Depois da eliminação do Atlético Mineiro na Copa Sul-Americana, em empate contra o San Lorenzo que gerou grande discussão, mais dois brasileiros entraram em campo nesta quarta para defender sua honra na competição. São Paulo e Botafogo não demonstraram menosprezo pelo torneio continental, até por não terem mais a Copa do Brasil para disputar. Ainda assim, passaram por roteiros parecidos em suas classificações. Perderam gols, enfrentaram problemas e tomaram sustos nos minutos finais, mas acabaram passando. A Sul-Americana, afinal, acaba sendo a grande esperança das duas torcidas para a sequência da temporada.

O São Paulo tinha uma necessidade maior no Morumbi. Os tricolores empataram sem gols na visita ao Gigante de Arroyito e a vitória era o que realmente interessava contra o Rosario Central. O início da partida até chegou a indicar um cenário aberto aos são-paulinos, que criavam chances a rodo e se aproximavam da meta rosarina com facilidade. O problema era a falta de pontaria dos anfitriões. Foram várias gols incríveis que desperdiçaram, e logo o nervosismo começaria a bater. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, os canallas assustaram.

A classificação do São Paulo se construiu aos 15 minutos. Os paulistas conseguiram uma belíssima trama, até que Reinaldo invadisse a área e chutasse cruzado. A bola bateu na trave, mas Diego Souza estava no lugar certo para completar no susto. O problema é que o Tricolor não soube matar o jogo ou administrar o resultado. Dependeu de uma defesaça de Sidão e abusou da sorte nos minutos finais, quando Cueva e Petros foram expulsos em lances completamente desnecessários, entre os 45 e os 48 minutos. O Rosario Central, porém, se mostrou um time bastante deficiente, com dificuldades de aproximação. Nem no abafa dos acréscimos conseguia conectar os chutões, embora tenha feito a torcida são-paulina prender a respiração no último lance. Ficaram no quase.

O Botafogo, por sua vez, jogava pelo empate. Depois da vitória por 2 a 1 no Chile, poderia levar com mais calma o reencontro com o Audax Italiano dentro do Estádio Nilton Santos. Para satisfazer a torcida, entretanto, se limitar à igualdade no marcador não poderia ser o objetivo. Por isso mesmo, o primeiro tempo não agradou. Os alvinegros tentaram atuar de maneira mais resguardada e, adiantando a marcação, os chilenos causaram problemas ao explorarem os erros. Os cariocas demoraram um pouco mais a se acertar, criando suas principais chances antes do intervalo.

A volta para a etapa complementar contou com outra postura do Botafogo. O time veio num ritmo mais forte e, embora o Audax tenha visto um gol ser bem anulado por impedimento, os alvinegros eram melhores. O gol saiu aos 13 minutos, em chute com efeito de Matheus Fernandes. Na sequência do duelo, os botafoguenses acertaram uma bola na trave. O problema veio na reta final, quando os chilenos tentaram partir ao abafa. Os cariocas tiveram um caminhão de oportunidades nos contra-ataques, todas desperdiçadas. E os visitantes, depois de uma furada incrível na pequena área, arrancaram o empate aos 40, com Luis Cabrera arriscando de fora da área. Mais um gol do Audax poderia forçar os pênaltis e a equipe bem que tentou. Ao final, apesar da passagem, vaias da torcida.

Tanto Rosario Central quanto Audax Italiano têm suas limitações técnicas. São Paulo e Botafogo se beneficiaram disso, já que seus desleixos na proteção poderiam ter custado mais caro. O entrave maior aos brasileiros, porém, esteve entre a letargia em certos momentos da partida e a falta de efetividade diante do gol – seja por desleixo, imprecisão ou tensão. Ambos avançam, em classificações importantes, sobretudo pela motivação que inserem. Mas sabem que, em trabalhos ainda sendo desenvolvidos, os pontos a se aprimorar são diversos.