Era uma quarta-feira de jogos grandes no Campeonato Brasileiro. Entre uma boa vitória do Bahia sobre o Sport, o triunfo do Ceará que abalou as estruturas em Itaquera ou mais um impulso do Palmeiras rumo ao topo, o prato principal seria saboreado no horário nobre. Aqueles que iniciaram a rodada ocupando as três primeiras posições entravam em campo, em duas partidas que ainda envolviam outro postulante à Copa Libertadores. No fim das contas, Internacional 2×1 Flamengo e Atlético Mineiro 1×0 São Paulo entregaram o que prometeram. Dois jogos com suas intensidades e suas emoções, que se tornaram importantes à Série A. E ao final da noite, quem comemora são os colorados. Além de deixarem um concorrente comendo poeira, ainda se aproveitaram para assumir a liderança do Brasileirão, graças ao saldo de gols.

Os primeiros minutos guardaram gritos de gol em Porto Alegre e em Belo Horizonte. Diante de um Flamengo apático, o Inter não demorou a se impor. Aos quatro, Edenílson cruzou e William Pottker contou com o erro da defesa para abrir o placar no Beira-Rio. Já no Independência, o São Paulo estava aceso, mas viu uma infelicidade determinar a festa do Atlético. Ricardo Oliveira forçou uma ótima defesa de Sidão e a bola bateu na trave, o que se tornou determinante para Régis estar no lugar errado, mandando para dentro. A vantagem precoce ditaria os rumos o que ocorreu na sequência da noite em ambos os cantos do país.

No Beira-Rio, era o Inter que mandava. Tinha uma postura mais agressiva e pressionava o Flamengo, até que o ímpeto se reduziu a partir dos 20 minutos. No entanto, um dos grandes trunfos colorados neste Brasileirão é a força defensiva, o que mais uma vez se notou. Marcelo Lomba fez boas defesas quando exigido. Enquanto isso, Victor Cuesta e Rodrigo Dourado eram os esteios do time que sustentava a vantagem. Já nas arquibancadas, a empolgação era evidente, ainda mais sabendo que o São Paulo deixava a liderança escapar. Tudo conspirava a favor. Afinal, no Independência o jogo se seguia nervoso, com entradas firmes das equipes e reclamações com a arbitragem. O Galo poderia ter ampliado com Tomás Andrade, após saída errada de Sidão, enquanto o São Paulo parou duas vezes em Victor.

Melhor na volta do segundo tempo, o Inter poderia ter feito o segundo gol, não fosse uma boa defesa de Diego Alves e o excesso de força de Nico López. Já o São Paulo reclamava de um pênalti em BH, em lance interpretativo no qual o árbitro não assinalou o toque de mão de Leonardo Silva. Até que aos 11 minutos, de novo, a taquicardia prevalecesse nos dois estádios simultaneamente. No Beira-Rio, Vitinho soltava o canudo para empatar ao Flamengo, corroborando a “lei do ex”. Já no Independência, o Tricolor criou uma excelente chance, em lance de insistência no qual Victor espalmou e Reinaldo chutou tirando tinta da trave. Só que o instante no qual a tabela poderia sofrer nova reviravolta terminou com a confirmação dos colorados. Pouco depois do empate do Fla, Nico López cobrou escanteio para Rodrigo Dourado emendar às redes e assinalar o segundo gol dos anfitriões.

Nada mais simbólico que o volante, um dos melhores jogadores do Inter nesta campanha, anotasse um tento tão importante. Fazia uma partida monstruosa no Beira-Rio, não apenas na marcação, como também na distribuição de jogo. O gol servia para render os merecidos aplausos ao jovem. Na sequência da partida, o Flamengo ainda insistiu, mas sua tentativa de pressionar era insuficiente. O Inter demonstrava muita solidez sem a bola e a dificuldade para finalizar dos rubro-negros era notável. A melhor oportunidade com Matheus Sávio, que terminou por consagrar Marcelo Lomba. Mantendo a situação sob controle, restava aos gaúchos secarem o que acontecia em Minas Gerais.

E o final do jogo no Independência teve intensidade. O São Paulo demonstrou uma postura elogiável, buscando o ataque e criando ocasiões para manter a liderança. Foram bons lances dos tricolores, por mais que o Galo também respondesse do outro lado a partir de sua velocidade nos contra-ataques. Victor e Sidão (mesmo não transmitindo grande segurança à sua torcida) seriam preponderantes, realizando defesas decisivas para manter o placar inalterado. Já no último suspiro são-paulino, o arremate de Tréllez passou muito próximo do arco. Valeu para assustar, mas não para evitar o triunfo valioso dos atleticanos.

Às vésperas do Gre-Nal, o Internacional acumula os mesmos 46 pontos que o São Paulo tem, mas com a vantagem mínima de um gol no saldo. E quem chega mais perto é o Palmeiras, que fez 2 a 0 sobre o Atlético Paranaense e infla o peito. Os alviverdes possuem 43 pontos, motivados pela boa sequência com Felipão e o clássico contra o rival em crise no próximo domingo. O Flamengo, por sua vez, fica pelo caminho com 41 pontos. Ainda pode ser ultrapassado pelo Grêmio, que tem 40 e visita o Santos na quinta. Por fim, o G-4 ficou mais próximo ao Galo, que chegou aos 38. Concorrência que volta a botar fogo no Brasileirão, um tanto quanto morno após a pausa da Copa, mas que ganha fôlego por tamanha competitividade.