quem diga que não existe golaço de falta, acredita? O campeonato já tem algumas pinturas por cima da barreira.

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Eu nunca conheci um torcedor que falasse: que legal, que respeitoso, ele não comemorou o gol contra a gente. Meu palpite é que as reações de Damião em Santos e Kieza em Salvador, ao não celebrarem contra e na casa dos rivais, é mais um desses protocolos boleiros com quase nenhum efeito para quem interessa – a torcida. Correr junto dos colegas é desrespeito?

10

A jornada 12 tem clima de fim de campeonato, porque se futebol é também muito da saúde mental de um elenco, passar um mês vendo a tabela parada influencia o trabalho também. Flamengo pode ser líder a três ou a nove pontos; Santos pode ver a Copa na zona de rebaixamento, enquanto Atlético-PR, Bahia e Paraná comemorariam um alívio; a turma do meio – Corinthians, Vasco, Flu, Bota – assistirá o Mundial animado por uma retomada ou mais perto dos últimos que dos primeiros. Boa rodada.