Eficiente, cirúrgica, bicampeã: França derrota a brava Croácia e conquista seu segundo título

No momento em que marcou o quarto gol contra a Croácia, aos 20 minutos do segundo tempo, a França havia dado sete chutes a gol e apenas cinco no alvo. E isso porque o tento que abriu o placar foi contra. A seleção de Didier Deschamps encantou pouco ao longo da Copa do Mundo da Rússia, talvez apenas contra a Argentina, nas oitavas de final. Mas é de uma eficiência impressionante, de uma precisão cirúrgica. Quase todas as vezes em que atacou os croatas, a França colocou a bola nas redes: 4 a 2, no estádio Luzhniki, de Moscou, para se tornar bicampeã do mundo. 

A Croácia fez mais uma partida corajosa. Com exceção de um breve momento entre o terceiro e o quarto gol, quando pareceu desanimada, tentou de tudo para ganhar. Teve mais a bola, buscou os lados do campo, tentou surpreender os zagueiros franceses, mas não conseguiu fazer Lloris trabalhar muitas vezes. Porque esbarrou na estratégia de Deschamps: uma defesa muito bem postada, em ótima fase técnica, concentrada o tempo inteiro para destruir as ações adversárias. No ataque, a bola parada abriu o caminho para os contra-ataques de Griezmann e Mbappé.

Deschamps abriu mão de qualquer ambição de encantar ou desempenhar um futebol vistoso, à altura da qualidade técnica que tem em mãos. Questão de escolha, questão de gosto, questão de prioridade: o técnico definiu que a primeira da lista era vencer. E ele venceu. Deschamps é campeão do mundo, o terceiro da história como jogador e treinador. E a França, com dois títulos, sobe ao patamar de Argentina e Uruguai na lista de campeões do mundo. Haverá debates sobre a maneira como chegou lá, mas, no momento, a França se concentra na segunda prioridade da lista: comemorar. 

A França sempre acha o seu gol

Didier Deschamps encontrou uma fórmula para ganhar as partidas contra a França. Sem brilhar ou atuar no potencial das suas individualidades, arma uma defesa muito forte e busca os contra-ataques, às vezes abdicando da bola. Foi assim no começo da final. A Croácia mandou na partida nos primeiros 15 minutos. Como é sua característica, o meio-campo abriu com os pontas, buscando cruzamentos na área. A defesa francesa esteve atenta para fazer os cortes. Mas é incrível como este time francês, de alguma maneira, acha um jeito de fazer o gol que lhe permite atuar com mais tranquilidade no contra-ataque. Uma falta (discutível, mas marcável) em cima de Griezmann na entrada da área foi cobrada pelo craque francês. Mandzukic tentou cortar e desviou contra as próprias redes. Na Copa da bola parada e do gol contra, um gol contra de bola parada abriu o placar da decisão. 

Croácia empata

No entanto, a estratégia da França foi danificada pelo empate relâmpago da Croácia. Também em jogada de bola parada. A falta foi cobrada da entrada da área para a segunda trave. Chegou a Vida, perto da marca do pênalti. O zagueiro arrumou para Perisic, que ajeitou com a perna direita e bateu cruzado com a esquerda, no canto de Lloris. Um belo gol para deixar tudo igual no jogo de Moscou. 

Ressurge o assistente de vídeo

O assistente de vídeo fez parte do esforço da Copa do Mundo de reunir todos os seus maiores sucessos (ou insucessos) na decisão. Protagonista na fase de grupos, o recurso estava quieto no mata-mata, mas ressurgiu no final do primeiro tempo da final. Escanteio cobrado da direita, Matuidi tentou cabecear e não conseguiu. Perisic pulou e movimentou o braço para bloquear a bola. O árbitro Nestor Pitana checou o replay e apontou para a cal. Griezmann cobrou e fez 2 a 1 para a França. 

No contra-ataque, mataram o jogo

Novamente com vantagem no placar, a França buscou o contra-ataque para matar a partida. Ele surgiu em um lançamento de Pogba para Mbappé. O jovem ciscou dentro da área, e a sobra caiu com Griezmann, que ajeitou para o meia do Manchester United, na entrada da área. O primeiro chute, de perna direita, foi bloqueado. O segundo, de canhota, achou o canto direito de Subasic. Seis minutos depois, Mbappé soltou a perna direita de fora da área e achou espaço no mesmo canto do goleiro para fazer 4 a 1. 

Goleiros vacilam

A decisão começou com uma certa indefinição em relação ao melhor goleiro da Copa do Mundo. Todos os que participaram das semifinais tinham chances de levar o prêmio. Durante os 90 minutos no Luzhiniki, os dois finalistas dificultaram suas candidaturas. Subasic poderia ter feito melhor nos gols de Pogba e Mbappé. E Lloris falhou feio: recebeu um recuo na pequena área e, ao ver Manduzkic aparecendo para pressionar, tentou dar um drible com a perna esquerda. Mas encontrou o pé do atacante da Juventus. A Croácia diminuiu o placar para 4 a 2 e se animou. Buscou o terceiro gol para colocar fogo na partida. Mas não o encontrou. 

Ficha técnica

França 4 x 2 Croácia

Local: Estádio Luzhniki, em Moscou
Árbitro: Nestor Pitana (Argentina)
Gols: Mario Mandzukic, contra, Antoine Griezmann, Paul Pogba e Kylian Mbappé (FRA); Ivan Perisic e Mario Mandzukic (CRO)
Cartões amarelos: N’Golo Kanté e Lucas Hernández (FRA); Sime Vrsaljko (CRO)

França: Hugo Lloris; Benjamin Pavard, Samuel Umtiti, Raphaël Varane e Lucas Hernández; N’Golo Kanté (Steven N’Zonzi), Paul Pogba e Blaise Matuidi (Correntin Tolisso); Kylian Mbappé, Antoine Griezmann e Olivier Giroud (Nabil Fekir). Técnico: Didier Deschamps

Croácia: Danijel Subasic; Sime Vrsaljko, Dejan Loven, Domagoj Vida e Ivan Strinic (Marko Pjaca); Marcelo Brozovic, Ivan Rakitic e Luka Modric; Ante Rebic (Andrej Kramaric), Ivan Perisic e Mario Mandzukic. Técnico: Zlatko Dalic