Edinson Cavani e Luis Suárez. Poucas seleções contam com uma linha de frente tão intimidadora nesta Copa do Mundo. Dois dos melhores centroavantes do planeta juntos, e que condicionam totalmente o jogo da Celeste. Entretanto, nesta estreia no Mundial, os dois craques estiveram em sintonia totalmente distinta. Suárez, que possui uma história marcante no torneio, não se encontrou. Os charruas dependeram bastante de Cavani, que se apresentou de diferentes formas e acertou muito mais as suas jogadas. Não marcou o gol, é verdade, mas acabou sendo um dos protagonistas na apertada vitória por 1 a 0 sobre o Egito.

Se Luis Suárez possui (milagre com as mãos e mordida à parte) algumas atuações inesquecíveis em Copas, como os jogos decisivos contra Coreia do Sul e Inglaterra, Cavani nunca se deu bem na competição. Anotou um gol apenas em 2010, na decisão do terceiro lugar, mesmo sendo titular em toda a campanha, e seu tento em 2014 foi inútil na derrota ante a Costa Rica. O momento do centroavante na seleção, no entanto, é favorável. Anotou dez gols nas Eliminatórias, mais do que qualquer outro na competição, e carregou a Celeste em alguns momentos importantes da campanha. Nos amistosos preparatórios, também, quase sempre deixou sua marca. E foi muito mais efetivo na tarde de Ecaterimburgo.

A chave para o jogo do Uruguai estava no meio-campo. Com a linha de zaga mais fixa e a dupla de ataque esperando a bola chegar, a mobilidade do quarteto central era o que empurrava a equipe. Não estavam em sua atuação mais criativa, embora ajudassem os charruas a manterem a posse de bola, sobretudo no primeiro tempo. De qualquer maneira, o toque diferente dependeu de Cavani e Suárez. O primeiro, movimentava-se mais e poderia ter anotado um golaço, em bola desviada no meio do caminho, mas que parecia ter endereço. O Pistoleiro, por sua vez, falhou quando teve sua principal chance na primeira etapa, acertando o lado de fora da rede.

Na segunda etapa, esta diferença ficou ainda mais marcante. Cavani se encarregava de criar. Abria espaços, fazia o pivô e dava passes açucarados. Nas duas vezes em que deixou Suárez de frente para o crime, o camisa 9 não resolveu. Parou em uma grande defesa de Mohamed El-Shenawy e depois titubeou na hora de encher o pé. Não era a tarde de Luisito, que se mostrava um tanto quanto frustrado com os próprios erros. A situação só melhorou quando os papéis se inverteram. Suárez ajeitou de cabeça para Cavani acertar um lindo chute, que rendeu uma defesa ainda mais bonita de El Shenawy, se esticando para desviar com a ponta dos dedos. E quando o camisa 21 conseguiu superar o goleiro, em cobrança de falta caprichosa, carimbou o poste. Comemoraria apenas depois, quando José María Giménez desviou de cabeça a bola decisiva da partida.

Cavani vem de uma temporada mais consistente que Suárez. Que se pese as diferenças entre as competições, o atacante do Paris Saint-Germain anotou 40 gols em 48 partidas, contra 31 em 51 do companheiro. O ídolo do Barcelona demorou a engrenar, e até parecia chegar em melhor forma se comparada ao segundo semestre de 2017, mas não encontrou o seu melhor ritmo em Ecaterimburgo. Por enquanto, não há grandes custos ao Uruguai. Mas, por este primeiro momento, Cavani se mostra uma alternativa mais confiável na linha de frente, por proporcionar bem mais aos celestes.