Na Copa do Mundo do Brasil, Raphaël Varane tinha apenas 21 anos. Não fazia muito tempo que havia desligado na cara de Zinedine Zidane, que ligava em nome do Real Madrid para contratá-lo do Lens. O telefonema aconteceu enquanto o estudante de Economia se preparava para uma prova. Ele ficou incomodado com a interrupção e, depois, confuso quando ouviu a voz do craque. Ainda hoje ele tem que explicar a história de quando mandou Zidane ligar de novo mais tarde porque aquele adolescente estava ocupado demais para falar com um dos seus maiores ídolos.

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Varane não gosta de ser chamado de intelectual. Diz que não é o único jogador do Real Madrid com formação acadêmica. Gostava dos livros, dedicou-se aos estudos e era um bom aluno. E continua sendo. Naquela Copa, Varane foi protagonista do lance de bola parada que eliminou a França da competição nas quartas de final. Mas, na atual, em outra bola parada, contribuiu para colocar a sua seleção nas semifinais.

O lance de quatro anos atrás foi no começo da partida contra a Alemanha. Houve um duelo áereo entre o mais experiente Hummels e o jovem Varane, que começava a colecionar jogos pelo Real Madrid, muitos na campanha de 2012/13 da Champions League que terminou nas semifinais, contra o Borussia Dortmund do zagueiro alemão, mas ainda não se firmara como titular absoluto dos merengues. Hummels venceu o duelo. Manteve Varane afastado com o braço e cabeceou para marcar o único gol daquela partida.

“Eu já deixei aquilo para trás”, afirmou Varane, ao Guardian, em texto publicado antes do começo do Mundial da Rússia. “Faz parte da vida do defensor: você vence alguns duelos, perde alguns. O meu tempo de bola é melhor atualmente e eu aprendi a usar o meu corpo de uma maneira mais esperta”. Varane não é mais um garoto. Agora é, enfim, zagueiro titular do Real Madrid, tetracampeão europeu e incontestável na equipe francesa.

Amadureceu. Aprendeu. E esse novo tempo de bola de Varane foi essencial para a vitória francesa sobre o Uruguai. Griezmann até hesitou antes de cobrar a falta, para esperar a hora certa de mandar a bola na cabeça de Varane, que se antecipou à marcação e raspou no canto de Muslera. “Eu disse para Antoine cobrar na minha direção antes da falta e ele fez isso perfeitamente”, contou Varane. “Alegria, alegria em estado puro”.

O gol abriu o placar para a França, que venceu o Uruguai por 2 a 0 e conseguiu chegar às semifinais, depois de perder nas quartas no Brasil, quatro anos atrás. Graças ao seu zagueiro que gosta de estudar e de aprender com os próprios erros.