Portugal deu 20 chutes a gol. Sete foram bloqueados. Oito não alcançaram o alvo. Catorze foram de fora da área. Fernando Muslera não precisou fazer nenhuma defesa difícil. Os europeus ficaram com a bola dois terços do tempo. Em alguns momentos, pareciam estar pressionando o Uruguai. Mas os sul-americanos nunca correram riscos sérios. Defensivamente, não há excelência maior no futebol de seleções. O único lapso foi na cabeçada de Pepe, que empatou o placar. No outro lado do gramado, Cavani resolveu a parada: uma cabeçada e um chute perfeito para fazer 2 a 1. E para eliminar o campeão europeu nas oitavas de final da Copa do Mundo. Depois de tantos anos como coadjuvante, o país que venceu duas vezes o Mundial está nas quartas de final pela segunda vez em três edições. 

A dupla de ataque funciona

A combinação entre Suárez e Cavani é a principal arma da seleção uruguaia. O que foi notável na jogada do gol uruguaio, logo aos sete minuto, é que ambos tabelaram à distância. Cavani virou o jogo para Suárez, que estava na esquerda. O atacante do Barcelona cruzou na segunda trave, onde já aparecia o artilheiro do PSG, disparando nas costas de Raphaël Guerreiro, para direcionar uma bola difícil ao fundo das redes de Rui Patrício. 

A de defesa também

Nada como um gol cedo para permitir que o Uruguai faça o seu melhor jogo: ritmo baixo e excelência na defesa. Godin e Giménez são os destaques do setor, que limitou as finalizações de Portugal para o lado de fora da área. Afastaram três bolas cada um nos primeiros 45 minutos – no total, nove para Giménez e sete para Godin. Trocando muito mais passes, os europeus não conseguiram se infiltrar. Cristiano Ronaldo tentou três balaços de longa distância na primeira etapa. Um defendido por Muslera. Dois bloqueados. 

Cavani, de novo

Ao longo de sua carreira como parceiro de Suárez no ataque da seleção uruguaia, Cavani sempre foi tido como um coadjuvante, que frequentemente ficava devendo nas partidas internacionais. Se isso for verdade, ele está pagando tudo com juros e correção monetária nesta Copa do Mundo. No momento de maior perigo de Uruguai, logo depois de Pepe empatar de cabeça e Portugal começar a pressionar em busca da virada, Suárez dividiu uma bola longa, que veio direto de Muslera. Bentancur ficou com ela e deu um passe esperto para Cavani, pela esquerda, na entrada da área. Ele pegou de primeira, uma tacada de sinuca, com curva, no canto de Rui Patrício – muito mal posicionado, próximo demais da outra trave. 

À uruguaia

Os minutos finais foram de pressão portuguesa. Principalmente os dez últimos. O que não costuma ser um problema para a turma de Óscar Tabárez. Nem quando Rui Patrício foi para a área cabecear o sufoco foi grande demais para um time acostumado a sofrer muito mais. Em um contra-ataque, os sul americanos tiveram a chance de matar o jogo. Suárez ganhou sozinho o lance pela direita, brigando e lutando com os zagueiros, e cruzou para Cristian Rodríguez, que não conseguiu alcançar a bola. Nem precisou. O Uruguai eliminou o campeão da Europa e está nas quartas de final. 

Ficha técnica

Uruguai 2 x 1 Portugal

Local: Estádio Fisht, em Sochi
Árbitro: César Ramos (México)
Gols: Edinson Cavani, duas vezes (URU); Pepe (POR)
Cartões amarelos: Cristiano Ronaldo (POR)

Uruguai: Fernando Muslera; Martin Cáceres, José Giménez, Diego Godín e Diego Laxalt; Lucas Torreira, Matías Vecino, Nahitan Nández (Carlos Sánchez) e Rodrigo Bentancur (Cristian Rodríguez); Luis Suárez e Edinson Cavani (Christian Stuani). Técnico: Óscar Tabárez.

Portugal: Rui Patrício; Ricardo Pereira, José Fonte, Pepe e Raphaël Guerreiro; William Carvalho, Adrien Silva (Ricardo Quaresma), Bernardo Silva e João Mário (Manuel Fernandes); Gonçalo Guedes (André Silva) e Cristiano Ronaldo. Técnico: Fernando Santos